Terça-feira, 20 de Março de 2012
Conquistar terreno no mercado e na família

 


 

 

Maria João Pisco Almeida decidiu criar a sua própria conciliação e conquistar o que considera não ter preço : tempo com os filhos.
Criou a Purelogicol em Portugal quando estava grávida do segundo e fez crescer a empresa ao ritmo da sua maternidade.
Conta com a ajuda de Lia Ferreira para ajudar as mulheres portuguesas a serem ainda mais belas, enquanto vai equilibrando a sua vida familiar com um forte espírito empreendedor.

 

O que fazia antes de criar a Purelogicol ? 

Ocupei vários cargos como farmacêutica, desde o projeto inicial de promoção dos medicamentos genéricos, à organização e desenvolvimento das parafarmácias e uma experiência no estrangeiro (Londres) como gestora de produto.

 

Quais as principais motivações? Quis conciliar trabalho e família ?

Sim, principalmente. Na altura tinha uma filha (agora com 7 anos) e pouco tempo para ela. Com a entrada no colégio, vieram também algumas viroses que me obrigavam a abrandar o ritmo de trabalho. Ainda assim, conseguia um intervalo à tarde para a ir buscar e a deixar em casa com a empregada, para voltar ao trabalho até às 19h/20h.

Mas depois tive um novo desafio que se transformou numa experiência desmotivadora, ao mesmo tempo que me levou a contratar o autocarro do colégio para levar a menina a casa e a garantir que a empregada estaria sempre à espera dela.

Comecei a reconsiderar as minhas prioridades. Infelizmente em Portugal não há possibilidade (ou é muito remota) de trabalhar em part-time. Por isso, contactei várias marcas no mercado internacional e descobri que a PureLogicol Internacional estava à procura de um representante em Portugal. Foi empatia à primeira vista.

Entretanto, no mês em que criei a empresa, fiquei grávida do segundo filho e fui fazendo crescer a empresa ao mesmo tempo que a barriga crescia.

 

Quais as principais dificuldades que encontrou neste processo?

Naturalmente que é difícil para uma empresa com duas pessoas, com uma marca desconhecida, ganhar terreno e conseguir clientes, mas felizmente foi um percurso que foi sendo naturalmente percorrido.

 

Sente que ganhou a aposta da conciliação entre o trabalho e a família?

Sim. Assumi que iria ter um vencimento mensal inferior ao que teria caso trabalhasse numa empresa. Mas colocando gastos e ganhos na balança, a diferença não é muito grande e o resultado é muito mais positivo a nível emocional. Não tenho despesas de carrinha do colégio para dois, empregada diariamente, prolongamentos esporádicos no colégio… Consigo ir buscar os dois todos os dias às 17h, levá-los duas vezes por semana à natação, dar banhos e jantares e usufruir de tempo com eles. Essa possibilidade não tem preço.

 

Em Portugal é difícil conciliar trabalho e família ? 

É difícil porque não existe culturalmente este hábito. Passámos de um extremo, em que as mães ficavam em casa e os pais trabalhavam, a outro, em que o canudo é o expoente máximo da realização pessoal e trabalham mães e pais com a esperança de que a sua realização profissional não seja frustrada com aquilo que idealizaram. Faltam infraestruturas em Portugal para facilitar esta conciliação. Falta entreajuda entre as pessoas. Viver um pouco mais em comunidade. Mais amor.

 

Considera que existem muitas mães a reivindicarem esta conciliação ? E pais?

De todo. Existe uma lamentação generalizada de que não é possível conciliar trabalho e família.

 

 


www.purelogicol.pt
contacto +351 21 0993566 

 

 

"Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar. 
Queremos dar voz a pais e mães que conseguiram encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a família, ou que estão a esforçar-se para lá chegar. Encontrar novas soluções ou bases para discussão que permitam atingir os objetivos do movimento é o objetivo da iniciativa. 
Se vive uma experiência inspiradora neste sentido e quer partilhá-la, contacte-nos na nossa página no facebook ou deixe aqui um comentário.




publicado por flexbilizar ~ conciliar às 17:45
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Esperar que as coisas aconteçam não adianta, resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível

 

 

 

Tem o sonho de ter três filhos e não abdica dele. Acha que ficar à espera que as coisas aconteçam não serve de nada. Por isso, acrescentou o cargo de gerente da loja Loviu Kids, no Porto, ao emprego de gestora de produto numa empresa. Carla Maia, de 35 anos, mãe de uma menina de dois anos, juntou mais trabalho ao trabalho para, no futuro, ter mais tempo para a família.

 

1. De que forma concilia a família com dois projetos profissionais?

São muitas as estratégias. No trabalho "normal" saio habitualmente às 17h para ir buscar a minha filha. Como ela tem um relógio biológico bastante diurno, às 20h30 precisa de ir para a cama. Assim, no domingo preparo refeições que congelo, de maneira a que o tempo que passamos juntas durante a semana seja realmente de qualidade, sem muitas tarefas. Relativamente à loja, graças à minha sócia e ao meu marido, apenas estou lá duas vezes por semana, sendo os restantes dias distribuídos por ambos.

 

2. A abertura da loja teve em mente o objetivo de ter mais tempo para a família?

A loja foi uma vontade de criar um projeto pessoal, um desafio e ao mesmo tempo conseguir, mais tarde, mais tempo para a família.

 

3. Pensa deixar o emprego “normal”, quando a loja for um projeto mais consolidado?

Sem dúvida. Adoraria ter três filhos, mas é difícil conseguir tempo e recursos para os ter. No entanto, acredito que esperar que as coisas aconteçam não adianta nada, pelo que resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível.

 

4. Em Portugal é difícil conciliar trabalho e família? Os empregadores são pouco compreensivos com as mães trabalhadoras?

Os empregadores em Portugal são pouquíssimo compreensivos. Avaliam o trabalho de alguém pelo tempo que passa no escritório e não o trabalho realizado. Conheço inúmeros profissionais que saem todos os dias às 20h e não fazem metade do que faço. Isto porque, quando estou a trabalhar, estou de facto a produzir. Penso que os países nórdicos são mais sensíveis a este aspeto e valorizam o tempo em família, porque acreditam que o trabalhador é mais rentável se estiver satisfeito.

 

5. E com os pais trabalhadores, como se comportam? E como são tratados pelos empregadores?

Cada vez mais tenho colegas a querer participar na vida dos filhos. Contudo, a maioria é incapaz de o afirmar, muito menos para o empregador. Alguns pais saem a horas para ir buscar os filhos à escola. Mas o mais engraçado é que em Portugal fica mal sair a horas, apesar de passarmos muitas das nossas horas de trabalho a navegar pela internet ou a arrastar tarefas. O “parecer” suplanta o “fazer” e este é o real problema da produtividade em Portugal.

 

 

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publicado por flexbilizar ~ conciliar às 08:36
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Trabalho mais do que nunca, mas tenho mais tempo para os filhos

 

Era editora numa revista, mas estava farta de rever textos dos outros. Quando engravidou da terceira filha, Sónia Morais Santos percebeu que não podia continuar a chegar a casa depois das 20h. Deixou o cargo de editora numa revista para se tornar jornalista freelancer. Tornou-se dona do seu tempo e garante que assim ele “estica”. E lhe dá mais tempo para as crianças. Licenciada em Ciências da Comunicação, Sónia tem 38 anos e é a autora do blogue Cocó na Fralda.

 

1. O que fazia antes de ser jornalista freelancer ?

Era editora executiva da revista Time Out Lisboa.

 

2. Quais os motivos que a levaram a tomar a decisão de deixar um emprego “certo”?

Quando a minha terceira filha estava para nascer, percebi que não podia continuar a chegar a casa às 20h e às 21h, com o meu marido. Só nos dava para deitar os filhos e nada mais. Além disso, estava absolutamente farta do trabalho de editora - ali fechada a ver os textos dos outros, ou então a fazer coisas que já não me estimulavam minimamente. Quando comecei a ficar febril ao domingo, só por pensar no regresso ao trabalho, percebi que era chegada a hora de saltar fora.

 

3. A mudança foi a forma que encontrou para conciliar a profissão com a vida familiar?

Também. E a conciliação foi total. Hoje trabalho consideravelmente mais do que alguma vez trabalhei, mas tenho muito mais tempo para os meus filhos. Faço uma gestão inteligente do meu tempo. E ele estica. Claro que gostava que esticasse muito mais. Mas isso gostávamos todos.

 

4.. Foi difícil "mudar de vida" sem a alegada segurança de um "emprego certo?

Não senti isso. Mas também tive sorte. Consegui avenças fixas e, agora, todos os sítios para os quais escrevo são avenças fixas. Ou seja: sei sempre quanto vou receber no final do mês, porque é sempre igual, e assim até parece que tenho um ordenado. A verdade é que fui abrindo portas, ao longo dos anos em que trabalhei por conta de outrém, que me permitiram ter outra estabilidade enquanto freelancer.

 

7. Aconselha outras famílias a fazer o mesmo? Por realização pessoal ou sobretudo pela possibilidade de conciliação trabalho/família?

Não dou conselhos desses. Acho demasiado arriscado. Porque eu saí-me bem, mas a outros pode correr mal. Acho que é preciso ter-se uma estrutura mental muito sólida para se ser freelancer, é preciso ter muita força de vontade, é preciso ser muito batalhador, muito insistente, muito organizado, disciplinado, e não cair na tentação de ficar no sofá a ver séries, nem de pijama o dia inteiro - esse é o primeiro passo para uma ruína e uma depressão anunciadas. Levanto-me todos os dias às 7.30 para despachar os miúdos, que vão para a escola, tomo banho, visto-me, pinto-me e começo a trabalhar como se tivesse um patrão a olhar-me de soslaio. E tenho: sou eu!

 

 

 

“Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar.
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publicado por flexbilizar ~ conciliar às 14:04
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
Regresso ao Interior

Ana Teresa Mota | Consultora de Recursos Humanos

 

O mercado de trabalho tem destas coisas. Há alturas em que parece que os empregos fogem e mudam de sítio. Provavelmente significa apenas que os empregos nas grandes cidades são poucos e que no interior ainda vão sendo alguns.

Em tempos normais, diria que encontrar trabalho no interior não é tarefa fácil.  Atualmente penso exatamente o contrário. Há vilas no centro do país, mais no interior ou mais no litoral, com emprego. Zonas industriais que vão resistindo e pequenos centros turísticos que absorvem mão de obra. Alargar as nossas buscas é suficiente para tornar maior o número de oportunidades – empresas de trabalho temporário que fazem colocações nas câmaras municipais, centro de emprego que é nacional e portanto mostra oportunidades em outras zonas, para além da nossa, jornais regionais e até as páginas de internet das câmaras municipais.

Porquê esta sugestão, num contexto de flexibilidade?

Porque me encantei por Vila de Rei, no topo do distrito de Santarém. Tem escolas excelentes e uma cidade inteira virada para crianças, uma biblioteca muito concorrida e pavilhões desportivos, tem praias fluviais e piscinas. Tem jovens e crianças a passear na rua e os supermercados ocupam metade do seu espaço com coisas para crianças. Depois conheci duas ou três famílias com crianças.Têm consolas? Roupas da moda? Telemóveis? Nem por isso. Têm quintais, têm animais de estimação, têm os pais em casa às 6 da tarde.Vão todos à missa ao domingo, sendo que o miúdo fica na catequese e depois vai brincar para o jardim no centro da vila. Sozinho, aos 6 anos. Correção, sozinho não. Vão todos, uns 10 miúdos à solta e aos gritos, com uma bola nos pés. E as mães descansadas, porque ali toda a gente olha por eles.Uma das famílias veio de Lisboa. Instalou-se há algum tempo por estas bandas e duplicou o número de filhos. Porquê? Porque aqui é fácil ter filhos. É fácil vê-los crescer felizes e saudáveis. Os serviços públicos cobrem as grandes necessidades, porque há escola e centro de saúde, porque há desporto e cultura, porque há jardins e parques. O dinheiro não será muito. Provavelmente nunca. Mas não sei se é assim tão importante. Aqui, na grande cidade, temos tudo perto. Tudo o quê? As rendas que custam 4 vezes mais do que no interior? Os centros de saúde onde não se consegue uma consulta senão com seis meses de espera? As escolas que estão a abarrotar, com professores cansados e lutas permanentes? Os transportes onde perdemos duas e três horas diárias? Os centros comerciais onde compramos o que não precisamos porque não há mais nada para fazer ao fim de semana? Ali as coisas não estão perto. Para tudo dá jeito ter carro. Confirmo. Mas sem carro também se sobrevive, em especial dentro de uma cidade. Também assisti à senhora do talho a combinar com uma velhota, uma boleia até Abrantes. As pessoas ali tomam conta umas das outras. As vizinhas partilham a rega da horta e o olho que vão deitando às ovelhas de todos.

Não estou a sugerir que as pessoas que sempre tiveram profissões de escritório, se dediquem à agricultura. Longe disso, mas há escritórios, empresas, zonas industriais, comércio, turismo.

Vai havendo emprego e para completar o salário, há sempre trabalho. Apanha da azeitona é o prato do dia até ao final do ano, mas logo a seguir há mais coisas. E dá dinheiro. Não é muito, mas dá.

Antes de considerar o triplo emprego, a economia paralela, a caridade... muito antes, vale a pena pensar em alternativas longe do cimento e do alcatrão. Onde a vida é mais simples e as crianças crescem perto dos pais. Onde o tempo é nosso aliado.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 20:55
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Comercial - aprender para viver melhor

Ana Teresa Mota | Consultora em Recursos Humanos

 

Ao longo dos últimos tempos duas verdades me têm saltado para os olhos, de tal maneira óbvias que me levaram a pô-las por escrito.

Algumas pessoas têm pedido ajuda para encontrar empregos, em alguns casos de forma assustadoramente frágil, noutros com segurança, mas sempre em situação difícil e regime de emergência.

A primeira grande verdade é simples, basta olhar para os anúncios de jornais: os empregos para os comerciais existem. As empresas oferecem melhores condições e em alguns casos total liberdade de gestão de horário. Este último ponto foi o que me levou a escrever sobre o assunto aqui.

Acontece que a maioria das pessoas que eu tento ajudar, coloca logo de partida como objeção trabalhar numa função comercial. Porque não sabem, porque não têm jeito, porque não gostam, porque não se sentem capazes de fazer um trabalho razoável. Ao fim de alguns anos a treinar pessoas, posso acrescentar que não existe um talento inato para a área comercial. Não existe um dom. Nem sequer um conjunto de características especiais que tornam os comerciais, profissionais de sucesso. Existe trabalho, existe treino, existe dedicação e existe esforço. E assim chegamos à segunda verdade. Também simples.

Foi-nos ensinada pelos nossos pais e esforçamo-nos imenso por ensinar aos nossos filhos. É preciso estudar, trabalhar muito e ser bem educado para ter sucesso na vida. Com estas três coisas seremos profissionais de sucesso na maioria das profissões que não exigem talentos especiais, como é o caso dos comerciais. Ser comercial é gostar de pessoas e de contacto humano. Nada mais. Ou melhor, pouco mais, porque tal como qualquer outra profissão exige estudo, preparação, treino e dedicação. Não é preciso tirar cursos caros. A internet está cheia de dicas, livros, palestras, imenso material para quem esteja disposto a aprender. Falando do meu caso, quando quero ajudar alguém que oferece esta resistência, a minha resposta tem sido: Tenta. Não pode ficar pior do que está. O que é que custa? Diria que no fundo sei que custa o orgulho. Primeiro porque as pessoas ainda veem os comerciais como seres de segunda, reles e aproveitadores – estamos chegados a uma boa altura para começarmos a respeitar quem trabalha.

Segundo porque as pessoas não confiam o suficiente nas suas capacidades, inclusive de aprendizagem, e têm medo da mudança – mais uma vez, uma boa altura para arriscar.Para todos os que pretendem flexibilidade, salários mínimo garantido, boas condições de trabalho e o respeito dos colegas, sugiro que espreitem as funções comerciais que estão abertas nos sites de recrutamento ou nos jornais. Os requisitos são poucos, porque no fundo, o que é preciso para se ser um bom comercial, é gostar de pessoas e estar disposto a aprender.

Boa sorte aos corajosos.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 00:22
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
Má experiência com final feliz

Já escrevi sobre o meu regresso ao trabalho, pós licença de maternidade. Foi em Junho. De Junho a Setembro os pagamentos de ordenados começaram a falhar e eu achei por bem arranjar um plano B. Fiz o meu CV, coisa que não fazia há seis anos, enviei-o para quatro sítios. Três desses sítios, que me tinham sido indicados como estando com processos de recrutamento abertos, responderam no próprio dia a dizer que os processos já estavam concluídos. O quarto CV foi enviado em resposta a um anúncio. Ligaram-me no próprio dia a marcar entrevista para dali a dois dias. Fui. A entrevista correu bem. Dois dias depois ligaram-me a fazer proposta, que aceitei. Na semana seguinte fui lá a uma segunda entrevista e oficializaram a proposta. Foi numa terça-feira. Comecei a trabalhar lá na sexta-feira dessa mesma semana.

No meu emprego anterior foram super-compreensivos, ficaram com muita pena de me ir embora... E com a minha saída, e visto que já só lá estávamos três pessoas a tempo inteiro, resolveram fechar o escritório físico e trabalhar a partir de casa. Ou seja, deram um enorme passo em direcção à conciliação entre trabalho e família.

 

No meu emprego novo, as coisas não poderiam ter corrido pior. Não houve acolhimento nenhum: cheguei lá, mostraram-me uma folha com os procedimentos básicos e duas horas depois queriam que eu estivesse a fazer propostas para clientes como se sempre ali tivesse estado. Claro que não correu bem, claro que fiquei insegura. A própria interacção entre as pessoas era uma coisa estranhíssima: não se podia falar com toda a gente, eu não devia falar quando me apetecesse. E, cereja no topo do bolo, como o meu nome não é simples, resolveram que a melhor maneira de contornar a dificuldade em memorizá-lo era passarem a tratar-me pelo meu segundo nome, que não reconheço como meu, que não espelha a minha identidade. Senti-me violada quando fizeram isto comigo... mas encarei aquilo como uma coisa que acontece por alguma razão. Assim, naquele sítio onde eu me sentia mal era X e, na minha vida fora dali, onde eu era feliz, usava o meu nome e continuava a sentir-me bem!

O horário oficial era das 9h30 às 13h e das 14h30 às 19h. Logo no primeiro dia saí às 20h. Saí tarde porque continuavam a dar-me coisas para fazer "agora". Expliquei que não podia sair depois das 19h porque a escola da minha filha fecha às 19h30 e eu tinha que a ir buscar. Ouvi um "sim, sim, mas tens isto para fazer". Não houve um dia que eu saísse a horas. Não houve um dia que a minha vida para além do trabalho fosse respeitada. E eu só aguentei 17 dias disto. Exactamente duas semanas depois de ter começado lá, e depois de ter passado duas semanas a estar meia hora por dia com os meus filhos, depois de ter passado duas semanas a chorar, resolvi que chegava e que não era aquilo que queria para a minha vida. Na segunda-feira seguinte anunciei que me ia embora (também já tinha percebido que não estavam nada satisfeitos com o facto de eu ter disponibilidade "limitada" ao horário de trabalho e que se preparavam para me substituir). No dia seguinte já não fui. Senti um alívio tremendo!

 

Falei com o meu (ex) patrão, perguntei se ainda precisava de mim. Disse-me que sim. Acordámos que eu ficaria a trabalhar em casa, em part-time, mas com total gestão do meu tempo, com total controlo sobre mim. Ouro sobre azul: trabalho para a empresa, trabalho para mim (tenho um negócio de costura, faço malas, carteiras, agendas, etc.), escrevo, faço mil coisas. E não gasto tempo em deslocações, nem tenho stresses desnecessários. Perdi dinheiro com o negócio, porque o que tenho garantido agora é muito menos do que tinha, mas estou muito, muito mais feliz. Estou muito mais tempo com os meus filhos, organizo-me muito melhor, sinto-me mais realizada. E sei que, quanto mais trabalhar, mais dinheiro vou receber, e isso é motivador.

 

Saldo? Claramente muito, muito positivo. E só lamento que ainda haja empresas que não têm respeito nenhum pelas pessoas, que fazem gala em exercer pressão sobre os funcionários e que ainda não perceberam que estão muito, muito longe de ter o sucesso que poderiam ter, se tratassem as pessoas como pessoas e não como peões num tabuleiro de xadrez!


Marianne



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 12:55
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Compreender, focalizar, pressionar, mudar

Ana Teresa Mota | Consultora de Recursos Humanos

 

Nos tempos que correm a flexibilidade parece um mito e é cada vez mais complicado  conseguir mudanças que não estejam diretamente associadas com custos, junto dos patrões, ou com benefícios, junto dos colegas.

 

É preciso mudar as mentalidades, disso ninguém tem dúvidas. O problema é por onde começar e o que fazer. Vamos começar por nós? Começar por mudar a forma como vemos as coisas? Ou como as dizemos? É que se não tenho dúvidas de que a nossa família precisa de tempo (se não também não estaria aqui), tenho muitas dúvidas quanto à forma como por vezes dizemos o que queremos, ou defendemos as nossas posições.

 

Quando falamos de mudar mentalidades, falamos usualmente “para fora”. Os outros precisam de mudar de mentalidade. Os patrões têm que perceber que o trabalho não é tudo. Os colegas têm que perceber que cada um tem direito às suas próprias necessidades, prioridades e objetivos. A sociedade tem que perceber que as mães precisam de tempo para os filhos. As escolas têm que perceber que nem sempre é possível ir buscar as crianças às 6 em ponto.

É preciso bom estômago para defender aquilo em que acreditamos. É preciso coragem para ser diferente.

 

O meu desafio aqui, hoje, é especial.

É mudar as mentalidades, porque tem que ser. É mudar as mentalidades, “para dentro”, começando por nós próprios.É abandonar a visão que temos, defendendo o mesmo, pelos motivos adequados ao contexto.

Se queremos ser ouvidos, se queremos ser compreendidos, primeiro temos que compreender.Temos que compreender os contextos e os outros. Temos que perceber quais são os argumentos válidos e porque é que estamos a fazer as coisas. Temos que escolher os nossos aliados e conhecê-los. Temos que conquistar os nossos direitos, não como pessoas individuais e diferentes, mas como pessoas iguais a tantas outras.É muito bonito assumir o direito à diferença, mas neste momento parece-me mais eficaz conquistar o direito a pertencer.Os patrões estão em luta com os custos, com os aumentos, com a perda de clientes e de mercado. E é fundamental que essa seja a nossa preocupação principal enquanto trabalhadores.

Como é que podemos fazer a diferença nesta luta tão difícil, como é que podemos ajudar a recuperar clientes e a ganhar mercado. Que ideias temos nós para oferecer? Que esforços? Não é preciso trabalhar mais meia hora. É preciso trabalhar muito nas horas em que lá estamos, focalizados nesta preocupação e apenas nesta preocupação.Quanto aos colegas, o problema é muito maior do que a empresa em que estamos inseridos.As pressões são muito mais profundas do que a “inveja” da pessoa que se senta na secretária ao lado da nossa.Todos os líderes se movimentam para pôr as pessoas, umas contra as outras.O primeiro-ministro vem à comunicação social dizer que os funcionários públicos ganham de mais.

Os privados gritam contra as regalias dos funcionários públicos.Os serviços de comércio e turismo gritam, contra o aumento do IVA, e de repente, um setor unido separa-se entre hotelaria e restauração. Está assim em todo o país, em todos os setores de atividade, nunca foi tão nítido como nas últimas greves, em que os argumentos fazem todos sentidos, mas as pessoas ficam contra porque individualmente prejudicadas. Separados não vamos a lado nenhum. Sem nos entendermos quanto aos valores importantes não conseguimos dar a volta por cima. Estas pessoas têm todas imensa força de pressão, o problema é que estão a exercê-la contra o vizinho do lado. E sempre que virem um benefício, uma vantagem, alguém que conseguiu ficar um bocadinho melhor, vão ser contra. E vamos derrubando, um a um, todos os que lutaram.

Porque estamos a lutar pelo lado contrário, contra nós próprios.

 

Quem são os nossos aliados? Como podemos conquistá-los? Os nossos aliados são todos os portugueses, porque a luta é comum. Até os políticos querem levantar o país. Todos nós queremos produzir mais. Todos nós queremos ser mais rentáveis e competitivos. Todos nós queremos bons resultados nas empresas, para que isso sustente o nosso nível de vida.(E não sou daquelas que acha que vivemos acima das nossas possibilidades!) A melhor forma de conquistar os outros para uma luta que já é deles, é percebê-los. É conhecer as suas prioridades e dar-lhes a força da nossa necessidade. Dar aos outros. Apenas isso. Dar força, dar coragem, dar atenção, dar voz, dar argumentos... aos outros. Porque se dermos, estamos a conseguir para nós próprios. Quando conseguimos que haja horas extraordinárias para quem fica até mais tarde, conseguimos ser deixados em paz quando não o fazemos e até temos mais moral para esses protestos. Quando conseguimos que haja promoções para aqueles que se empenham em motivar os outros, estamos a conseguir chefias que se sentem apoiadas e devolvem. Quando conseguimos que a empresa tenha lucros, estamos a conseguir assegurar os nossos postos de trabalho.

 

A flexibilidade?

Essa vem porque tem que ser. Vem porque a sociedade precisa de educar a sua juventude.Vem porque neste momento o futuro obriga a ter jovens bem formados. Os nossos aliados nesta batalha? As escolas, as faculdades, os centros de integração de jovens marginais, a polícia, as prisões.Todos os que lidam com a violência juvenil sabem reconhecer o papel das mães. São esses que nos vão ajudar a lutar por uma sociedade mais equilibrada e em que a família faça sentido. Não as empresas. As empresas vão reconhecer o esforço e o profissionalismo, vão valorizar quem gera lucros e abre mercados. Como deve ser. A nossa luta é sermos profissionais e respeitados. Não que os outros acreditem no mesmo que nós ou usem as nossas palavras.

 

A nossa luta é por justiça e respeito, para todos. O desafio é esse, e já sei que vou ser muito criticada, dar. Dar ao mercado de trabalho, para que se torne mais eficiente e mais respeitador dos trabalhadores todos. Numa visão diferente do que é a minha necessidade pessoal.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 16:12
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
Flexibilizar com Austeridade

Ana Teresa Mota | Consultora em Recursos Humanos

 

Agora sim os patrões descobrem o verdadeiro sentido da flexibilização e os números que vão saindo nos jornais económicos são mesmo aterradores. Desemprego sem justa causa, despedimentos em massa sem indemnizações, cortes nos fundos de desemprego e nos apoios às famílias, aumento significativo do custo de vida, aumento dos horários de trabalho sem aumento de salário.... será preciso acrescentar os números macro-económicos que garantem que o nosso futuro ? E é apenas, mais do mesmo. Ser pai/mãe nestas alturas é mais duro. É duro porque se aproxima o natal. É duro porque educámos os nossos filhos num contexto de abundância ou pelo menos de esperança nas possibilidades imensas de futuro. É duro porque lutamos todos os dias por estar mais presentes e menos focalizados no trabalho. É duro porque o medo passa dos adultos para as crianças e não temos respostas para lhes dar.

Mas nem tudo podem ser más notícias. Porque nós temos que dar a volta por cima. Nós temos que ser capazes de respirar fundo e partir para a luta. Para lhes dar o que precisam. Para lhes oferecer sonhos e futuro. Para lhes dizer que batalhando ninguém morre na praia. Nós, pais e mães, temos motivação. Temos como ouvi recentemente, em citação do Sérgio Godinho, uma força a crescer-nos nos dedos e uma raiva a nascer-nos nos dentes. E, como não podemos morder, vamos usar a força dos dedos.

Os patrões precisam de gente motivada nestas alturas, porque estão a retirar os direitos a toda a gente. Precisam de quem corra por gosto, porque vão continuar a tirar até não haver quase nada. E nós somos essa força de trabalho disposta a trocar o aumento que não vem por umas horas para a criança. Nós somos essa força de trabalho disposta a multiplicar o sorriso porque vamos para casa mais cedo para estar com as crianças. E quando os patrões só sabem tirar, de menos em menos até que não sobre nada vão precisar de ferramentas de motivação. Nós sabemos do que precisamos. Nós podemos avançar de peito feito, cheios de coragem, porque desistir não é uma possibilidade, baixar os braços não consta na nossa listinha de opções. E podemos fazer cara bonita para os clientes e duplicar os esforços.

Precisamos de tão pouco. Precisamos apenas de respeito pelas nossas opções de vida. Precisamos apenas de um espaço para dar atenção à família. Continuando a produzir. E não perdemos tempo no cafézinho a discutir o orçamento de estado, porque queremos sair a horas. Não perdemos energia a dizer mal do governo aos clientes, porque queremos cumprir objetivos.

Está chegada a hora de alguém valorizar o nosso esforço, o nosso empenho, a nossa motivação. Já não somos aqueles que só querem saber de sair a horas. Agora somos aqueles que não se queixam, que não choramingam, que não fazem política no escritório. Somos aqueles que só querem que os deixem trabalhar.

Este movimento pode ser discreto, mas também pode ser óbvio.

E esse é o desafio que vos deixo. Dizer bem alto : não discuto política porque tenho mais do que fazer. Dizer para quem quer ouvir, e para quem não quer já agora : não perco tempo a gritar com o governo porque prefiro falar com clientes que me ouvem.

Eu sou mãe. Tenho que ter esperança. Tenho que ter energia. Tenho que ser capaz de produzir. Tenho que estar motivada. Resta-me desejar-vos a todos, muito boa sorte. E um arco-íris para passar por cima das nuvens negras e chegar com um sorriso ao tesouro que temos em casa.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 17:34
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
Uma experiência de super-flexibilidade

 

Trabalho em investigação, com alguém que já me conhece há alguns anos e tem confiança em mim. Isso tornou possível que, perante o meu pedido para trabalhar a partir de casa nas alturas em que isso me fosse necessário, tenha sido confrontada com a resposta que toda a mãe-trabalhadora quer ouvir: “o seu trabalho é por objectivos, trabalhe quando e onde quiser.”

 

E assim tem sido. O trabalho a partir de casa exige pouco investimento para a maioria das pessoas nos dias que correm – quem não tem computador e ligação à net? Exige, sobretudo, disciplina, seriedade e capacidade de organização. Essas características também não costumam ser alheias a alguém que está habituado a gerir filhos, trabalho e vida pessoal. A maior desvantagem pode ser o isolamento mas, no meu caso, como mantenho o posto de trabalho na universidade e vou lá regularmente, não há sequer o perigo de passar a viver eternamente de pantufas e colar-me como sanguessuga a qualquer adulto inteligente que me apareça ao fim do dia (que foi o que aconteceu na minha primeira experiência de teletrabalho, há anos atrás).

 

Que balanço, então, desta experiência ainda recente? Muito positivo. É claro que uma pessoa acaba por trabalhar mais porque quer aproveitar para fazer isto, aquilo e aqueloutro. As pausas desaparecem e, quando damos por isso, já passou o dia inteiro – mas fez-se muita coisa. E não há nada que pague a possibilidade de demorarmos mais uns minutos na despedida dos filhos na escola, ou de conversar com alguém que encontramos e não víamos há muito. Se trabalhar é alugarmos a nossa força de trabalho por algumas horas, teletrabalhar é sermos também nós um bocadinho os “senhorios” dos nossos dias.

 

www.gralhadixit.blogspot.com



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 11:04
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011
os nossos 10 mandamentos

~ 1
Acreditar que flexibilizando o trabalho é possível conciliar 

vida profissional e vida familiar;

 

~ 2
Demonstrar que a flexibilidade não é precariedade.

Antes fortalece a produtividade;

 

~ 3
Divulgar o que a lei portuguesa já contempla em benefício

da flexibilidade e dos direitos do trabalhador;

 

~ 4

Conhecer e divulgar os diversos tipos de trabalho

flexível existentes;

 

~ 5

Promover o debate sobre o tema da flexibilidade

em todos os cantos virtuais e reais;

 

~ 6

Seguir e divulgar o exemplo dos países, das empresas

e das pessoas que conseguiram implementar a flexibilidade

com sucesso;

 

~ 7

Não permitir que o trabalhador que opta pelo trabalho

flexível se sinta isolado e vítima de preconceito;

 

~ 8

Acreditar que cabe aos cidadãos colaborar na construção

de uma sociedade mais flexível e equilibrada;

 

~ 9

Propor novas medidas de acção e nova legislação
que favoreçam a prática do trabalho flexível;

~ 10

Pela flexibilidade marchar, marchar.


SUCESSO PROFISSIONAL EM FAMILIAS FELIZES E ESTÁVEIS.
SIM, É POSSÍVEL.




publicado por flexbilizar ~ conciliar às 12:04
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