Sábado, 30 de Abril de 2011
Já Einstein achava que era mais fácil desintegrar um átomo, que mudar mentalidades.

Conciliar carreiras profissionais com a vida familiar e social nunca é fácil e, pelo menos uma delas irá sair muito prejudicada, se não todas; pelas implicações emocionais provocadas por termos abandonado, ou descuidado, alguma delas. Também eu não tive tempo para os meus filhos e agora são eles que não têm tempo para mim.
Espero que o vosso blog ajude a despertar algumas consciências. Com as actuais tecnologias, há muito trabalho que pode ser realizado em casa, sem a necessidade da presença física na empresa. Quanto à flexibilidade de horários, prevejo que ainda irão ter um longo caminho pela frente. Já Einstein achava que era mais fácil desintegrar um átomo, que mudar mentalidades.
Todas as longas caminhadas começam com um primeiro passo e já o deram.
 
Carlos Oliveira


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 15:35
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Carta de Apresentação
Caro empregador em geral,
Actualmente telefonista-coordenadora de uma revolução que vai mudar a cara do mundo do trabalho, tornando-o mais flexível e realista, preparo-me a dar um valente pontapé da saída numa situação retrógada e demasiado pesada para correr bem.
Sendo o meu maior desejo o de avançar e fazer avançar o universo em geral, e a sua empresa em particular, para um nível superior de qualidade, competividade e ousadia, apresento-lhe a minha candidatura à função apaixonante que disponibiliza.
Tenho a formação e a experiência de que precisa para ir mais longe, e, em forma de bónus ofereço-lhe a minha fome de conquista, a minha visão global da sociedade e o meu projecto-solução.
Realisticamente falando, senhor empregador, tem andado à procura da performance de um corredor de 300 metros, com a resistência de um maratonista. Tem andado a fingir que acredita nas promessas de princípio de contrato que lhe fazem os seus trabalhadores que "apenas existem para trabalhar", que "não têm familias, nem pensam vir a ter", que "não têm obrigações e objectivos compatíveis com um trabalho sem hora de saída e às vezes sem fim de semana", acredita, porque é o que quer ouvir - é normal - quem não faria o mesmo. E depois, calham-lhe duques e suspira.
Senhor empregador, o tempo da revolução industrial parece distante, fizeram-se progressos gigantescos, falta apenas o último passo, o passo em direcção à simbiose, a uma associação próxima e durável. Ando há que anos à procura de uma oportunidade como esta, acredito que juntos iremos longe, ultrapassaremos barreiras e conquistaremos novos mercados.
Juntos avançaremos, com a consciência do outro. Estamos quase a dar as mãos e a partir a caminhar por uma praia com a luz do pôr do sol, vai ser lindo. O sr. empregador com o gráfico dos lucros a subir, a senhora trabalhadora motivada e realizada, com a consciência que vai conseguir estar presente nas outras áreas da sua vida, sem precisar de jogos de cintura, atestados ou baixas. O melhor dos mundos.
Do meu lado, estarei atenta às exigências dos tempos actuais, darei tudo por tudo por tudo para que atinja os seus mais loucos sonhos capitalistas, para que vingue nestes tempos de vacas loucas magras, para que supere todos os obstáculos.
Do seu lado, espero realismo - Nem sequer peço o impossivel, como da última vez. A palavra passe do dia é flexibilidade. Adaptemo-nos mutuamente. Negociemos.  Flexibilizemo-nos. Parece um grande esforço - esta é a época de grandes esforços. Um part-time lover motivado, um corredor de alta competição, pronto ao tudo por tudo.
Interessam-lhe medalhas de ouro, senhor empregador ?
Sou a pérola rara de que precisa, esqueça a pilha de CVs que não deixa entrar o sol no seu escritorio e contacte-me imediatamente, sem olhar para trás.
Motivada e flexibilizadamente,
Sua Ernestina, 100% a meio tempo
A mãe que capotou
http://apanhadanacurva.blogspot.com/2011/04/carta-de-apresentacao.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 10:37
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Do lado de cá
Achei que não encaixava nesta iniciativa e hesitei em participar porque a verdade é que aquilo que se pretende conseguir, eu já tenho.

Sou tradutora em regime de freelance, trabalho em casa e tenho duas filhas, uma no pré-escolar, outra no primeiro ciclo. Não as tenho em ATL nenhum, vou buscá-las à escola relativamente cedo, vou a todas as actividades e a minha única preocupação na altura das reuniões é arranjar quem me fique com elas. Almoçam na escola mas sinceramente ainda que eu não trabalhasse como tradutora acho que continuariam a fazê-lo, em nome da diversificação alimentar.

A mais nova está em casa todos os dias antes das 16h e a mais velha vem comigo fazer as compras da semana, coisa que ela adora. Não andam no ballet (embora gostassem muito) não porque eu não tenha tempo, mas porque acho mais importante os dias decorrerem calmamente, sem correrias à hora dos banhos e jantar. Quando estão doentes o pior que pode acontecer é faltarem as duas pela doença de uma, para não ter de sair de casa e expor a parte enferma. Mas eu estou aqui.

Hesitei em participar nesta iniciativa precisamente porque as coisas foram acontecendo desta forma sem que se perdesse muito tempo a pensar nisto. Não houve uma tomada de decisão formal quanto a isto, não pesei prós e contras de trabalhar fora de casa. Não faço ideia se ganharia mais dinheiro estando empregada, mas com quase toda a certeza perdia qualidade de vida. Teria mais segurança (que não é fácil não saber quanto vou ganhar neste mês, não é fácil estar doente e saber que os clientes não estão nem aí e querem é que o trabalho apareça feito), mas seria menos dona do meu tempo.

Há algum tempo, fugimos do reboliço da loucura dos subúrbios para uma localidade mais calma e não há dúvida de que isso também tem muita influência na qualidade de vida. Pode parecer que não tem nada a ver, mas o teletrabalho foi fulcral nesta decisão, uma vez que não tenho de me preocupar com o trajecto de e para o emprego e posso condicionar os meus dias aos horários das minhas filhas, e não o contrário.

Sou privilegiada? Sou, na medida em que tenho a sorte de poder desempenhar em casa as únicas funções profissionais que me interessa desempenhar. Mas privilegiada ou não, é esta a nossa vida. Era bom que pudesse ser a de mais famílias :)

Karla
(blog privado)


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 10:14
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Para que as escolhas sejam de facto escolhas
A questão agora é adequar o mundo àquilo que dele fizemos.
Já se fala (ainda só se fala) muito de como a escola está desadequada às nossas vidas e às necessidades de todos, é agora tempo de mudarmos também os nossos trabalhos. Adequá-los à realidade de cada um e da sociedade em geral.
É necessário aumentar a natalidade, todos sabemos. Mas, como?
Será mais uma vez à custa do mesmo?
Não! Não vou aqui fazer o apelo a uma guerra dos sexos. Não se trata de uma guerra entre homens e mulheres. Não senhora! Bem antes pelo contrário. Queremos ficar todos juntinhos e criar em conjunto os filhos que ambos decidimos ter. Mas a questão é mesmo essa: gerir a família e aquilo que a sustenta - o emprego.
Quando se tem filhos, especialmente quando se tem mais do que um ou dois, começa a fazer sentido um dos membros do casal ficar em casa. Em geral, o ordenado de um deles (por norma o da mulher) não compensa aquilo que se paga nas escolas particulares (porque AS ESCOLAS PÚBLICAS NÃO TÊM HORÁRIOS PARA OS PAIS QUE TRABALHAM A TEMPO INTEIRO), nas deslocações e refeições fora de casa que se tornam obrigatórias.
Assim, e quando se tem filhos, nota-se uma tendência crescente (?) para as mulheres que escolhem (escolhem?) ficar em casa.
Ao fazer esta escolha (é mesmo uma escolha?) começamos a ver o mundo de outra forma.
Verdade seja dita que enquanto os miúdos são muito muito pequenos, a mãe não pensa. A mãe alimenta, limpa, lava, transporta, brinca e educa mas não pensa. A mãe vai andando. Quando os miúdos largam as fraldas, a mãe começa levemente a lembrar-se de que é gente e que gostava disto e daquilo e costumava ír aqui e ali. Lembranças.
Quando os miúdos manuseiam o rato e fazem downloads de músicas (só dos legais, claro!) as mães de hoje sabem que têm de pensar qual o plano que querem seguir.
Nesta fase, é importante que o Mundo responda! Afinal, estivemos a criar os filhos que garantem a sustentabilidade de todos.
São poucas as mães que optam serenamente por ficar em casa felizes para sempre.
Depois de se ter uma vida activa, autónoma e financeiramente independente não é fácil trocar tudo isso por uma mão cheia de falta de objectivos e carreira profissional, de sociabilização e de perspectiva de uma reforma justa.
Na verdade, não vejo a mulher de hoje (não me vejo a mim) neste papel.
Por um plano B viável para as famílias de hoje
Para que as escolhas sejam de facto escolhas
Para os pais de hoje
Para as mães de hoje,
28 de Abril sempre!
(continua)

Rosario Albuquerque


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 09:10
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Flexibiliza e a tua vida não será como dantes !
Mas que belo movimento, sim senhorAs. É curioso, os homens nunca alinham nestes desafios, ou será que não desejam ser flexíveis??? Um pouco por toda a blogosfera Lusa, escreveram-se (e escrevem-se) textos de inspiração libertadora. Mulheres que não se conformaram e deram com a porta na cara dos patrões agarradinhos ao ponto. Empresas que se orgulham do carácter "Familiar" e que no fim lixam as famílias dos seus colaboradores. É assim mesmo - Eles Lixam até Nós Deixarmos!

Jovem, se estás triste, se te sentes presa a uma cadeira, numa sala sem janelas, onde só te falam em tabelas excel, e tempos e gráficos e raio que os parta, escreve um texto inspirador chamado "Carta de Demissão" e revolucioniza-te! Torna-te FLEXÍVEL e manda tudo à favinha, que isto, a vida são dois dias e o carnaval são três.


Jovem, se entretanto já mandaste tudo à favinha, escreve outro texto, altamente inspirador e conta a tua história no teu blog, avisa a nossa telefonista de serviço ou envia para este e-mail: apanhadanacurva@gmail.com, que em breve o teu testemunho fará parte do blog REVOLUCIONAR PARA FLEXIBILIZAR.
E a tua vida não será como dantes!

**SOFIA**
http://redondaquadrada.blogspot.com/2011/04/revolucionar-para-flexibilizar.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 06:01
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
Revolução por um mercado de trabalho mais flexível (Trabalho em casa)
Em resposta ao apelo lançado aqui, com um dia de atraso, aqui fica o meu testemunho.

Quando terminei o curso de História de Arte, tive a sorte de poder começar a trabalhar uns meses depois no serviço educativo de um dos maiores museus do país, de uma fundação privada (uma das maiores do país também, não vou dizer nomes mas acho que
e fácil perceber qual!).
Na altura trabalhávamos (eu e o resto da equipa) a recibos verdes. Fomos logo avisadas que as pessoas que lá estavam antes tinham sido mandadas embora ao fim dos 3 anos a recibos verdes, e que nunca teríamos hipótese de ficar nos quadros.
Não tínhamos ordenado fixo, recebíamos consoante o número de visitas guiadas ou actividades que fazíamos. E não recebíamos nada mal - se bem que havia meses com mais e meses com menos, e meses sem nada, claro.
O trabalho em si era apaixonante, e sei que é essa a minha vocação, mas com o tempo a insegurança de estar a recibos verdes começou a mexer-me no nervo, principalmente porque não era por falta de dinheiro.
Infelizmente, todas as propostas que fizemos, todas as mostras que demos de estar a fazer um excelente trabalho (que estávamos) saíram furadas, e percebemos que a nossa situação ali não ia mudar nunca. Tanto é que tudo isto se passou entre 2002 e 2005, e as pessoas que lá estão agora continuam, infelizmente, na mesma situação, a recibos verdes.
Em 2006 resolvi, com o Tê, partir para a Holanda.
Alguns meses depois de lá estar entrei para a empresa, onde ainda hoje trabalho. Tive pela primeira vez um contrato de trabalho, férias pagas, seguro de saúde e transporte pagos, todas as regalias.
Quando decidimos voltar para Portugal estava na altura de me darem um contrato permanente, que iam dar se eu tivesse ficado.
Já cá estávamos em Portugal quando me contactaram da empresa a perguntar se eu não queria voltar a trabalhar com eles, a partir de casa.
Falamos de uma empresa no ramo da tecnologia, que defende exactamente que com o equipamento adequado toda a gente pode trabalhar em todo o lado, que o estar 8h no escritório é obsoleto, e acharam que seria interessante ter uma pessoa que fosse exemplo disso mesmo.
Tendo em conta o estado do mercado de trabalho em Portugal, eu disse logo que sim, claro!
Durante 2 anos trabalhei a partir de casa a full-time.
O trabalho em si, como já disse 1000 vezes, é desinteressante. Não me preenche em nada, nem tem nada a ver comigo, apesar de o fazer relativamente bem. No entanto, dentro da área dos museus em Portugal é ainda muito difícil encontrar trabalho, e entre estar a fazer um trabalho secante num escritório em Lisboa, e ter de perder tempo em transportes e a receber o salário mínimo, a estar no conforto da minha casa, do mal o menos.
Apesar de estar em casa, tenho horário rígido a cumprir, e não me posso atrasar nem 1 minuto. Entro às 8h e saio às 16h30, com meia hora de almoço.
Trabalhar em casa nestas condições pode ser bastante secante. Não vejo ninguém, só falo com clientes, o contacto que tenho com os colegas é só através do chat interno, não tenho tempo de ir tomar um café, não tenho companhia para almoçar. Mas quando termino o trabalho já estou em casa, não perco tempo em transportes, não gasto dinheiro em comida fora de casa, vou tentando organizar a casa no horário de expediente.
Quando regressei de licença de maternidade, comecei a trabalhar em part-time, 3 dias por semana, coisa que já tinha pedido desde o início, mas que me foram adiando porque a equipa nunca estava completa.
E para uma mãe, é a situação perfeita.
Já aqui o disse que, por muito pouco interessante que seja o meu trabalho, não me vejo a estar indefinidamente sem trabalhar.
Assim, tenho tempo para tudo.
Quando estou no trabalho dedico-me a 100%, porque sei que tenho uma sorte do caraças em poder ter esta oportunidade, e porque estando a trabalhar à distância tenho de mostrar o que valho a dobrar, porque ninguém me vê a trabalhar, logo tenho mesmo de mostrar resultados.
Quando termino, posso dedicar-me àquilo que é mais importante, quer seja um outro projecto profissional (que não me sustenta, mas que me dá prazer), quer seja os filhos, a casa, as compras, os jantares ou as roupas.
O corte no ordenado é largamente compensado com a redução do nível do stress e com o tempo que ganho para a família.
A minha vida seria totalmente caótica se trabalhasse, como o Tê e como a maior parte das mães que conheço, das 9h às 17h30 que nunca são antes das 18h30, mais 1 hora de caminho para lá e para cá.
Entre a realização profissional a recibos verdes, ou a segurança de poder contar com um ordenado ao fim do mês, nesta fase da minha vida a segunda é, sem sombra de dúvida, mais importante.
O triste desta história é que parece que só é possível porque a empresa para quem trabalho não é portuguesa nem está em Portugal. Isto exige esforço por parte dos meus chefes, e também confiança, pois têm de analisar o meu trabalho com base nos resultados - aquilo que realmente interessa - e não na quantidade de horas que eu passo sentada à secretária ou em frente à máquina do café.
Por uma mudança de mentalidades, chefes de Portugal, inspirem-se!
Mary
http://quaseadultos.blogspot.com/2011/04/revolucao-por-um-mercado-de-trabalho.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 22:42
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Trabalhar em casa

Dos últimos 4 anos, passei 3 a trabalhar maioritariamente a partir de casa. Primeiro, durante 2 dos anos do doutoramento, e agora, a trabalhar «propriamente dito».
É uma situação de que gosto, e que traz um conjunto de vantagens muito grande, mas, como referi no último post, alguns inconvenientes.
Durante o doutoramento, a principal dificuldade era ao nível da motivação. Com uma meta tão longínqua - a 3 anos de distância - é fácil colocar todas as prioridades à frente da prioridade real. No primeiro ano, em particular, desperdicei muito tempo, procrastinei muito.
Agora que estou a trabalhar não tenho tanto esse problema. Os objectivos normalmente são para ontem, e tenho sempre uma extensa to do list, à qual tenho que fazer face, o que ajuda a manter-me na linha.
Ainda assim, o facto de estar em casa faz com que mais facilmente tire um dia ou dois de «sorna», mesmo que não devesse. As distracções são muitas e fáceis! Toda a gente sabe que há sempre alguma coisa a fazer numa casa, sempre alguma coisa a comprar para o jantar, sempre alguma coisa a dar na televisão... Na enorme maioria dos dias isso não é um problema, mas quando o cansaço aperta, e a motivação está mais em baixo, essas tentações tornam-se inescapáveis.
Acresce a isso, com a mudança, que estar quase sempre em casa não faz maravilhas pela minha vida social! Estar numa cidade nova, onde quase não se conhece ninguém, e só ver os colegas de trabalho de vez em quando não ajuda a estreitar relações e conhecer pessoas. Quando estava na cidade onde estudei, isso não era um problema, porque vida social e amigos não me faltavam, pelo que não conhecer novas pessoas não era drama nenhum, mas aqui, de facto, dificulta um pouco as coisas.
Por outro lado, as pessoas têm alguma tendência a pensar que, como trabalhamos em casa, é como se não trabalhássemos a sério, e tendem a levar a mal ou a não compreender quando não estamos sempre disponíveis, para tudo, e logo. Os horários podem ser flexíveis, mas existem - pelo menos no sentido em que o trabalho tem que ser feito, e se não for, não podemos andar por aí a laurear a pevide!
Também tenho sentido que a distinção entre trabalho e lazer se esbateu muito. Como os espaços são os mesmos, acontece muito trabalhar de noite e aos fins-de-semana, e nunca ter tempo verdadeiramente livre.

Agora as vantagens:
A bela da flexibilidade de horário. Gosto tanto! Raramente tenho que me levantar antes das 10/11h da manhã, o que para mim é perfeito. Sou daquelas pessoas que se não dorme bem, e muito, fica insuportável e não faz nada de jeito todo o dia. Este horário à minha medida permite-me ser muito mais produtiva.
Outra das maravilhas do horário flexível é: conseguir ir aos bancos, repartições públicas, consultas médicas e outras coisas que só acontecem em horário de expediente, sem dramas. Poder ir ao supermercado a meio da manhã ou da tarde - isto é - sem filas para pagar, sem confusão, com os corredores arrumados, e os produtos fresquinhos nas prateleiras. O mesmo para outro tipo de compras. Poder ir aos correios levantar cartas registadas e afins, sem stress. Poder trabalhar menos hoje e compensar amanhã, sempre que quiser.
Não ter que almoçar fora muitas vezes, com o que isso significa de poupança, e de benefícios para a saúde.
Conseguir por a roupa a secar, fazer pão e iogurtes em casa, e outras coisas do estilo, sem perder muito tempo.
Fazer sempre o jantar em casa, com tempo, e sem telefonemas de última hora a qualquer take away a torto e a direito.
Não perder horas a fio nos transportes - o que aqui em Lisboa é o drama n.º 1 de todos os dias e retira todo o tempo de lazer a muita gente. Além da qualidade de vida que isso me dá, também é uma boa poupança em gasóleo, portagens e/ou passes.
Basicamente consigo levar uma vida mais ao meu ritmo, e mais equilibrada. Consigo fazer coisas pela minha família que de outra forma seriam impossíveis (ou pelo menos, muito difíceis). Nunca/quase nunca tenho chatices com colegas. Se há distractores em casa, também os há nos escritórios - tanto que normalmente os dias em que tenho que ir presencialmente ao trabalho são os dias em que sinto que perco tempo - nos transportes, nas conversas (que também são precisas), em reuniões...
Feitas as contas, gosto muito de trabalhar em casa, e nem quero pensar - pelo menos se não for obrigada a isso - em mudar de vida!
 
Eu
http://acasados30.blogspot.com/2011/04/trabalhar-em-casa.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 22:38
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Flexibilidade!

Ora após ter lido sobre este assunto no blog desta querida Marianne não podia deixar de dar também a minha opinião.
Não há duvida de que todos iriam beneficiar desta flexibilidade de horários, como ela disse e muito bem não iria nunca o patrão ser prejudicado por esta situação, mas sem dúvida que todos os trabalhadores iriam muito mais satisfeitos e contentes para o seu trabalho sabendo que poderiam passar mais tempo com os filhos ter tempo para outras coisas que não a tipica rotina casa trabalho, trabalho casa.
Meus amigos ninguém pode andar satisfeito com esta vida, e claro que as crianças e também os patrões são prejudicados com isso.
As crianças porque quando os pais chegam teem tanto que fazer e estão tão stressados que não teem tempo ou paciencia para passar tempo com os filhos e esta é a parte mais importante.
Em relação aos patrões claro que uma pessoa insatisfeita, cansada e stressada não produz tanto como uma pessoa que esteja de bem com a vida, descansada e de consciencia tranquila quanto ao seu dever de Pais e de Trabalhadores.
Mas claro meus amigos que tudo tem o reverso da medalha e conhecendo bem o tipico portugues (não querendo generalizar claro) iria haver muito boa gente a querer abusar, e isso meus amigos não pode ser.
Teria de haver consciencia e claro ter em conta ambos os lados da questão.
Pronto aqui ficou a minha opinião vale o que vale mas é a minha.
 
Isa
http://desabafosedesejosdeumamentecomplexa.blogspot.com/2011/04/flexibilidade.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 22:35
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A Revolução ( ou a minha história)
Tinha 24 anos.. estava no ultimo ano da universidade e estava gravida!
Acabei o curso enquanto o pai trabalhava..
A criança nasceu.. E eu passdos 3 meses começei um estágio no Hotel...
Flexibilidade não havia nenhuma! Trabalho por turnos com um bébé
pequinino não é fácil.. mas lá fiquei durante mais 2 anos e meio..
Mais ou menos a meio do caminho o P. juntou- se a mim no hotel, o que
baralhou um pouco mais as coisas..
Depois, nasceu a cria do meio.. e ao fim dos 5 meses regressei ao
hotel com um horario bem mais flexivel.. Tudo mais simples.. trabalho
das 9 as 5 a dois minutos a pé de vasa e da creche! Espantoso.. não
fosse o facto de ganhar pouco!! ( raio da mania que dinheiro supera
tudo)..
Passado apenas um mês nesse "paraíso" surgiu a oportunidade de vir
trabalhar para um banco.. e 50 km de casa! Aceitei.. ía ganhar muito
mais, trabalho das 8.30 ás 16.30.. Fácil, pensava eu..
O "Chefe" aqui da agencia é uma besta! Imaginem vocês que quando lhe
disse estar gravida ( da 3ª cria) me tentou convencer a
abortar!!!!!!!!!!!
Se lhe ligo algum dia a dizer que tenho algum miudo doente ou que eu
estou doente fica chateado!! ( pois claro que fica.. se eu não vier
ele tem que ficar o dia todo na agência e não pode andar a passear!!!)
Flexibilidade não há nenhuma aqui! Mas sinceramente.. Estou- me nas
tintas!! Preciso de faltar, então falto! Como se diz em bom
PortuguÊs.. "estou-me a cagar"..
E aqui ando.. estupidamente arrependida de ter deixado o meu "paraiso
a 2 minutos de casa.. mesmo ganhando menos, a qualidade de vida era
muito melhor!
Portantos.. apenas um relance do meu dia.. Acordo ás 6. 30.. Depois de
pronta a cordo a cria mais nova para deixar na creche ( os outros vão
com o Pai).. ás 8.30 chego ao trabalho e por cá ando até ás 17h..
Quando chego a casa, já depois de "apanhar" os muidos ( nunca antes
das 18h) Começa outro trabalho.. Uns dias vou eu á ginástica, outros o
puto tem futebol, outros o pai tem ginásio.. e até os deitar ás 8.30/
9.00 Não paro.. só aí descanso.. e não é muito pois regra geral estou
tão cansada que ás 22 estou na cama!!
Prontos! Tenho dito!

Cristina Venturini
http://euemaisalgumacoisinha.blogspot.com/2011/04/28-abril-revolucao-ou-minha-historia.html


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 22:31
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Flexibilização
Já era chegado o dia de dizermos de nossa justiça. O dia é hoje.
Já várias vezes me ouviram desabafar sobre este tema e de como é difícil, para uma mulher, conciliar trabalho fora de casa, com o trabalho doméstico e os filhos, que são a parcela mais importante de todas estas equações.
Vou generalizar, porque todos sabemos que há excepções, por isso, as excepções que não se sintam melindradas nem incluídas.
Que, regra geral, as mulheres ganham menos que os homens, já é sabido. Que são penalizadas pelas entidades empregadoras depois de serem mães, por faltarem quando os filhos estão doentes, por precisarem de entrar mais tarde ou sair mais cedo um dia ou outro, também é do conhecimento de todas. Quem nunca passou por dilemas destes? Eu já.
Estive em casa 3 anos, após o nascimento do meu primeiro filho. Ainda dentro deste período resolvemos, eu e o meu marido, ter o segundo. Deste modo, dado que só planeávamos ter 2 filhos, pensava eu, ficaria mais livre e "empregável" quando resolvesse voltar ao mundo do trabalho. Enganei-me. As entrevistas, por si só, são descriminadoras e há perguntas pessoais que foram feitas, que me incomodaram de sobremaneira. Se era casada, se tinha filhos, se planeava ter mais, onde andavam na escola, como faria para os ir buscar caso o trabalho se prolongasse após o expediente, onde trabalhava o meu marido, etc...podia continuar. Isto é real.
Acabei por ficar empregada numa empresa, onde até fui muito feliz, nestes últimos 3 anos. O horário era das 9h às 17:30h, melhor do que sair às 18h. Claro que passei sempre por momentos de stress e constrangimento quando precisava de pedir para ir com as crianças ao médico, quando tinha reuniões na escola dos miúdos ou quando tinha mesmo que faltar por doença deles ou mesmo minha, que isto de ficar doente, hoje em dia, já é mal visto. Ir trabalhar aos caídos cai sempre muito bem aos olhos do patrão.
Sempre me senti insatisfeita e incompleta. Nunca convivi bem com a maternidade em part time. Sempre desejei trabalhar em algo a partir de casa. Algo que me permitisse a minha própria organização pessoal e doméstica. Algo que me desse liberdade para dar assistência à família sem me sentir quase criminosa.
Fui despedida no fim do ano passado. Estava a contrato, quase há 3 anos, contrato de trabalho temporário que, na prática, são contratos que se renovam automaticamente a cada mês e que permitem à entidade empregadora dispensar o trabalhador quando lhe for mais conveniente. Dado que já existia no ar alguma pressão para passar a contrato directo com a empresa, o mais fácil foi mandarem-me embora "e tal, que os projectos eram poucos, a crise e tal". O que é certo é que sei que nem 2 meses depois já estava outra pessoa no meu lugar. É triste. Não há vínculos com o trabalhador. Nenhuns. E os meus vínculos com os meus filhos não podiam ser mais fortes. Aquilo que lhes dedico será sempre recompensado e valorizado. De muitas maneiras e nem todas elas visíveis a curto prazo. Estou em casa e é disto que preciso para ser feliz. Se gostava de ter um trabalho. Tipo tele trabalho? Maravilha. Adorava. Não conheço nada do género em Portugal. Os rendimentos fariam certamente muita falta, nesta fase do campeonato, em que não está fácil para ninguém, muito menos para uma família apenas com um ordenado e 4 bocas para alimentar. E não, não sou rica nem o meu marido ganha um chorudo ordenado.
Esta opção não é só para quem pode, por vezes é escolhida por pessoas como eu, que não podem, mas querem muito. E o que se perde compensa em dobro naquilo que se ganha em termos emocionais e familiares porque, por muito que as pessoas não queiram admitir, o que está a desmembrar a nossa sociedade, os jovens à toa, sem valores, as crianças problemáticas e deprimidas, a violência nas escolas, a falta de autoridade dos pais, tudo tem uma só raiz. A família passou para 2º ou 3º plano e uma coisa assim só poderá continuar a penalizar-nos a todos, em proporções que nem nós imaginamos. Eu sou pela maternidade a tempo inteiro e pelo trabalho a partir de casa. Infelizmente não há opções para as mulheres nesta área. É terreno virgem. Mas tenho esperança que Portugal, como tantos outros países com uma cultura que trata muito melhor as crianças do que a nossa, possa ainda abrir os olhos a tempo de eu desfrutar dessa hipótese.
Raquel Silva
http://maedoskiduxos.blogspot.com/


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 19:46
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