Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Esperar que as coisas aconteçam não adianta, resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível

 

 

 

Tem o sonho de ter três filhos e não abdica dele. Acha que ficar à espera que as coisas aconteçam não serve de nada. Por isso, acrescentou o cargo de gerente da loja Loviu Kids, no Porto, ao emprego de gestora de produto numa empresa. Carla Maia, de 35 anos, mãe de uma menina de dois anos, juntou mais trabalho ao trabalho para, no futuro, ter mais tempo para a família.

 

1. De que forma concilia a família com dois projetos profissionais?

São muitas as estratégias. No trabalho "normal" saio habitualmente às 17h para ir buscar a minha filha. Como ela tem um relógio biológico bastante diurno, às 20h30 precisa de ir para a cama. Assim, no domingo preparo refeições que congelo, de maneira a que o tempo que passamos juntas durante a semana seja realmente de qualidade, sem muitas tarefas. Relativamente à loja, graças à minha sócia e ao meu marido, apenas estou lá duas vezes por semana, sendo os restantes dias distribuídos por ambos.

 

2. A abertura da loja teve em mente o objetivo de ter mais tempo para a família?

A loja foi uma vontade de criar um projeto pessoal, um desafio e ao mesmo tempo conseguir, mais tarde, mais tempo para a família.

 

3. Pensa deixar o emprego “normal”, quando a loja for um projeto mais consolidado?

Sem dúvida. Adoraria ter três filhos, mas é difícil conseguir tempo e recursos para os ter. No entanto, acredito que esperar que as coisas aconteçam não adianta nada, pelo que resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível.

 

4. Em Portugal é difícil conciliar trabalho e família? Os empregadores são pouco compreensivos com as mães trabalhadoras?

Os empregadores em Portugal são pouquíssimo compreensivos. Avaliam o trabalho de alguém pelo tempo que passa no escritório e não o trabalho realizado. Conheço inúmeros profissionais que saem todos os dias às 20h e não fazem metade do que faço. Isto porque, quando estou a trabalhar, estou de facto a produzir. Penso que os países nórdicos são mais sensíveis a este aspeto e valorizam o tempo em família, porque acreditam que o trabalhador é mais rentável se estiver satisfeito.

 

5. E com os pais trabalhadores, como se comportam? E como são tratados pelos empregadores?

Cada vez mais tenho colegas a querer participar na vida dos filhos. Contudo, a maioria é incapaz de o afirmar, muito menos para o empregador. Alguns pais saem a horas para ir buscar os filhos à escola. Mas o mais engraçado é que em Portugal fica mal sair a horas, apesar de passarmos muitas das nossas horas de trabalho a navegar pela internet ou a arrastar tarefas. O “parecer” suplanta o “fazer” e este é o real problema da produtividade em Portugal.

 

 

“Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar.
Queremos dar voz a pais e mães que conseguiram encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a família, ou que estão a esforçar-se para lá chegar. Encontrar novas soluções ou bases para discussão que permitam atingir os objetivos do movimento é o objetivo da iniciativa.
Se vive uma experiência inspiradora neste sentido e quer partilhá-la, contacte-nos na nossa página no facebook ou deixe aqui um comentário.

 



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 08:36
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Trabalho mais do que nunca, mas tenho mais tempo para os filhos

 

Era editora numa revista, mas estava farta de rever textos dos outros. Quando engravidou da terceira filha, Sónia Morais Santos percebeu que não podia continuar a chegar a casa depois das 20h. Deixou o cargo de editora numa revista para se tornar jornalista freelancer. Tornou-se dona do seu tempo e garante que assim ele “estica”. E lhe dá mais tempo para as crianças. Licenciada em Ciências da Comunicação, Sónia tem 38 anos e é a autora do blogue Cocó na Fralda.

 

1. O que fazia antes de ser jornalista freelancer ?

Era editora executiva da revista Time Out Lisboa.

 

2. Quais os motivos que a levaram a tomar a decisão de deixar um emprego “certo”?

Quando a minha terceira filha estava para nascer, percebi que não podia continuar a chegar a casa às 20h e às 21h, com o meu marido. Só nos dava para deitar os filhos e nada mais. Além disso, estava absolutamente farta do trabalho de editora - ali fechada a ver os textos dos outros, ou então a fazer coisas que já não me estimulavam minimamente. Quando comecei a ficar febril ao domingo, só por pensar no regresso ao trabalho, percebi que era chegada a hora de saltar fora.

 

3. A mudança foi a forma que encontrou para conciliar a profissão com a vida familiar?

Também. E a conciliação foi total. Hoje trabalho consideravelmente mais do que alguma vez trabalhei, mas tenho muito mais tempo para os meus filhos. Faço uma gestão inteligente do meu tempo. E ele estica. Claro que gostava que esticasse muito mais. Mas isso gostávamos todos.

 

4.. Foi difícil "mudar de vida" sem a alegada segurança de um "emprego certo?

Não senti isso. Mas também tive sorte. Consegui avenças fixas e, agora, todos os sítios para os quais escrevo são avenças fixas. Ou seja: sei sempre quanto vou receber no final do mês, porque é sempre igual, e assim até parece que tenho um ordenado. A verdade é que fui abrindo portas, ao longo dos anos em que trabalhei por conta de outrém, que me permitiram ter outra estabilidade enquanto freelancer.

 

7. Aconselha outras famílias a fazer o mesmo? Por realização pessoal ou sobretudo pela possibilidade de conciliação trabalho/família?

Não dou conselhos desses. Acho demasiado arriscado. Porque eu saí-me bem, mas a outros pode correr mal. Acho que é preciso ter-se uma estrutura mental muito sólida para se ser freelancer, é preciso ter muita força de vontade, é preciso ser muito batalhador, muito insistente, muito organizado, disciplinado, e não cair na tentação de ficar no sofá a ver séries, nem de pijama o dia inteiro - esse é o primeiro passo para uma ruína e uma depressão anunciadas. Levanto-me todos os dias às 7.30 para despachar os miúdos, que vão para a escola, tomo banho, visto-me, pinto-me e começo a trabalhar como se tivesse um patrão a olhar-me de soslaio. E tenho: sou eu!

 

 

 

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publicado por flexbilizar ~ conciliar às 14:04
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