Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
É preciso mais que apelar ao aumento do indíce demográfico: é preciso dar condições às famílias para que queiram ter filhos, para que possam ter filhos
Hoje é um dia excelente para participar. O meu filho, Guilherme, faz 5 meses. Nasceu a 17 de Dezembro, uma semana antes do Natal, foi o mais maravilhoso dos presentes que a vida me deu.
O Guilherme esteve congelado 2 anos na MAC. Durante 7 anos tentámos concebê-lo sem sucesso. Em Novembro de 2009 tive oportunidade de mudar de trabalho para um ramo da mesma actividade com níveis de stress muito inferiores e em Março de 2010, depois da transferência de embriões congelados, esperáva-nos a melhor das notícias. Acredito piamente que sem essa mudança de trabalho nunca teria conseguido engravidar do  Guilherme.
2 dias depois da confirmação da melhor notícia da minha vida o pesadelo começou, seguiu-se repouso absoluto até às 13 semanas. Dois dias depois de ter informado a minha entidade patronal da minha gravidez de risco recebi em casa a carta de rescisão de contrato. Era agora uma grávida desempregada de baixa de gravidez de risco.
Informei-me sobre os meus direitos junto da Segurança Social e do Centro de Emprego. No CE não me podia inscrever por estar de baixa e grávida, na SS garantiam-me a llicença de maternidade, diziam eles ser um direito adquirido por ter trabalhado mais de 6 meses. A minha baixa acabou poer ser até à data de nascimento.
Nascido  Guilherme as coisas mudaram. Como não estava vinculada nem comentidade patronal nem com CE  à data de nascimento do Guilherme não teria direito a licença de maternidade. Nem a subsídio. Era agora uma mãe desempregada que se ia oferecer ao mercado de trabalho às 6 semanas de vida do seu filho, o mesmo por quem esperou durante 8 anos.
Não sei o que o futuro me reserva. Não sei sequer o que dizer numa entrevista de emprego (que ainda não aconteceu) nem sei que direitos reivindicar.
O que sei é que não devemos abdicar dos nossos direitos mas é o que andamos a fazer, com medo e receio do papão da crise. É preciso mais que apelar ao aumento do indíce demográfico: é preciso dar condições às famílias para que queiram ter filhos, para que possam ter filhos.
Todos nós queremos o melhor para eles e o melhor, a maioria das vezes não é o que se compra mas o tempo que se oferece.

Está a ser muito complicado viver estes dias especialmente com a ameaça de PEC's atrás de PEC's. Quero trabalhar e quero estar com o meu filho. Vê-lo crescer. Não quero saber as suas aprendizagens por me dizerem na creche o que ele já é capaz de fazer: quero ser eu a informar na creche o que ele aprendeu em cada dia. Até agora tenho tido essa oportunidade. Mas... a que preço vou eu arranjar um trabalho?

Vanda Nunes


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 18:17
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