Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Conciliação (Dinamarca)
Vivo em Copenhaga e trabalho em investigação científica na Universidade de Copenhaga, tenho um filho de 2 anos.
Parabéns por este movimento espectacular e boa sorte com tudo. Quero dar o meu testemunho e espero que possa servir como exemplo de que é possível mudar mentalidades e melhorar a dinâmica familiar conciliando trabalho e família sem darmos todos em malucos histéricos.
Na Dinamarca a licença de maternidade é partilhada, pai e mãe têm quase obrigatoriedade de ficar em casa juntos as 2 primeiras semanas em que o bebé nasce e depois têm cerca de 8 meses que podem dividir
como quiserem com ordenado completo (só um é que fica em casa). Se um deles ficar um ano completo o ordenado fica reduzido a partir dos 8 meses (ganha-se cerca de 70%). Isto é o modelo público, nas empresas pode ser diferente, mas gira tudo à volta do mesmo... Algumas empresas
têm ainda melhores condições para empregados que já estejam há mais de 3 anos na empresa.
No meu caso fiquei em casa full-time com o pimpolho 8 meses e voltei ao trabalho em part-time até ele fazer 11 meses. Nesses 3 meses ficava em casa 2 dias, e o pai ficava em casa 3. Esse part-time foi
espectacular para mim. Tinha o melhor dos dois mundos - ainda estava uns dias em casa com o baby mas tinha uma vida para além dele.
Quando voltei ao trabalho tudo foi diferente, passei a fazer o horário típico nórdico - entrar às 8:30 e sair às 16:00. O horário é de 7h30 incluindo hora de almoço (que nunca é mais de 30 minutos). Nem mais um
minuto, porque o infantário fecha às 17:00 e se o vou buscar depois das 16:30 já é o último.
A diferença na Dinamarca é que toda a gente percebe que o trabalho não é a coisa mais importante da vida e que toda a gente tem outra vida (tenham filhos ou não). A flexibilidade é muita, mas claro que os
funcionários têm de cumprir com os seus objectivos e algumas vezes tenho de trabalhar à noite, se há prazos importantes para cumprir.
Mais - dias de doencas - se o meu filho fica doente, tenho direito ao "primeiro dia de doença" e "segundo dia de doença" e o pai tem direito a um dia (porque ele não trabalha no estado). Ao todo, podemos ficar 3
dias em casa com ele. Mas quando a doença é levezinha mas impede-o de voltar ao infantário, tentamos arranjar alternativas (seja a avó ou mesmo uma babysitter) para não faltarmos esses dias todos.
O modelo baseia-se na honestidade. Quem é honesto e produz tem direito a toda a flexibilidade. Quem abusa das liberdades, logo fica com fama de preguiçoso e os chefes ficam desconfiados e de pé atrás e talvez seja dispensado na primeira oportunidade - Como uma colega minha que todos os anos dá exactamente o número de faltas permitidas por lei por doenca (näo sei o numero exacto mas é cerca de 90 dias) sendo apenas gripes, ou dores de cabeca.
A diferença também é que toda a gente faz por usar dos seus direitos, quase que há pressão social por usar dos direitos. No final da gravidez tem-se direito a 6 semanas de licença (antes da data do
nascimento) e eu do meu filho (como era o  primeiro) não senti necessidade de usar porque me sentia inútil e inchada em casa e queria é que o tempo passasse rápido no trabalho. Pois que recebia comentários diários dos colegas a dizerem para ir para casa...
Outro exemplo - se alguém está doente no trabalho é visto como foco de contaminação e olhado como cão raivoso. As pessoas exigem que se vá para casa, incluindo os chefes. Não é preciso baixa do médico - apenas um telefonema ou mail a dizer - hoje estou doente, não posso ir.
Claro que não foi sempre assim... também houve mudança gradual. A minha sogra por exemplo, só tinha 6 meses de licença de maternidade e o trabalho era inflexível com a familia, por isso ela deixou de trabalhar 5 ou 6 anos enquanto os filhos eram pequenos.
Boa sorte com o movimento e desejos de muita flexibilidade!!

Mafalda


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 13:50
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1 comentário:
De Anónimo a 17 de Junho de 2011 às 11:56
Olá, pretendo mudar para Copenhaga em Agosto que vem. Tenho uma filha bébé de 6 meses. Gostaria de saber se me podes ajudar com informação relativa aos infantários, que tipo de papéis pedem e como funciona. Obrigada Ana


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