Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
O impacto da reconciliação trabalho-família na fertilidade e nos papéis da paternidade na Europa – Suécia
A reconciliação trabalho-família e o novo papel da paternidade fazem parte das políticas modernas para a família, em prática na Suécia há quase 40 anos. A Suécia tem um sistema abrangente de infantários, baseado na igualdade de géneros e no emprego da mulher a tempo inteiro. Mas os resultados destas políticas começam a notar-se e não são unânimes. Por um lado as melhores práticas na Suécia incluem o investimento generoso nos cuidados precoces à infância. Por outro, a utilização deste investimento exclusivamente em infantários, para crianças de 1 a 5 anos, pode ser considerada uma das piores práticas da Suécia.

Chamo-me Jonas Himmelstrand. Sou sueco e estou aqui como representante da organização familiar sueca Haro. Sou casado e tenho três filhos, o que não é muito se comparado com diversos outros membros da Haro.

Pediram-me para falar sobre as melhores práticas para o equilíbrio trabalho-família e a paternidade. Fá-lo-ei do ponto de vista sueco, com base nas minhas investigações e nas experiências da minha organização. Gostaria de começar por comentar as outras apresentações feitas dizendo que, a meu ver, o bem-estar infantil e o desenvolvimento saudável das crianças devem ser o ponto de partida para esta discussão.

Não é fácil apresentar uma imagem clara da Suécia relativamente a estas questões. As nossas melhores práticas tendem a estar ligadas às nossas piores práticas. A Suécia tem excelentes estatísticas de baixa pobreza infantil, baixa mortalidade infantil, esperança de vida elevada, igualdade de géneros e uma rede de infantários abrangente e acessível. Mas estas estatísticas não formam o quadro completo.

Podemos ter uma baixa taxa de pobreza infantil e elevada riqueza material relativamente a diversos outros países europeus, mas muitas crianças suecas sofrem de acentuada pobreza emocional.

Ainda assim, uma das inquestionáveis melhores práticas é a licença parental sueca de 16 meses, o que significa que não temos bebés nos infantários. Mas após estes meses de licença parental, o caso muda dramaticamente de figura.

Poder-se-ia argumentar que uma das melhores práticas suecas é o investimento de 15.000 euros por criança por ano em 90% de todas as crianças entre os 18 meses e os 5 anos de idade. O outro lado da moeda é que é o nosso governo quem decide como é que este dinheiro vai ser gasto, e não os pais. Não existe apoio estatal aos cuidados prestados às crianças em casa, como as crianças criadas pela mãe, pai, avó ou outro parente ou amigo chegado.

Pode também ser considerada uma das melhores práticas suecas o incentivo aos pais para tirarem mais tempo de licença parental. Os pais suecos tiram cerca de 20% de todas as licenças parentais. No entanto, estes números escondem o facto de que o tempo que as crianças suecas passam com os pais sofreu uma redução drástica nos últimos 40 anos, devido às políticas dos infantários.

Além disso, esta discussão sobre a paternidade trata basicamente dos pais que tiram a licença parental quando os filhos têm entre 8 e 16 meses. A maior parte da paternidade acontece mais tarde, e continua até e para além da idade adulta dos filhos. Além disso, neste aspecto os números relativos aos pais que tiram licença de paternidade não contam toda a história da paternidade. Tal como demonstrarei em breve, existe todo um novo paradigma da paternidade emergente na Suécia, com pais muito activos, aos quais estes números não fazem justiça.

Vejamos os aspectos básicos do modelo sueco de cuidados à infância.


Modelo sueco dos cuidados à infância
Na Suécia não há bebés com menos de um ano nos infantários. Isto deve-se à longa licença parental, entre 13 e 16 meses. Trata-se de uma boa prática sueca.

De todas as crianças Suecas entre os 18 meses e os 5 anos de idade, 92% estão em infantários por períodos de tempo variados. O infantário a partir dos 18 meses de idade é uma norma na Suécia.

Os infantários suecos são subsidiados pelo Estado em mais de 90%. Assim, o custo dos infantários para os pais é muito baixo, tipicamente 120 euros por mês para o primeiro filho. Nenhuma família paga mais de 285 euros por mês, independentemente do rendimento familiar ou do número de crianças em infantários. Chama-se a isto a taxa máxima (maxtaxa), uma taxa concebida para incentivar a utilização dos infantários junto aos pais.

O custo efectivo dos infantários na Suécia é de mais de 15.000 euros por criança por ano, Segundo o instituto de investigação do governo sueco.

Não existe qualquer subsídio nacional para quem opte por ficar em casa com as crianças. No entanto, num pequeno número de municípios existe a possibilidade de um pequeno subsídio de 300 euros por mês no máximo. Este subsídio só pode ser utilizado após o final da licença parental e só até aos três anos da criança, e há várias regras que dificultam a sua obtenção. O motivo político utilizado para justificar estas dificuldades é o receio mostrado por alguns partidos políticos de que o subsídio se tornasse demasiado popular.

Na Suécia, todos os impostos são totalmente individualizados, e não existe qualquer possibilidade de reduções fiscais para as famílias ou para quem fique em casa com os filhos.

O modelo da família com dois ordenados e as crianças em infantários é fortemente incentivado por todas as instituições do governo sueco.

Da mesma forma, ficar em casa a cuidar das crianças é fortemente desencorajado na Suécia pelo governo, instituições estatais, sistema de saúde, sindicatos de educadores de infância e até pelos meios de comunicação social. Os motivos mais fortes apontados para tal são a igualdade de géneros, o “direito” das crianças a frequentar o infantário e a ideia de que os pais dão um melhor contributo nos respectivos empregos do que na educação os filhos em casa, educação essa que se crê ser melhor quando dada por educadores formados.

Vou agora apresentar os resultados menos agradáveis do modelo sueco. Recordem que se trata de um país com elevada riqueza material e uma taxa baixa de pobreza infantil.

Forte redução da saúde psicológica dos jovens.
Muitos estudos suecos realçam este facto, com grande preocupação. 20 a 30 % dos nossos adolescentes mostram sinais de stress psicológico contínuo com preocupações, ansiedade e dores físicas. Este fenómeno é três vezes pior hoje em dia que há 25 anos. Segundo um estudo governamental, esta diminuição da saúde psicológica ocorre mais rapidamente na Suécia que em qualquer um dos outros 11 países europeus comparáveis: Finlândia, Dinamarca, Noruega, Hungria, Suíça, Áustria, Bélgica, País de Gales, Espanha e Escócia.

Resultados e disciplina escolar em declínio nas escolas suecas.
Em 30 anos, a Suécia passou dos lugares cimeiros da tabela mundial no que diz respeito a resultados escolares, para uma posição média. A disciplina nas salas de aulas suecas é bastante má. A situação está entre as piores da Europa.

Elevada taxa de baixa por doença entre as mulheres.
Mais uma vez, é das mais elevadas da Europa. Os motivos são psicossociais. Muitas mulheres suecas com empregos a tempo inteiro na altura em que tinham filhos pequenos reformam-se entre os 55 e os 60 anos devido a vários motivos médicos psicossociais.

Podemos perguntar o que se ganhou impondo os cuidados à infância e o trabalho em simultâneo, se de qualquer forma se perdem dez anos de trabalho devido à reforma antecipada.

Trabalhadores dos infantários no topo das estatísticas de baixa por doença.
Os funcionários dos infantários suecos estão no topo das estatísticas de baixa por doença, especialmente no que diz respeito à baixa de longa duração.

Deterioração das capacidades parentais, mesmo entre a classe média
Um estudo patrocinado pela UE e executado pela investigadora escolar sueca Britta Johansson demonstrou que até os pais suecos saudáveis, inteligentes e razoáveis têm dificuldades em ser pais hoje em dia. Na sua opinião, estes pais têm falta de conhecimentos quanto às necessidades dos filhos e não conseguem impor limites. Ela escreve (tradução minha):

A oferta pública de infantários a tempo inteiro parece fazer com que muitos pais percam o controlo à sua própria responsabilidade. Acreditam/querem que os seus filhos sejam educados no sistema pré-escolar/escolar e acreditam que lá se encontram os peritos sobre os seus filhos.

Diz ainda que o sistema pré-escolar/escolar não colmata as lacunas provocadas pela falta de tempo e confiança na paternidade por parte dos pais.

Deterioração da qualidade dos infantários suecos.
Três peritos reconhecidos suecos escreveram recentemente num livro que a qualidade dos infantários suecos já não é elevada, e que em algumas crianças o desenvolvimento ficará declaradamente comprometido devido a esta falta de qualidade.

Taxa de fertilidade total: elevada para a Europa, baixa em comparação com os países nórdicos
Tanto a Noruega como a Finlândia têm taxas de fertilidade mais elevadas que a da Suécia. Nenhuma chega às 2,1 crianças necessárias para uma reprodução total da população.

Mercado laboral com elevada segregação por género
A Suécia tem um mercado laboral com elevada segregação por género. Caracteristicamente, as mulheres trabalham na educação e prestação de cuidados, e os homens na indústria e cargos públicos mais elevados.

• • •

O problema parece ser o facto de a liderança política sueca ignorar a importância da ligação entre a criança e os pais. A psicologia moderna da ligação diz claramente que o laço emocional entre pais e filhos não pode ser substituído nem sequer pelo melhor dos currículos, aprendizagem ou métodos pedagógico.

Poder-se-ia dizer que o problema básico das políticas familiares suecas é que o cuidado individual das crianças se tornou uma decisão política estatal com base em ideologias políticas, e não na decisão dos pais baseada nas necessidades de cada criança.

O que querem os suecos ?


- Um grande número de estudos durante as últimas décadas demonstram que a grande maioria das mulheres suecas quer passar mais tempo com os filhos pequenos.


- Um estudo recente demonstrou que 7 em cada 10 mães pretendem passar mais tempo em casa com os filhos. Este desejo é mais frequente nas mães mais jovens.


- Mais de metade das mães acredita que mais mães gostariam de ficar em casa com os filhos, se pudessem


Alguns destes pais suecos entraram em acção. Após 40 anos de políticas familiares baseadas nos infantários e emprego das mulheres a tempo inteiro, vemos um movimento que vai além deste modelo, um novo paradigma familiar que surge em famílias pioneiras, com novas soluções para a maternidade, paternidade e equilíbrio trabalho-família.

Estes pais querem cuidar dos filhos e trabalhar, mas não ao mesmo tempo. Não querem ter de trabalhar e ter crianças pequenas ao mesmo tempo. Na verdade, querem que um dos pais fique em casa nos primeiros 3-5 anos da vida da criança, para depois trabalhar em part-time até aos 18-19 anos dos filhos.

O que é interessante é que estas famílias suecas pioneiras não se baseiam em tradições nem na religião. Isso não existe na Suécia. Estes pais são exclusivamente motivados pela experiência de ligação aos filhos e pela observação da influência positive desta ligação no desenvolvimento das crianças.

Seguem-se algumas características deste novo paradigma familiar; não façam perguntas ao nosso governo, ele negará a sua existência.

Um novo paradigma familiar


Mãe e pai igualmente comprometidos durante toda a infância.
O pai e a mãe estão igualmente comprometidos na educação da criança, tanto a nível de tempo como de compromisso emocional, por um período de 18 anos, e não apenas de 18 meses.

Cuidados precoces em casa prestados pela mãe, com apoio do pai.
O valor da maternidade e da amamentação é reconhecido nestas famílias. Também se reconhece o apoio de que a mãe precisa enquanto mãe de um bebé pequeno, um apoio que será prestado pelo pai.

Cuidados conscientes por parte do pai, numa participação crescente a partir dos 2-4 anos de idade.
Segundo estes pais, os cuidados precoces devem ser prestados pela mãe, com o apoio do pai, e este começa a ter um papel mais preponderante por volta dos 2-4 anos da criança, uma idade em que outras crianças vão para o infantário. Na perspectiva de uma infância de 18 anos, a contribuição dos pais será substancial e equivalente.

Forte ênfase dada à ligação emocional aos pais.
Estes pais descobriram o poder da ligação emocional na paternidade, uma ideia bem expressa pelo psicólogo canadiano, Dr. Gordon Neufeld, no seu livro “Hold on to your kids – why parents need to matter more than peers” (Agarre bem os seus filhos – razões por que os pais têm de ter mais importância que os pares).

Na idade escolar, muitas mães iniciam um negócio próprio.
Quando as crianças vão para a escola, muitas mães começam a trabalhar em part-time, começam negócios próprios, fazem voluntariado ou arranjam um emprego a tempo inteiro. Estas mães entram no mercado de trabalho e na sociedade com poder e convicção, com experiências pessoais profundas que são difíceis de encontrar noutro lado.

A família recebe as crianças directamente da escola
Não recorrem a actividades extracurriculares. A mãe, o pai, um familiar ou vizinho recebem a criança directamente após a escola e falam com ela sobre o que aconteceu durante o dia.

Alguns pais chegam a ensinar os filhos em casa.
Alguns pais, devido ao seu estilo de vida, ao facto de terem crianças altamente sensíveis ou por outro motivo qualquer, optam por ensinar as crianças em casa. Trata-se de um movimento educacional em rápido crescimento em muitos países ocidentais. Os estudos demonstram que os resultados são excelentes, tanto a nível académico como a nível social.

Isto acontece em famílias maiores, caracteristicamente com3-6 filhos.
De um ponto de vista demográfico, é necessário compreender e apoiar estas famílias. Têm muitos filhos e tomam bem conta deles, de forma consciente.

Ainda não foram feitos estudos sobre estas famílias pioneiras. Mas se juntarmos os estudos internacionais às experiências suecas, o resultado parece claro. Estas crianças têm por norma bons resultados, tanto a nível emocional como social e até escolar.

Um resumo daquilo que podemos aprender de 40 anos de políticas familiares suecas modernas poderia ser mais ou menos assim:
Uma licença parental generosa faz com que não haja bebés nos infantários.
Os infantários na Suécia recebem crianças apenas a partir dos 12 meses de idade, o que é uma boa prática sueca.

Educar crianças custa dinheiro; alguém tem de o pagar.
A Suécia investe uma quantia generosa nos cuidados precoces à infância (uma boa prática), mas infelizmente a utilização deste dinheiro guia-se por uma ideologia política e não pelas necessidades e desejos das crianças e dos pais (uma má prática).

O governo deve ser neutro no que diz respeito aos cuidados à infância.
Os pais têm de ter uma liberdade real ao escolher entre diferentes formas de cuidados à infância. Assim, o governo tem de apresentar aos pais um leque completo de opções, entre infantários, ficar em casa, amas, avós ou outros.

Apoio financeiro equitativo independentemente da forma de cuidados à infância.
Esta liberdade de escolha, bem como a neutralidade do governo relativamente a diferentes formas de cuidados à infância, têm de ser apoiadas por apoio financeiro equitativo a todas as formas de cuidados, de maneira a tornar-se razoável e justo. Se os infantários forem subsidiados pelo estado, os cuidados em casa também têm de receber um apoio razoavelmente equitativo, através de um tipo de subsídio ou benefício fiscal aos pais, tornando a opção de ficar em casa com as crianças possível para a maior parte das famílias, seja qual for a constelação.

Incentivar os pais a escolher o tipo de cuidados à infância em consciência.
Os pais devem ser incentivados a utilizar a liberdade de escolha no que diz respeito aos cuidados à infância. Têm de prestar atenção aos filhos e à situação familiar, e optar pelo que parecer mais adequado, relativamente ao papel da mãe e do pai, ao equilíbrio trabalho-família e à escolha do tipo de cuidados à infância. O governo tem de dizer que a escolha do tipo de cuidados à infância cabe aos pais, em última análise, não ao governo, e que este tem de respeitar a escolha de cada família, seja ficar em casa com os filhos, infantário, ama, avó, vizinho ou outro.

Cuidar das crianças em casa deve ser uma parte respeitada da carreira profissional e da vida.
A escolha consciente de ficar em casa com os filhos proporciona excelentes oportunidades de desenvolvimento pessoal para os pais. Cada vez mais as empresas e sector público se apercebem disto. Alguém que tenha ficado em casa a tomar conta dos filhos leva consigo para o emprego competências sociais e uma maturidade emocional que são excelentes contributos para qualquer ambiente de trabalho.

Os cuidados à infância controlados pelo estado fazem desta questão uma questão política.
É necessário tomar consciência de que o controlo político dos cuidados à infância leva a decisões políticas sobre os cuidados à infância, o que raramente é bom. A perspectiva política é curta, normalmente 4 anos. A perspectiva parental é longa, 80 anos ou mais. Os pais estão simplesmente dispostos a sacrificar mais pelos filhos do que qualquer democracia política ocidental típica alguma vez poderia estar.

A família é a principal instituição da sociedade no que diz respeito a relações próximas -  é uma chave para a saúde, crescimento e maturidade.
Seja qual for a sua definição, é necessário reconhecer a família como a principal instituição da sociedade no que diz respeito a relações próximas, uma vez que é o pré-requisito chave para a saúde, crescimento e maturidade humanos, e, em última análise, para a sobrevivência da espécie.
Outra conclusão lógica dos factos nesta apresentação é, naturalmente, que o modelo familiar sueco deve ser sujeito a estudos multidisciplinares extensivos antes de qualquer outro país tentar copiar o modelo sueco.


Obrigado pela sua atenção!


Jonas Himmelstrand
Perito em estudos familiares na organização familiar sueca Haro
http://www.haro.se/

Transcrição do texto da apresentação feita na Conferência sobre alterações demográficas da Presidência húngara em Budapeste, no dia 29 de Março de 2011. Apresentação feita enquanto perito em investigação familiar e membro do conselho nacional da organização familiar sueca Haro.
Tradução : Carla Palhares da Costa


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 13:56
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Conciliação (França)
A duração do tempo de licença de maternidade depende do numero de filhos do casal, no caso de 1 ou 2 filhos, a licença é de 16 semanas (por norma, 6 antes da data prevista para o parto e 10 depois), mas a mãe pode-se organizar como preferir. Existe ainda uma licença extra de 14 dias antes do parto que deve ser aconselhada pelo médico. A empresa onde trabalhava assumiu desde o principio que ia ter direito a esta licença e, de facto, o médico aconselhou-me.
Os pais têm direito a 3 dias de licença nos 15 dias antes ou depois do parto e 11 dias suplementares nos primeiros 4 meses da criança.
Para além desta licença, a mãe ou o pai, têm o direito a uma outra chamada de parentalidade, é uma licença não paga que pode durar até aos 3 anos da criança (idade em que entra na pré-primaria), no final da qual a empresa é obrigada a receber o trabalhador. Durante esta licença a CAF (Caixa de subsidios familiares) paga uma indemnização que varia consoante o salario.

Os quadros superiores têm ausência de horario, mas são compensados com RTT (Redução de Tempo de Trabalho), por cada mês de trabalho, "ganha-se" 3 dias de RTT (total 22 dias extra), que se somam aos dias normais de férias. Esta medida surgiu com o objectivo de diminuir o desemprego e dar melhor qualidade de vida aos trabalhadores.

As mães e os pais têm direito a trabalharem apenas 4 dias, em vez de 5 dias por semana. Recebendo 80% do salario. O empregador não pode recusar este direito. Como as escolas não funcionam às 4as feiras, é a quarta-feira que as mães ou os pais não trabalham. Aqui, mais uma vez, a CAF tem um subsidio para compensar a diferença do valor.

As creches têm optimas condições mas são escassas na região parisiense, a maior parte dos casais têm que recorrer a amas. Existem varios tipos de modalidade, guarda partilhada (duas familias partilham a mesma ama, que fica alternadamente em casa de cada familia) ou assistente maternal (ama que fica com 3 crianças no maximo em casa dela). O ordenado minimo em França é de 1300 euros, mas existem ajudas do estado para se pagar a ama.

Existem as chamadas Halte-Garderie, para as crianças até aos 3 anos que não estão em creches. O objectivo é por um lado possibilitar a socialização da crianças com outras de mesma idade e adaptar-se à dinâmica de grupo, por outro, deixar respirar a mãe. A criança pode ficar até ao maximo de 12 horas por semana neste espaço.

A escola pré-primaria não é obrigatoria, mas é altamente aconselhavel. Na região parisiense (e em grandes aglomerados populacionais) começa aos 3 anos, no resto do pais ao 2 anos. Ha sempre vagas.

Acesso à informação : O site da CAF é claro e se houver duvidas pode-se enviar um e-mail personalizado. Na empresa em que trabalhava quando fiquei gravida existia um comité (obrigatorio) composto por trabalhadores voluntarios que me deram todas as informações que poderia precisar. Para fazer valer direitos, para além dos tribunais, existe uma instância, o Prudhomme, que ajuda a julgar casos de conflito de maneira rapida e gratuita, sem se ter que recorrer a um advogado, as empresas evitam causar problemas, quanto mais não seja porque sabem que os trabalhadores não vão hesitar a recorrer a esta instituição.

Não é um sistema perfeito, mas tem algumas pistas inspiradoras.
Carla R.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 22:46
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Conciliação (Dinamarca)
Vivo em Copenhaga e trabalho em investigação científica na Universidade de Copenhaga, tenho um filho de 2 anos.
Parabéns por este movimento espectacular e boa sorte com tudo. Quero dar o meu testemunho e espero que possa servir como exemplo de que é possível mudar mentalidades e melhorar a dinâmica familiar conciliando trabalho e família sem darmos todos em malucos histéricos.
Na Dinamarca a licença de maternidade é partilhada, pai e mãe têm quase obrigatoriedade de ficar em casa juntos as 2 primeiras semanas em que o bebé nasce e depois têm cerca de 8 meses que podem dividir
como quiserem com ordenado completo (só um é que fica em casa). Se um deles ficar um ano completo o ordenado fica reduzido a partir dos 8 meses (ganha-se cerca de 70%). Isto é o modelo público, nas empresas pode ser diferente, mas gira tudo à volta do mesmo... Algumas empresas
têm ainda melhores condições para empregados que já estejam há mais de 3 anos na empresa.
No meu caso fiquei em casa full-time com o pimpolho 8 meses e voltei ao trabalho em part-time até ele fazer 11 meses. Nesses 3 meses ficava em casa 2 dias, e o pai ficava em casa 3. Esse part-time foi
espectacular para mim. Tinha o melhor dos dois mundos - ainda estava uns dias em casa com o baby mas tinha uma vida para além dele.
Quando voltei ao trabalho tudo foi diferente, passei a fazer o horário típico nórdico - entrar às 8:30 e sair às 16:00. O horário é de 7h30 incluindo hora de almoço (que nunca é mais de 30 minutos). Nem mais um
minuto, porque o infantário fecha às 17:00 e se o vou buscar depois das 16:30 já é o último.
A diferença na Dinamarca é que toda a gente percebe que o trabalho não é a coisa mais importante da vida e que toda a gente tem outra vida (tenham filhos ou não). A flexibilidade é muita, mas claro que os
funcionários têm de cumprir com os seus objectivos e algumas vezes tenho de trabalhar à noite, se há prazos importantes para cumprir.
Mais - dias de doencas - se o meu filho fica doente, tenho direito ao "primeiro dia de doença" e "segundo dia de doença" e o pai tem direito a um dia (porque ele não trabalha no estado). Ao todo, podemos ficar 3
dias em casa com ele. Mas quando a doença é levezinha mas impede-o de voltar ao infantário, tentamos arranjar alternativas (seja a avó ou mesmo uma babysitter) para não faltarmos esses dias todos.
O modelo baseia-se na honestidade. Quem é honesto e produz tem direito a toda a flexibilidade. Quem abusa das liberdades, logo fica com fama de preguiçoso e os chefes ficam desconfiados e de pé atrás e talvez seja dispensado na primeira oportunidade - Como uma colega minha que todos os anos dá exactamente o número de faltas permitidas por lei por doenca (näo sei o numero exacto mas é cerca de 90 dias) sendo apenas gripes, ou dores de cabeca.
A diferença também é que toda a gente faz por usar dos seus direitos, quase que há pressão social por usar dos direitos. No final da gravidez tem-se direito a 6 semanas de licença (antes da data do
nascimento) e eu do meu filho (como era o  primeiro) não senti necessidade de usar porque me sentia inútil e inchada em casa e queria é que o tempo passasse rápido no trabalho. Pois que recebia comentários diários dos colegas a dizerem para ir para casa...
Outro exemplo - se alguém está doente no trabalho é visto como foco de contaminação e olhado como cão raivoso. As pessoas exigem que se vá para casa, incluindo os chefes. Não é preciso baixa do médico - apenas um telefonema ou mail a dizer - hoje estou doente, não posso ir.
Claro que não foi sempre assim... também houve mudança gradual. A minha sogra por exemplo, só tinha 6 meses de licença de maternidade e o trabalho era inflexível com a familia, por isso ela deixou de trabalhar 5 ou 6 anos enquanto os filhos eram pequenos.
Boa sorte com o movimento e desejos de muita flexibilidade!!

Mafalda


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 13:50
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Conciliação (Noruega)
Ainda não sou mãe, mas na minha opinião este problema não se resume
apenas às mães.
Em 2009 participei num programa de geminação entre organizações
portuguesas e norueguesas, para a conciliação da vida profissional e
pessoal, e é essa experiência que gostava de partilhar.
Todos sabemos que a sociedade Norueguesa tem um elevado nível de
produtividade. Poucos sabemos que privilegiam, e muito, a conciliação
não da vida familiar mas da vida PESSOAL com a vida profissional. Qual
a diferença? Fora o trabalho, as pessoas não são só mães ou pais, são
também mulheres e homens que precisam de um bocadinho de tempo para
si, para conseguirem maximizar o tempo que têm para a família e até
para o trabalho.
Na Noruega a questão da conciliação torna-se mais fácil porque está
inteiramente regulamentada por lei. As mulheres podem tirar um ano de
licença de maternidade paga, e nos primeiros anos de vida dos filhos
podem escolher colocá-los numa escola ou ficar com eles em casa,
recebendo o valor que o estado pagaria pelo infantário dessa criança.
Pouca gente trabalha à sexta-feira à tarde, e há flexibilidade de
horários. Assim, se num dia precisares de entrar às 11h00 porque
tiveste que acompanhar um filho a uma consulta, tudo bem. Podes
trabalhar até mais tarde, se precisares. O trabalho organiza-se por
objectivos, e ninguém é mal visto por sair mais cedo. Antes pelo
contrário: Se sais cedo és considerado produtivo, atingiste os teus
objectivos mais rapidamente.
O expediente diário termina mais cedo, porque não há uma hora e meia
para almoço. Há uma pausa de 30 minutos, que serve para comer qualquer
coisa e esticar as pernas. Como o dia de trabalho dura 7h30, começam
às 8h e às 16h estão a sair. O que dá mais que tempo para ir buscar os
filhos, levá-los às aulas de ski, ballet, futebol ou qualquer outra
actividade. As empresas proporcionam os chamados serviços de
proximidade aos colaboradores, que representam um custo mínimo para a
organização e uma grande mais-valia para os colaboradores. A título de
exemplo, vão à farmácia pelo colaborador, levam uns sapatos ao
sapateiro, algumas até têm serviços que permitem ao colaborador levar
o jantar já feito para casa!
Quando os filhos crescem, muitas mulheres optam por uma redução da
carga horária, da forma que mais lhes convêm: Algumas optam por
trabalhar menos duas horas por dia e ter uma redução de 10h/semana,
outras optam por trabalhar menos dois dias por semana, tendo uma
redução de 15h. Por lei, esta decisão não pode ser contestada pela
entidade patronal, e a pessoa não pode perder a oportunidade de
ascensão na carreira. Para equilibrar e garantir a paridade de género,
há quotas que tanto organismos públicos como empresas privadas são
obrigadas a cumprir: Por cada X homens em cargos de gestão de topo,
têm que existir Y mulheres.
Espero que o meu contributo ajude de alguma forma, e estou disponível
para participar no que acharem necessário.

Beijinhos,
Erica


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 02:38
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