Domingo, 29 de Maio de 2011
Cidadãos contra a inércia

Nem todos os portugueses são amorfos. Nem todos se abstêm, quer de votar quando é tempo de eleições quer de intervir na sociedade em que vivem. Há quem não se resigne e lute pelas causas em que acredita.
Nem todos os portugueses ficam sentados no sofá a carpir mágoas, a queixar-se da vida, da crise, do desemprego, do tempo. Há quem crie movimentos, quem defenda uma causa, quem acredite que pode fazer a diferença. Há quem agite a sociedade civil com energia e optimismo. A NS' foi ouvir cinco pessoas que vencem a inércia para que Portugal mude. Pouco ou muito, não importa. Sempre é melhor do que nada. Sempre é melhor do que ficar a protestar por entre dentes. Sempre é melhor do que ficar inerte a ver a novela.
Movimento Revolucionar para Flexibilizar
Ter filhos e passar dez horas ou mais dentro de um escritório é uma ginástica difícil de conseguir. É mais contorcionismo do que ginástica. Nem lucra o trabalho, onde as mães e os pais permanecem esmagados pela culpa de não estarem em casa, nem ganha a família, pouco apoiada por gente tão trabalhadora. Assim, Portugal vê decrescer os números da natalidade e os da produtividade também.Carla Rodrigues, 36 anos, já foi directora de publicidade mas deixou a profissão para se dedicar à maternidade. Quando começou a pensar em conjugar a carreira com os filhos concluiu que o ideal seria um part-time. Mas rapidamente percebeu que Portugal não viabiliza esta opção. Mais: nem sequer a põe em cima da mesa: «O nosso mercado de trabalho não tem em conta a realidade que o rodeia e afecta directamente. Então pensei: em vez de me queixar talvez pudesse juntar outras pessoas que pensam como eu e fazermos por mudar o estado das coisas. E assim foi.»O movimento foi preparado no blogue apanhadanacurva.blogspot.com e no dia 28 de Abril foi feito um apelo à flexibilização do mercado de trabalho. A forte adesão ao apelo veio comprovar o que Carla já sabia: «Poucas pessoas andam a viver bem com esta falta de conciliação entre o trabalho e a família. Em alguns comentários sugeriu-se a criação de um movimento cívico, e assim estava criado o Revolucionar para Flexibilizar. Desde então, o movimento nunca mais parou. No Facebook há quase trezentas pessoas que garantem gostar da iniciativa. E estão previstas, para já, duas linhas principais de actuação: «Visamos, por um lado, a mudança de mentalidade, e aqui refiro-me às mulheres e aos homens que devem assumir os seus dois papéis essenciais de trabalhador e de mãe e pai; a quem gere as empresas, que deve reconhecer que a produtividade do trabalhador é proporcional à sua satisfação; ao Estado, que deverá reconhecer os benefícios da conciliação entre família e trabalho (aumento da demografia, crescimento do mercado de consumo, competitividade do tecido empresarial, bem-estar e saúde, educação das crianças, etc.). Por outro lado, visamos a protecção de políticas de conciliação entre a família e o trabalho através da criação de medidas jurídicas.»Para que essa mudança política e estrutural aconteça, o movimento acabado de criar está a contactar organizações que já actuam junto de famílias ou do tecido empresarial, empresas que já tenham uma cultura e organização conciliante entre a família e o trabalho e estejam a lucrar com isso, e todos os partidos políticos (o movimento é apartidário). «Contamos também organizar debates entre as várias partes implicadas e criar eventos públicos.»Tudo para que mulheres e homens possam realizar-se, quer profissionalmente quer enquanto mães e pais. Tudo para que o país seja menos rígido e intolerante para com aqueles que querem conciliar os dois lados da vida. Porque é possível, tem de ser possível, haver famílias e trabalhadores mais felizes e completos.

Movimento Adere, Vota e Intervém dentro de Um Partido
Tudo começou com uma constatação surpreendente: nem ele nem nenhum dos seus amigos ou conhecidos estavam filiados num partido político. No entanto, todos os seus amigos e conhecidos se queixavam do estado da política, dos políticos e do país. Nesse dia foi como se uma lâmpada se acendesse dentro da cabeça de João Nogueira dos Santos, 39 anos, gestor de marketing. «Como nos queixamos dos partidos se nem sequer fazemos por lá estar, como militantes, para votar e escolher melhor os dirigentes ou dar ideias e influenciar? Como é possível sermos uma geração que se queixa de forma tão inconsequente?» Depois da perplexidade, João decidiu que ia filiar-se num partido, mas ia fazer mais do que isso: «Pensei: vou convencer a minha geração a filiar-se nos partidos. Seja qual for, não importa. O importante é que as pessoas se filiem no partido que mais se aproxima das suas convicções. Porque, se dotarmos os partidos de uma imensa maioria de cidadãos que têm vida e profissão fora do âmbito político, com toda a certeza a política será melhor.» Nascia assim o movimento Adere, Vota e Intervém dentro de Um Partido. Cidadania para a Mudança. Um movimento cujo rastilho começou no Facebook (tem neste momento quase cinco mil membros) e num blogue (aderevotaintervem.blogspot.com), mas que rapidamente saltou para os jornais e para as televisões.João Nogueira dos Santos não tem ilusões. Sabe que mudar mentalidades é tarefa morosa e complexa: «Quando criei o movimento pensei que ia estar envolvido nisto uns dois anos. Agora já percebi que é trabalho para uns dez. Nos Estados Unidos, há uma iniciativa que se chama Rock the Vote e que anda há vinte anos a fazer isto. A convencer os jovens a votarem dentro dos partidos.»A comparação com a América fê-lo ter outro momento de espanto. «Nos EUA, 18 por cento da população votam nas eleições internas dos partidos. Barack Obama foi escolhido como candidato do Partido Democrata porque uma enorme multidão de cidadãos participou nas eleições do Partido Democrata. Em Portugal, menos de um por cento da população participa nas eleições internas dos partidos. Ou seja, em Portugal "no we can"t". E é preciso mudar o estado das coisas. É urgente! Votar de quatro em quatro anos é claramente insuficiente.»Mas porque tem Portugal tamanho desinteresse pela vida política activa? Porque não existe uma mobilização por este tipo de cidadania? «No final dos anos 1980/1990, as gerações de estudantes universitários eram muito individualistas. Prevalecia o espírito Wall Street: "Eu quero é ganhar dinheiro, enriquecer, ter um bom carro, uma boa vida." Com a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, fomos avassalados por esta cultura de novo-riquismo. Fomos egoístas. Mas temos de perceber que, se as coisas estão como estão, a culpa também é nossa. Por isso, temos de injectar sangue novo nos partidos. Temos de renovar os partidos. Só assim poderemos eleger gente de qualidade.»Não há dia nenhum em que João não se empenhe na sua luta. No Facebook ou no blogue, é possível ler diariamente novas reflexões, novas mensagens, novos apelos à adesão aos partidos. O objectivo é só um: mudar o estado das coisas. E quando se lhe pergunta se tem ambições políticas para si próprio, sorri e responde: «Eu acho que não há ambição maior do que esta, de mudar a nossa democracia, de mudar a mentalidade da minha geração. Se conseguir isto, estarei plenamente realizado. Se conseguir, não! Porque já não estou sozinho. Já somos muitos. Muitos cidadãos cansados do discurso miserabilista e queixoso. E por isso é evidente que vamos conseguir.»
Acredita Portugal
Para ele, o principal problema de Portugal é este: a falta de estímulo ao empreendedorismo. Um país que não arrisca é um país que não petisca. José Miguel Queimado, 27 anos, consultor, tem a convicção absoluta de que Portugal, se desse a mão a quem sonha, podia voar mais alto. «O nosso país não ajuda uma pessoa a acreditar em si. Não há um encorajamento da sociedade, pelo contrário. Há tantos entraves ao sonho, e tantas barreiras que qualquer pessoa que queira ser empreendedora ou tem muito dinheiro e conhecimentos ou rapidamente desiste.»José Miguel podia ter encolhido os ombros e seguido com a sua vida. Mas não. Decidiu ajudar. E criou, com um grupo de amigos, a associação Acredita Portugal. Uma associação sem fins lucrativos que ajuda os portugueses a serem empreendedores, a acreditarem nos seus sonhos. Como? Através do concurso «Realize o Seu Sonho» (as inscrições para a segunda edição terminaram no dia 15 de Maio).«Este concurso funciona da seguinte maneira: as pessoas inscrevem-se online e dizem que negócio gostavam de criar. Depois vão passando por várias etapas. Criámos um software chamado Dream Factory, que faz perguntas simples a qualquer português que tenha um sonho para desenvolver (e é mesmo para qualquer português: na primeira edição houve muitos semifinalistas que não tinham sequer a quarta classe). Estas perguntas permitem atingir três objectivos: estruturar o sonho, testá-lo (para perceber se tem viabilidade no mercado) e ajudar a desenvolver o processo de implementação. Ou seja, no final queríamos que todos os sonhadores saíssem da Dream Factory com um business plan [plano de negócio].»Para dar a conhecer a Acredita Portugal e o concurso «Realize o Seu Sonho», José Miguel Queimado e os outros membros da associação decidiram pôr-se a correr pelo país. Durante 15 dias, correram oitocentos quilómetros. «Decidimos fazê-lo a correr porque quisemos mostrar que não basta ter um sonho. É preciso esforço, luta, dedicação. É preciso correr atrás dos nossos sonhos.»A primeira edição do concurso, em 2008, foi um sucesso. A organização esperava vinte ou trinta participantes e houve mais de setecentos. O primeiro lugar ganhou sessenta mil euros, o segundo 7500 e o terceiro cinco mil euros. Mas houve muitos inscritos para quem a formação recebida online foi mais importante do que a vitória propriamente dita.A segunda edição, acabada de fechar, contou com 2960 inscrições. Prova provada de que em Portugal existem pessoas com sonhos, existe gente com vontade de arregaçar as mangas e criar um negócio. Gente empreendedora. Mas com medo também. E com falta de ferramentas para saber lidar com a burocracia e com as leis e com todos os entraves que surgem no caminho. Por isso, a Acredita Portugal tem tido um papel importante. «Temos neste momento três escritórios de advogados a trabalhar connosco pro bono e que dão workshops online grátis, abertos a todos, para ajudar no vocabulário empresarial, nos trâmites legais, na documentação necessária, nas análises de concorrência, etc. Porque mais importante do que dar o peixe às pessoas é ensiná-las a pescar.» José Miguel Queimado está empenhado em formar excelentes «pescadores». Porque sente que essa é a sua missão. Porque acredita em Portugal.
Movimento Anti-Corrupção
Luvas. Cunhas. Favores. Empurrõezinhos. Clientelismos. Jeitinhos e jeitões. Micael Sousa, 28 anos, começou a ter desde muito cedo consciência da corrupção que singra no nosso país. E simultaneamente compreendeu que esse era um dos grandes males da nossa sociedade. «Acho que foi na adolescência. Quando comecei a querer conhecer o nosso país e o que o distinguia dos países da Europa Central e do Norte, uma das questões que sobressaiu sempre, em nosso desfavor, foi a corrupção. Não só a grande como a pequena. É ética e matematicamente tão grave os poucos que roubam milhões como os milhões que roubam pouco.»À medida que ia estudando o assunto, mais convicto ficava de que queria combater o fenómeno. «Comecei a pesquisar e fiquei surpreendido por não haver em Portugal um grupo, um movimento que se preocupasse com o assunto. Li vários ensaios, vários estudos, e um livro muito bom, escrito por um investigador português, Luís de Sousa, A Corrupção e os Portugueses. Está lá tudo. Quanto mais lia, mais sentia que era minha obrigação fazer alguma coisa. E em Março de 2010 nasceu o Movimento Anti-Corrupção, um movimento que visa a consciencialização para este problema.»Há pouco tempo surgiu também a TIAC (Transparência e Integridade - Associação Cívica), com a qual Micael Sousa tem trabalhado em parceria. «No nosso entender, este fenómeno é cultura, de maneira que a consciencialização deve começar o mais cedo possível, em casa, nas escolas.» Assim, o blogue movimentoanti-corrupcao.blogspot.com e a página do movimento no Facebook põem ao dispor uma petição pública em que são propostos três modos de actuação através da prevenção: «A informação aos alunos nas escolas sobre o que é a corrupção e de que forma se manifesta (passar à frente numa fila já é uma forma de corromper as regras); aulas de ética e deontologia nas universidades; e campanhas de intervenção junto da população em geral. A petição já tem mais de 1300 assinaturas.»Micael Sousa é formado em Engenharia Civil e está a concluir o mestrado em Energia e Ambiente. Mas o combate à corrupção é a sua grande tarefa, tão grande que muitos o apelidam de utópico, de fantasioso, de irrealista. Ele sabe que tem muito trabalho pela frente e acredita que vale a pena lutar contra um monstro tão grande e tão enraizado na cultura nacional. «Quanto mais difícil melhor. Essa é a minha maior motivação. Mas não creio que seja utópico, porque não tenho a pretensão de acabar com a corrupção. Quero contribuir apenas para que algo mude em relação a isto. Nem que seja as pessoas tomarem consciência de que a corrupção existe e é eticamente reprovável. Não proponho nada de revolucionário, nada de radical. Isto é para ir fazendo, com calma. Até porque as grandes mudanças de mentalidade nunca se fizeram de um dia para o outro.»
Ignite Portugal
Perder um voo não tem de ser necessariamente mau. Miguel Muñoz Duarte que o diga. Estava então expatriado num país da América Latina e perdeu o voo de regresso a Portugal, quando fez escala algures nos Estados Unidos (já não se lembra exactamente onde). Em frente ao hotel onde ficou alojado estava a decorrer um evento especial: vários oradores falavam durante cinco minutos, e o seu discurso era acompanhado por vinte slides que rodavam automaticamente a cada 15 segundos. A iniciativa chamava-se Ignite. E Miguel Muñoz Duarte agradeceu logo o facto de ter perdido o avião. «Foi uma noite fantástica, com oradores incríveis e um espírito de partilha muito giro. Tomei nota do nome do evento, voltei a Portugal, montei o meu negócio, fiz a minha vida e, um dia, reencontrei aquele nome: Ignite. E pensei: e se fizéssemos isto em Portugal?»Se bem o pensou, melhor o fez. A 15 de Outubro de 2009, na Sociedade Guilherme Cossoul, em Lisboa, teve lugar o primeiro Ignite Portugal.«Esperávamos cinquenta pessoas, apareceram 120. Tivemos 15 oradores inspiradores e aquele ambiente de partilha a que eu tinha assistido nos Estados Unidos repetiu-se ali, de forma mágica. Desde então tem vindo a crescer, a crescer, a crescer. No último evento tivemos seiscentas pessoas, muitas candidaturas para oradores, muitas cidades do país a quererem organizar Ignites.»Mas, afinal, o que é isso de Ignite? «O Ignite é um evento periódico, aberto a todos. Ou seja, quem quiser ser orador inscreve-se. Quem quiser ir assistir paga o bilhete e assiste. É absolutamente democrático e informal. Não temos mesa de presidência nem canasta de flores. Temos uma palete onde as pessoas falam, à imagem do Speaker"s Corner de Hyde Park, em Londres. O objectivo? Agitar a sociedade civil, pôr as pessoas a pensar, a falar, a partilhar ideias inspiradoras, projectos, experiências de vida, boas histórias, descobrir talentos.»Aquela que é apontada como uma das fragilidades do projecto é, para Miguel Muñoz Duarte, uma das suas grandes riquezas: serem pessoas comuns os oradores e não gurus ou especialistas versados numa matéria. «Há quem diga: mas quem são estas pessoas para virem para aqui falar? Para mim é muito mais inspirador serem pessoas como eu a partilhar as suas visões extraordinárias do mundo do que se fossem pessoas extraordinárias a fazê-lo.»O Ignite Portugal já vai na 12.ª edição (igniteportugal.clix.pt). A organização diz que é necessária uma boa dose de voluntarismo e outra tanta de carolice. Miguel recusa ser o centro dos holofotes e prefere agradecer aos cinco ou seis voluntários mais chegados e aos cerca de 25 colaboradores eventuais. «Existe na nossa organização desorganizada um espírito e uma missão que não se encontram facilmente noutros ambientes. E deve ser por isso que recebemos por semana cerca de cinco pedidos para se juntarem aos voluntários. É um fenómeno de bondade e humanismo fantástico.Para além destes voluntários directos, existe uma série de parceiros que contribuem também para montar os eventos e uma série de co-hosts locais nas várias cidades e universidades que vão acolhendo o evento.» A LxFactory, em Lisboa, e os MausHábitos, no Porto, têm sido alguns dos locais que acolhem o Ignite. Já para não falar dos vários parceiros que ajudam em várias frentes: a filmar e fotografar, a arranjar comes-e-bebes para os intervalos, a montar o sistema de som, etc. Recentemente, a Optimus começou a patrocinar o Ignite Portugal. Uma boa notícia que enche Miguel Muñoz Duarte de orgulho: «Isto vai permitir ao Ignite Portugal chegar a mais cidades, a mais locais e a mais pessoas, fazendo que a nossa missão seja potenciada como sonhamos, ajudando a descobrir mais ideias e talentos desconhecidos do nosso país... que tanto precisa.»

por Sonia Morais Santos
Noticias Magazine 28-05-2011

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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
"Revolução das mães" na Noticias Magazine (DN e JN) 15-05-2011



Elas querem mudar o mercado de trabalho, exigem flexibilidade e prometem maior produtividade. O movimento cívico “Revolucionar para Flexibilizar” reúne várias mães portuguesas na luta pela conciliação entre a vida profissional e familiar.
Contactar associações e partidos políticos são os próximos passos da iniciativa que nasceu na Internet em Abril, com depoimentos de várias mães (está tudo reunido em revolucionarparaflexibilizar.blogspot.com) e que agora quer passar da discussão virtual para acções concretas.
“Estamos a contactar organizações que já actuam junto de famílias ou do tecido empresarial, empresas que já tenham uma cultura conciliante e estejam a lucrar com isso, e todos os partidos políticos (o movimento é apartidário). Contamos organizar debates e criar eventos públicos”, descreve Carla Rodrigues, de 36 anos, em declarações à Lusa.
Esta mãe de duas crianças, que há quatro anos abdicou da carreira de directora de publicidade para ficar em casa com os filhos, é a impulsionadora do movimento que quer “um mercado de trabalho que, em vez de penalizar, promova a maternidade, cumprindo a legislação já existente e mantendo-se aberto a novas e mais profícuas formas de relação laboral”.
Tudo começou quando Carla decidiu voltar a trabalhar e se apercebeu das dificuldades que enfrentaria. No blogue apanhadanacurva.blogspot.com, outras mães partilharam experiências sobre as exigências de disponibilidade das empresas e a falta de tempo para os filhos.
Carla arregaçou as mangas e agendou uma “revolução”: no dia 28 de Abril toda a blogosfera devia dar a sua opinião sobre o assunto, mas desde então não param de chegar contributos.
“A forte adesão confirmou que ninguém anda a viver bem esta falta de conciliação”, observa Carla.
Para estas mães, flexibilizar o mercado de trabalho significa criar modelos mais adaptados às famílias: o trabalho a partir de casa, a coordenação com as férias escolares, o trabalha a tempo parcial, horários reduzidos, bancos de horas e semanas de trabalho comprimidas, por exemplo.
“Um mercado de trabalho mais flexível reduziria as faltas, promoveria a motivação e aumentaria a tão necessária e desejada produtividade”, garantem.
O Movimento conta com mais de 200 seguidores no Facebook e tem passado as últimas semanas a reunir legislação, a procurar parceiros institucionais, exemplos de boas práticas e a receber conselhos semanais de uma consultora em Recursos Humanos.
No meio da pesquisa, foi localizado um vídeo que mostra Michelle Obama no “Fórum on Workplace Flexibility” de 2010, precisamente a falar “importância da flexibilidade e da conciliação entre trabalho e família”, escreve-se no blogue.
“Para cumprirem as suas múltiplas funções, as mães e os pais têm sido verdadeiramente elásticos”, alerta o manifesto do movimento, propondo-se defender “mães e pais que deixaram de trabalhar porque a conciliação era impossível” e aqueles “que não devem admitir que a sua competência seja posta em causa porque amamentam, mudam fraldas, acalmam febres ou acompanham o percurso escolar dos filhos”.
Ana Cristina Gomes (Lusa)

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