Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
Regresso ao Interior

Ana Teresa Mota | Consultora de Recursos Humanos

 

O mercado de trabalho tem destas coisas. Há alturas em que parece que os empregos fogem e mudam de sítio. Provavelmente significa apenas que os empregos nas grandes cidades são poucos e que no interior ainda vão sendo alguns.

Em tempos normais, diria que encontrar trabalho no interior não é tarefa fácil.  Atualmente penso exatamente o contrário. Há vilas no centro do país, mais no interior ou mais no litoral, com emprego. Zonas industriais que vão resistindo e pequenos centros turísticos que absorvem mão de obra. Alargar as nossas buscas é suficiente para tornar maior o número de oportunidades – empresas de trabalho temporário que fazem colocações nas câmaras municipais, centro de emprego que é nacional e portanto mostra oportunidades em outras zonas, para além da nossa, jornais regionais e até as páginas de internet das câmaras municipais.

Porquê esta sugestão, num contexto de flexibilidade?

Porque me encantei por Vila de Rei, no topo do distrito de Santarém. Tem escolas excelentes e uma cidade inteira virada para crianças, uma biblioteca muito concorrida e pavilhões desportivos, tem praias fluviais e piscinas. Tem jovens e crianças a passear na rua e os supermercados ocupam metade do seu espaço com coisas para crianças. Depois conheci duas ou três famílias com crianças.Têm consolas? Roupas da moda? Telemóveis? Nem por isso. Têm quintais, têm animais de estimação, têm os pais em casa às 6 da tarde.Vão todos à missa ao domingo, sendo que o miúdo fica na catequese e depois vai brincar para o jardim no centro da vila. Sozinho, aos 6 anos. Correção, sozinho não. Vão todos, uns 10 miúdos à solta e aos gritos, com uma bola nos pés. E as mães descansadas, porque ali toda a gente olha por eles.Uma das famílias veio de Lisboa. Instalou-se há algum tempo por estas bandas e duplicou o número de filhos. Porquê? Porque aqui é fácil ter filhos. É fácil vê-los crescer felizes e saudáveis. Os serviços públicos cobrem as grandes necessidades, porque há escola e centro de saúde, porque há desporto e cultura, porque há jardins e parques. O dinheiro não será muito. Provavelmente nunca. Mas não sei se é assim tão importante. Aqui, na grande cidade, temos tudo perto. Tudo o quê? As rendas que custam 4 vezes mais do que no interior? Os centros de saúde onde não se consegue uma consulta senão com seis meses de espera? As escolas que estão a abarrotar, com professores cansados e lutas permanentes? Os transportes onde perdemos duas e três horas diárias? Os centros comerciais onde compramos o que não precisamos porque não há mais nada para fazer ao fim de semana? Ali as coisas não estão perto. Para tudo dá jeito ter carro. Confirmo. Mas sem carro também se sobrevive, em especial dentro de uma cidade. Também assisti à senhora do talho a combinar com uma velhota, uma boleia até Abrantes. As pessoas ali tomam conta umas das outras. As vizinhas partilham a rega da horta e o olho que vão deitando às ovelhas de todos.

Não estou a sugerir que as pessoas que sempre tiveram profissões de escritório, se dediquem à agricultura. Longe disso, mas há escritórios, empresas, zonas industriais, comércio, turismo.

Vai havendo emprego e para completar o salário, há sempre trabalho. Apanha da azeitona é o prato do dia até ao final do ano, mas logo a seguir há mais coisas. E dá dinheiro. Não é muito, mas dá.

Antes de considerar o triplo emprego, a economia paralela, a caridade... muito antes, vale a pena pensar em alternativas longe do cimento e do alcatrão. Onde a vida é mais simples e as crianças crescem perto dos pais. Onde o tempo é nosso aliado.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 20:55
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
Comercial - aprender para viver melhor

Ana Teresa Mota | Consultora em Recursos Humanos

 

Ao longo dos últimos tempos duas verdades me têm saltado para os olhos, de tal maneira óbvias que me levaram a pô-las por escrito.

Algumas pessoas têm pedido ajuda para encontrar empregos, em alguns casos de forma assustadoramente frágil, noutros com segurança, mas sempre em situação difícil e regime de emergência.

A primeira grande verdade é simples, basta olhar para os anúncios de jornais: os empregos para os comerciais existem. As empresas oferecem melhores condições e em alguns casos total liberdade de gestão de horário. Este último ponto foi o que me levou a escrever sobre o assunto aqui.

Acontece que a maioria das pessoas que eu tento ajudar, coloca logo de partida como objeção trabalhar numa função comercial. Porque não sabem, porque não têm jeito, porque não gostam, porque não se sentem capazes de fazer um trabalho razoável. Ao fim de alguns anos a treinar pessoas, posso acrescentar que não existe um talento inato para a área comercial. Não existe um dom. Nem sequer um conjunto de características especiais que tornam os comerciais, profissionais de sucesso. Existe trabalho, existe treino, existe dedicação e existe esforço. E assim chegamos à segunda verdade. Também simples.

Foi-nos ensinada pelos nossos pais e esforçamo-nos imenso por ensinar aos nossos filhos. É preciso estudar, trabalhar muito e ser bem educado para ter sucesso na vida. Com estas três coisas seremos profissionais de sucesso na maioria das profissões que não exigem talentos especiais, como é o caso dos comerciais. Ser comercial é gostar de pessoas e de contacto humano. Nada mais. Ou melhor, pouco mais, porque tal como qualquer outra profissão exige estudo, preparação, treino e dedicação. Não é preciso tirar cursos caros. A internet está cheia de dicas, livros, palestras, imenso material para quem esteja disposto a aprender. Falando do meu caso, quando quero ajudar alguém que oferece esta resistência, a minha resposta tem sido: Tenta. Não pode ficar pior do que está. O que é que custa? Diria que no fundo sei que custa o orgulho. Primeiro porque as pessoas ainda veem os comerciais como seres de segunda, reles e aproveitadores – estamos chegados a uma boa altura para começarmos a respeitar quem trabalha.

Segundo porque as pessoas não confiam o suficiente nas suas capacidades, inclusive de aprendizagem, e têm medo da mudança – mais uma vez, uma boa altura para arriscar.Para todos os que pretendem flexibilidade, salários mínimo garantido, boas condições de trabalho e o respeito dos colegas, sugiro que espreitem as funções comerciais que estão abertas nos sites de recrutamento ou nos jornais. Os requisitos são poucos, porque no fundo, o que é preciso para se ser um bom comercial, é gostar de pessoas e estar disposto a aprender.

Boa sorte aos corajosos.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 00:22
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
Compreender, focalizar, pressionar, mudar

Ana Teresa Mota | Consultora de Recursos Humanos

 

Nos tempos que correm a flexibilidade parece um mito e é cada vez mais complicado  conseguir mudanças que não estejam diretamente associadas com custos, junto dos patrões, ou com benefícios, junto dos colegas.

 

É preciso mudar as mentalidades, disso ninguém tem dúvidas. O problema é por onde começar e o que fazer. Vamos começar por nós? Começar por mudar a forma como vemos as coisas? Ou como as dizemos? É que se não tenho dúvidas de que a nossa família precisa de tempo (se não também não estaria aqui), tenho muitas dúvidas quanto à forma como por vezes dizemos o que queremos, ou defendemos as nossas posições.

 

Quando falamos de mudar mentalidades, falamos usualmente “para fora”. Os outros precisam de mudar de mentalidade. Os patrões têm que perceber que o trabalho não é tudo. Os colegas têm que perceber que cada um tem direito às suas próprias necessidades, prioridades e objetivos. A sociedade tem que perceber que as mães precisam de tempo para os filhos. As escolas têm que perceber que nem sempre é possível ir buscar as crianças às 6 em ponto.

É preciso bom estômago para defender aquilo em que acreditamos. É preciso coragem para ser diferente.

 

O meu desafio aqui, hoje, é especial.

É mudar as mentalidades, porque tem que ser. É mudar as mentalidades, “para dentro”, começando por nós próprios.É abandonar a visão que temos, defendendo o mesmo, pelos motivos adequados ao contexto.

Se queremos ser ouvidos, se queremos ser compreendidos, primeiro temos que compreender.Temos que compreender os contextos e os outros. Temos que perceber quais são os argumentos válidos e porque é que estamos a fazer as coisas. Temos que escolher os nossos aliados e conhecê-los. Temos que conquistar os nossos direitos, não como pessoas individuais e diferentes, mas como pessoas iguais a tantas outras.É muito bonito assumir o direito à diferença, mas neste momento parece-me mais eficaz conquistar o direito a pertencer.Os patrões estão em luta com os custos, com os aumentos, com a perda de clientes e de mercado. E é fundamental que essa seja a nossa preocupação principal enquanto trabalhadores.

Como é que podemos fazer a diferença nesta luta tão difícil, como é que podemos ajudar a recuperar clientes e a ganhar mercado. Que ideias temos nós para oferecer? Que esforços? Não é preciso trabalhar mais meia hora. É preciso trabalhar muito nas horas em que lá estamos, focalizados nesta preocupação e apenas nesta preocupação.Quanto aos colegas, o problema é muito maior do que a empresa em que estamos inseridos.As pressões são muito mais profundas do que a “inveja” da pessoa que se senta na secretária ao lado da nossa.Todos os líderes se movimentam para pôr as pessoas, umas contra as outras.O primeiro-ministro vem à comunicação social dizer que os funcionários públicos ganham de mais.

Os privados gritam contra as regalias dos funcionários públicos.Os serviços de comércio e turismo gritam, contra o aumento do IVA, e de repente, um setor unido separa-se entre hotelaria e restauração. Está assim em todo o país, em todos os setores de atividade, nunca foi tão nítido como nas últimas greves, em que os argumentos fazem todos sentidos, mas as pessoas ficam contra porque individualmente prejudicadas. Separados não vamos a lado nenhum. Sem nos entendermos quanto aos valores importantes não conseguimos dar a volta por cima. Estas pessoas têm todas imensa força de pressão, o problema é que estão a exercê-la contra o vizinho do lado. E sempre que virem um benefício, uma vantagem, alguém que conseguiu ficar um bocadinho melhor, vão ser contra. E vamos derrubando, um a um, todos os que lutaram.

Porque estamos a lutar pelo lado contrário, contra nós próprios.

 

Quem são os nossos aliados? Como podemos conquistá-los? Os nossos aliados são todos os portugueses, porque a luta é comum. Até os políticos querem levantar o país. Todos nós queremos produzir mais. Todos nós queremos ser mais rentáveis e competitivos. Todos nós queremos bons resultados nas empresas, para que isso sustente o nosso nível de vida.(E não sou daquelas que acha que vivemos acima das nossas possibilidades!) A melhor forma de conquistar os outros para uma luta que já é deles, é percebê-los. É conhecer as suas prioridades e dar-lhes a força da nossa necessidade. Dar aos outros. Apenas isso. Dar força, dar coragem, dar atenção, dar voz, dar argumentos... aos outros. Porque se dermos, estamos a conseguir para nós próprios. Quando conseguimos que haja horas extraordinárias para quem fica até mais tarde, conseguimos ser deixados em paz quando não o fazemos e até temos mais moral para esses protestos. Quando conseguimos que haja promoções para aqueles que se empenham em motivar os outros, estamos a conseguir chefias que se sentem apoiadas e devolvem. Quando conseguimos que a empresa tenha lucros, estamos a conseguir assegurar os nossos postos de trabalho.

 

A flexibilidade?

Essa vem porque tem que ser. Vem porque a sociedade precisa de educar a sua juventude.Vem porque neste momento o futuro obriga a ter jovens bem formados. Os nossos aliados nesta batalha? As escolas, as faculdades, os centros de integração de jovens marginais, a polícia, as prisões.Todos os que lidam com a violência juvenil sabem reconhecer o papel das mães. São esses que nos vão ajudar a lutar por uma sociedade mais equilibrada e em que a família faça sentido. Não as empresas. As empresas vão reconhecer o esforço e o profissionalismo, vão valorizar quem gera lucros e abre mercados. Como deve ser. A nossa luta é sermos profissionais e respeitados. Não que os outros acreditem no mesmo que nós ou usem as nossas palavras.

 

A nossa luta é por justiça e respeito, para todos. O desafio é esse, e já sei que vou ser muito criticada, dar. Dar ao mercado de trabalho, para que se torne mais eficiente e mais respeitador dos trabalhadores todos. Numa visão diferente do que é a minha necessidade pessoal.



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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011
Flexibilizar com Austeridade

Ana Teresa Mota | Consultora em Recursos Humanos

 

Agora sim os patrões descobrem o verdadeiro sentido da flexibilização e os números que vão saindo nos jornais económicos são mesmo aterradores. Desemprego sem justa causa, despedimentos em massa sem indemnizações, cortes nos fundos de desemprego e nos apoios às famílias, aumento significativo do custo de vida, aumento dos horários de trabalho sem aumento de salário.... será preciso acrescentar os números macro-económicos que garantem que o nosso futuro ? E é apenas, mais do mesmo. Ser pai/mãe nestas alturas é mais duro. É duro porque se aproxima o natal. É duro porque educámos os nossos filhos num contexto de abundância ou pelo menos de esperança nas possibilidades imensas de futuro. É duro porque lutamos todos os dias por estar mais presentes e menos focalizados no trabalho. É duro porque o medo passa dos adultos para as crianças e não temos respostas para lhes dar.

Mas nem tudo podem ser más notícias. Porque nós temos que dar a volta por cima. Nós temos que ser capazes de respirar fundo e partir para a luta. Para lhes dar o que precisam. Para lhes oferecer sonhos e futuro. Para lhes dizer que batalhando ninguém morre na praia. Nós, pais e mães, temos motivação. Temos como ouvi recentemente, em citação do Sérgio Godinho, uma força a crescer-nos nos dedos e uma raiva a nascer-nos nos dentes. E, como não podemos morder, vamos usar a força dos dedos.

Os patrões precisam de gente motivada nestas alturas, porque estão a retirar os direitos a toda a gente. Precisam de quem corra por gosto, porque vão continuar a tirar até não haver quase nada. E nós somos essa força de trabalho disposta a trocar o aumento que não vem por umas horas para a criança. Nós somos essa força de trabalho disposta a multiplicar o sorriso porque vamos para casa mais cedo para estar com as crianças. E quando os patrões só sabem tirar, de menos em menos até que não sobre nada vão precisar de ferramentas de motivação. Nós sabemos do que precisamos. Nós podemos avançar de peito feito, cheios de coragem, porque desistir não é uma possibilidade, baixar os braços não consta na nossa listinha de opções. E podemos fazer cara bonita para os clientes e duplicar os esforços.

Precisamos de tão pouco. Precisamos apenas de respeito pelas nossas opções de vida. Precisamos apenas de um espaço para dar atenção à família. Continuando a produzir. E não perdemos tempo no cafézinho a discutir o orçamento de estado, porque queremos sair a horas. Não perdemos energia a dizer mal do governo aos clientes, porque queremos cumprir objetivos.

Está chegada a hora de alguém valorizar o nosso esforço, o nosso empenho, a nossa motivação. Já não somos aqueles que só querem saber de sair a horas. Agora somos aqueles que não se queixam, que não choramingam, que não fazem política no escritório. Somos aqueles que só querem que os deixem trabalhar.

Este movimento pode ser discreto, mas também pode ser óbvio.

E esse é o desafio que vos deixo. Dizer bem alto : não discuto política porque tenho mais do que fazer. Dizer para quem quer ouvir, e para quem não quer já agora : não perco tempo a gritar com o governo porque prefiro falar com clientes que me ouvem.

Eu sou mãe. Tenho que ter esperança. Tenho que ter energia. Tenho que ser capaz de produzir. Tenho que estar motivada. Resta-me desejar-vos a todos, muito boa sorte. E um arco-íris para passar por cima das nuvens negras e chegar com um sorriso ao tesouro que temos em casa.



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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011
Creches na Empresa

ANA TERESA MOTA | Consultora em Recursos Humanos

 

À primeira vista parece ser uma medida de empresas ricas, de quadros de topo, de tempos de vacas gordas, as creches e jardins de infância nas empresas são, agora mais do que nunca, uma medida de sobrevivência. É em tempos de crise que as empresas não se podem dar ao luxo de altas rotatividades porque se perde tempo e clientes com novas contratações, é em tempos de contenção que as empresas têm que descobrir formas de reter funcionários com baixos salários e sem prémios à vista, é em termos de forte necessidade de empenho dos trabalhadores que as empresas têm que descobrir como motivar quem anda deprimido e preocupado. Os trabalhadores não têm dinheiro para tempos livres, os avós regressam ao mercado de trabalho e já não podem ficar com as crianças, os pais são cada vez mais chamados ao seu papel de educador, e as empresas não se podem dar ao luxo de aliciar com bónus, nem de fechar as portas todos os dias às 18h em ponto. Já são algumas as empresas que optaram por este benefício com claras vantagens para os trabalhadores e que garantem assiduidade, empenhamento, fidelização e ainda uma imagem externa altamente valorizada. Para acrescentar ainda há benefícios fiscais para as empresas que tenham este tipo de serviços e começam a aparecer empresas especializadas que tratam de tudo, desde a construção da creche até à sua gestão, garantindo que a empresa não sobrecarrega os seus quadros e não tem que reforçar as competências da sua equipa para assegurar a qualidade destes serviços. Melhor seria apenas se todas as empresas conhecessem esta modalidade de motivação, se encarassem com seriedade a possibilidade de abrirem estes serviços e contarem entre os seus benefícios a existência de uma creche ou infantário para os seus colaboradores. Em tempos de vacas magras, quando o dinheiro que se investe tem que ser rentabilizado de forma quase imediata, um serviço de creche e infantário pode ser um investimento seguro e com retorno garantido – na assiduidade, na motivação, na retenção de quadros.  Estou convencida que se as empresas pedissem às suas áreas financeiras, de marketing e de recursos humanos um estudo sério sobre o assunto rapidamente decidiriam que é uma boa aposta. Fica o desafio, porque um director interno pode fazer a diferença e conversar com os restantes, porque uma sugestão interna pode ser mais viável do que uma proposta de um consultor, porque ser criativo em tempos de crise pode ser mais benéfico para a empresa do que congelar e deixar de procurar alternativas.



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Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Escolher um emprego
ANA TERESA MOTA | CONSULTORA EM RECURSOS HUMANOS

A flexibilidade e a capacidade de gerir a mudança começa em nós próprios.
Nas nossas escolhas e nas nossas decisões.
Pode parecer uma decisão grande começar a pensar em mudar de emprego, mas o certo é que todos os dias aceitamos o emprego que temos, escolhemos o emprego que temos e nem hesitamos ao escolher este emprego onde não ganhamos bem, não nos sentimos felizes, não temos tempo para a família. Está escolhido e a decisão parece eternamente adiada à espera que uma desgraça crie uma oportunidade. À espera que o destino se faça por nós.
Todos os dias quando saímos de casa estamos a escolher manter o que temos.

Podemos aproveitar a viagem para pensar no assunto.
Queremos este emprego?
Queremos flexibilidade nesta empresa?
Queremos horários flexíveis e tempo para a família nesta função?
Ou gostávamos de fazer outra coisa?
Noutro sítio?
Com outras condições?
A primeira resposta de toda a gente, com ou sem filhos, costuma ser “sim, quero ganhar mais”.
Outras possibilidades são: “sim, não gosto do meu trabalho”; “sim, não gosto do ambiente de trabalho”; “sim, a empresa fica demasiado longe de casa”.
O problema está na segunda resposta: “não, os tempos estão difíceis e já tenho quem me pague um salário”; “não, que não se pode trocar o certo pelo incerto”..... como se o emprego actual fosse certo e para a vida.
Já não existem empregos para a vida. E sim, os patrões são flexíveis a substituir as pessoas quando isso rende alguns euros.
O primeiro desafio é mesmo esse: e se eu quisesse mudar de emprego?
Será que há empregos mais perto de casa que me poupam duas horas de viagens, custos de transporte, flexibilizar também passa por esta redução de tempos obrigatórios de deslocação.
Será que há empregos onde seria mais feliz? A fazer coisas de que gostasse, mesmo que fosse por menos dinheiro? E que tal fazer contas com o ficar mais perto, com fazer o que se gosta, com trabalhos extra que não obriguem a horas fixas?
Os empregos estão a mudar. Já não são para sempre. E quem não procura não costuma encontrar.
Tenho visto situações caricatas de gente que sabe que vai ser despedida e mesmo assim não procura emprego, na secreta esperança de avestruz de que as coisas “desaconteçam”.
Basta que o salário não seja o ideal, que a localização não permita ir a pé para o emprego, que o ambiente não seja dos melhores... para justificar uma olhadela pelos sites de emprego e mesmo o envio de um currículo para “ver como está o mercado”.
E se o currículo for para a concorrência ou para a empresa da mulher do patrão, é tudo uma questão de assumir a busca como curiosidade, de assumir que o dinheiro não tem chegado para tudo, de assumir que o emprego actual é melhor do que os outros senão já teríamos mudado. E sim, os patrões respeitam isto – não gostam, mas respeitam. Não despedem alguém só porque anda à procura de emprego, pelo contrário, abrem os olhos para as necessidades da empresa e valorizam quem consegue encontrar alternativas. Porque patrão nenhum precisa de uma pessoa que ninguém quer.
Nós que queremos que os outros se preocupem com a nossa necessidade de uma vida mais equilibrada... o que estamos a fazer para equilibrar melhor a nossa vida? Protestar já é um princípio, mas não chega.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 10:08
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
Trabalho independente II
Ana Teresa Mota | Consultora em Recursos Humanos

Depois do pequeno artigo sobre o trabalho independente as perguntas e questões que surgiram sobre os pagamentos e dinheiros foram em número suficiente para me ocorrer que fazia sentido voltar ao tema.

E eu que passo a vida a dizer que é preciso fazer contas, em especial neste capítulo, abordei de forma demasiado ligeira as contas. Ora vamos a elas.

A minha maior surpresa quando confrontada com perguntas do género “queria saber quanto é que o salário dá líquido”, é que as pessoas não fazem a menor ideia de como se calculam estas coisas e entregam às empresas todo o poder de decisão no caso dos recibos verdes chutando um número para o ar sem noção nenhuma de quanto levam para casa.
Poucos serão os técnicos de recrutamento, de recursos humanos ou mesmo os entrevistadores, que saibam fazer as contas. E quando sabem não é certo que tenham tempo para explicar direito.

Se considerarmos que o salário é, para a maioria das pessoas, um fator chave em termos de organização pessoal, merece que dediquemos uma manhã ao assunto. É uma chatice? Dá trabalho? A matemática nunca foi o seu forte? Peça ajuda. Mas peça. Não deixe de tentar perceber.

O salário negociado, ou os recibos verdes, são um pacote. Que inclui benefícios vários que podem ser seguros, carros, telemóveis, gasolina, ginásios, etc. Para além deste pacote ainda inclui subsídio de refeição no caso dos trabalhadores dependentes e pode incluir o mesmo valor em despesas de refeição para os trabalhadores a recibos verdes.

Há dois tipos de desconto: irs e segurança social. Ambos dependem do valor que se recebe por ano, do número de pessoas que moram juntas, de quantas pessoas descontam para a mesma declaração. E as percentagens dos descontos foram todas alteradas muito recentemente. A melhor maneira é ir mesmo aos sites das finanças e da segurança social e fazer simulações.

Porque surpresas assim, só pela positiva. E quando nos oferecem um salário simpático a recibos verdes escusamos de descobrir no fim do mês que afinal não chega. Mais vale fazer as contas antes de concorrer aos lugares e seguramente antes de negociar passagens de contrato a recibos verdes.

As contas não são para os outros. São nossas. Somos nós que vamos ao supermercado com o que sobra depois dos descontos. Temos que ser nós a saber quanto nos vai valer o trabalho que fazemos. E sim, para quem tem um emprego com contrato, trabalhar a recibos verdes num segundo emprego pode ser altamente vantajoso.

Fica a sugestão.... umas folhas novinhas e contas de merceeiro. Porque a nossa vida não pode ser decidida com base no “os outros é que sabem”.

O trabalho independente é uma solução excelente para quem pretende flexibilizar, é bem visto pelas empresas porque a pessoa se coloca na posição de “só cá estou enquanto faço falta”, sai mais barato para as empresas, mesmo que negoceiem mais salário para compensar os descontos. Mas é preciso saber fazer as contas e negociar com base em números concretos.

Ser trabalhador independente significa, em última análise, desistir dos serviços internos da empresa. Passar a ser contabilista de si próprio, advogado, técnico de marketing, comercial, técnico de recursos humanos. Não é “o mesmo” com uma cara diferente. É mesmo diferente. É assumir a responsabilidade pelas nossas carreiras e pelas nossas carteiras. É transformar o patrão num cliente.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 10:14
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Trabalho Independente
ANA TERESA MOTA | CONSULTORA DE RECURSOS HUMANOS

O trabalho independente é o limite da autonomia, da flexibilidade e muitas vezes foi visto associado ao medo, medo da precariedade, medo da insegurança, medo do próprio medo.No caso da maioria dos profissionais liberais, que trabalham em resposta a necessidades concretas e pontuais das empresas, a questão tem mais a ver com a definição de preço e a abordagem mais cuidada inicial em que se estabelecem os serviços e os pagamentos, esta é a melhor solução para articular e equilibrar em função das inconstantes necessidades a vida familiar e o orçamento doméstico.

Ser profissional liberal, trabalhando a recibos verdes, implica gozar de total liberdade para estar uma semana inteira sem trabalhar, ou para trabalhar 14h por dia na semana seguinte – o importante é prestar os serviços com que nos comprometemos.
Actualmente os despedimentos são fáceis e ainda por cima aparecem de surpresa, primeiro porque a legislação facilita imenso a vida às empresas, segundo porque as empresas decidem sem consultar o interessado quando é que uma pessoa deixa de fazer falta.
No caso dos profissionais a recibos verdes, e falando apenas de profissionais liberais, quando a avença começa a ser cara demais, quando o serviço não é tanto quanto esperado, quando a empresa começa a ter dúvidas, tem uma tendência lógica para discutir o assunto com o interessado, que tem assim oportunidade e tempo para arranjar alternativas e para dar a sua versão, para alterar o preço ou aumentar o leque de serviços, mas tudo está em aberto e em discussão.

Nada disto é fácil quando um trabalhador tem um contrato, porque reduzir o salário é uma complicação, mas o despedimento é muito mais simples. Com um prestador de serviços que funciona por tarefa/ objectivo – a flexibilidade e a margem de discussão são suficientes para compensar sempre conversar.

A crise, a troika, o governo, nem sei quem, inverteu um bocadinho esta “insegurança dos recibos verdes” e temo que neste momento sejam mais seguros. Primeiro pelo dito anteriormente, estão mais avisados e sabem a tempo, segundo porque não são contabilizados entre as despesas fixas, mas antes inseridos em projectos que podem ser ou não rentáveis.

Eu que sempre fui contra os recibos verdes para os falsos contratos, assim continuo. Gosto de saber o nome das coisas e usar as formas legais certas. Mas os recibos verdes para os profissionais liberais começam a ganhar uma nova dimensão.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 14:57
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Isenção de horário
ANA TERESA MOTA | CONSULTORA EM RECURSOS HUMANOS

A isenção de horário é uma figura legal que prevê a compensação monetária do trabalhador por estar disponível para trabalhar mais horas do que as 9h-17h, no entanto na maioria dos casos é uma forma que as empresas têm de pagar um pouco mais ao trabalhador sem ter tantos encargos de ambos os lados com segurança social e irs.

Ou seja, na maioria dos casos é ilegalmente aplicada porque não cumpre o espírito da lei que a enquadra. Bonito de dizer. Quando é mal aplicada serve apenas para pagar mais com o mesmo horário, quando é bem aplicada obriga a mais horas do que as do horário estipulado. Teoricamente é a maior inimiga dos trabalhadores aspirantes a flexibilizadores e de qualquer mãe de família, porque normalmente ainda tem tendência a cair nas horas do jantar!

Raras excepções, honrosas porque existem, a isenção de horário pode ser negociada sem compensação adicional e como forma de compensação, por alguns dias se ficar depois da hora e noutros sair mais cedo. Na maioria das empresas é bem aceite que as pessoas que ficaram até mais tarde entrem mais tarde no dia seguinte porque precisam de recuperar. Eu atrever-me-ia a dizer que a maioria dos pais até prefere sair mais cedo no dia seguinte e fazer uma surpresa à família recuperando o que realmente importa. Mas isto tem que ser dito, explicado e acordado com as chefias para que o mau ambiente não mine uma solução positiva.

A isenção de horário funciona particularmente bem nas funções comerciais, uma vez que depende dos horários dos clientes e envolve muitas vezes deslocações que tornam o regresso ao escritório desnecessário. Aí é uma questão de organização pessoal e sugiro a todos os que têm funções comerciais e dificuldades de conciliação entre o trabalho e a família (ou qualquer outro tema), que façam um bom treino de gestão do tempo, porque são nitidamente privilegiados e nem sempre se dão conta disso.

O horário de trabalho costuma estar afixado em lugar visível (ou deveria) e pedir uma isenção de horário levanta sempre questões financeiras que fazem recuar as chefias e as direções das empresas. Pedir uma isenção informal, sem aumento de salário, ou em vez do aumento de salário, tendo por base algumas tarefas que beneficiam a empresa se forem realizadas antes do horário, pode ser um argumento de peso para conseguir uma saída mais cedo sem levantar problemas.

E depois depende das funções, porque até nas lojas é preciso contabilizar stocks, fazer montras, arrumar material, contactar fornecedores e fazer limpezas. Nas recepções pode fazer sentido consoante a quantidade de chamadas detectadas pela central antes da abertura do expediente e acumulando o serviço de recepção e triagem de correio, por exemplo.

Acho que tenho defendido ao longo dos textos e das respostas uma postura simples: é preciso que a empresa perceba vantagens reais para dar tempo. E às vezes a motivação e a “boa cara” não chegam para convencer ninguém.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 15:42
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2011
Trabalho em part-time
ANA TERESA MOTA | CONSULTORA EM RECURSOS HUMANOS  

Aqui temos um dos melhores exemplos de conciliação entre a vida familiar e a vida profissional, uma vez que permite um horário verdadeiramente distribuído, sem que exista na realidade uma dupla jornada de trabalho feita nas horas de descanso como acontece na maioria das modalidades.

E apresenta a sua quota parte de problemas, por um lado para os trabalhadores porque representa um menor rendimento, por outro lado para as empresas por representar uma menor disponibilidade. Visto na perspetiva correta poderíamos eventualmente considerar que os trabalhadores conseguem gerir melhor o seu tempo familiar reduzindo algumas despesas essenciais que compensam o menor rendimento e que as empresas conseguem uma maior produtividade dado um menor cansaço e maior focalização dos trabalhadores.

Mudar mentalidades é isso mesmo.
Alterar a forma de ver as coisas e neste caso parece-me absolutamente indispensável, para que o mercado floresça, quer na oferta, quer na procura.

Para os trabalhadores a ideia de ver reduzido o seu salário para metade pode parecer à primeira vista assustadora, mas que tal acrescentar algumas informações importantes, como dispensar o ATL porque se conseguem tirar as crianças da escola à hora a que termina, como dispensar as despesas de refeições porque há mais tempo para preparar a comida em casa, como reduzir as despesas de gasóleo ou o tempo de transportes porque se evitam as horas de ponta. Já para nem referir as despesas extra que significam uma empregada doméstica, prendas compradas à pressa, transportes escolares, lanches de pastelaria. Importante mesmo é fazer as contas antes de afastar a ideia. Porque às vezes resulta mesmo.

Em relação às empresas a grande dificuldade está mesmo em sugerir. Não é fácil dizer ao patrão que o nosso trabalho se pode fazer em part-time e que retira alguma vantagem em ter duas pessoas a fazer um lugar e daí que a minha sugestão seja sempre, dar algo mais. Redução de salário para um pouco menos do que a metade ou tarefas acrescentadas dado que duas pessoas mais focalizadas conseguem mesmo fazer um pouco mais. Não é uma posição simpática, mas os trabalhadores também ganham “um pouco mais” do que o tempo para a família, ganham tempo para si mesmos, ganham menores níveis de stress, ganham em qualidade de vida.

E porque estamos num grupo e a falar de mudar mentalidades, mais do que resolver situações concretas, creio que posso adiantar o que me parece ser ainda mais eficaz – é que nas situações de recrutamento, quando é preciso ir buscar alguém para uma tarefa concreta, se virmos que na empresa até faria sentido um part-time... sugerir isso mesmo. Sugerir que o novo lugar seja ocupado por duas pessoas em vez de uma. Uma empresa que abre a porta para o primeiro part-time, está no bom caminho para reconhecer que algumas pessoas preferem mais tempo para conciliar os seus mundos.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 11:03
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