Terça-feira, 20 de Março de 2012
Conquistar terreno no mercado e na família

 


 

 

Maria João Pisco Almeida decidiu criar a sua própria conciliação e conquistar o que considera não ter preço : tempo com os filhos.
Criou a Purelogicol em Portugal quando estava grávida do segundo e fez crescer a empresa ao ritmo da sua maternidade.
Conta com a ajuda de Lia Ferreira para ajudar as mulheres portuguesas a serem ainda mais belas, enquanto vai equilibrando a sua vida familiar com um forte espírito empreendedor.

 

O que fazia antes de criar a Purelogicol ? 

Ocupei vários cargos como farmacêutica, desde o projeto inicial de promoção dos medicamentos genéricos, à organização e desenvolvimento das parafarmácias e uma experiência no estrangeiro (Londres) como gestora de produto.

 

Quais as principais motivações? Quis conciliar trabalho e família ?

Sim, principalmente. Na altura tinha uma filha (agora com 7 anos) e pouco tempo para ela. Com a entrada no colégio, vieram também algumas viroses que me obrigavam a abrandar o ritmo de trabalho. Ainda assim, conseguia um intervalo à tarde para a ir buscar e a deixar em casa com a empregada, para voltar ao trabalho até às 19h/20h.

Mas depois tive um novo desafio que se transformou numa experiência desmotivadora, ao mesmo tempo que me levou a contratar o autocarro do colégio para levar a menina a casa e a garantir que a empregada estaria sempre à espera dela.

Comecei a reconsiderar as minhas prioridades. Infelizmente em Portugal não há possibilidade (ou é muito remota) de trabalhar em part-time. Por isso, contactei várias marcas no mercado internacional e descobri que a PureLogicol Internacional estava à procura de um representante em Portugal. Foi empatia à primeira vista.

Entretanto, no mês em que criei a empresa, fiquei grávida do segundo filho e fui fazendo crescer a empresa ao mesmo tempo que a barriga crescia.

 

Quais as principais dificuldades que encontrou neste processo?

Naturalmente que é difícil para uma empresa com duas pessoas, com uma marca desconhecida, ganhar terreno e conseguir clientes, mas felizmente foi um percurso que foi sendo naturalmente percorrido.

 

Sente que ganhou a aposta da conciliação entre o trabalho e a família?

Sim. Assumi que iria ter um vencimento mensal inferior ao que teria caso trabalhasse numa empresa. Mas colocando gastos e ganhos na balança, a diferença não é muito grande e o resultado é muito mais positivo a nível emocional. Não tenho despesas de carrinha do colégio para dois, empregada diariamente, prolongamentos esporádicos no colégio… Consigo ir buscar os dois todos os dias às 17h, levá-los duas vezes por semana à natação, dar banhos e jantares e usufruir de tempo com eles. Essa possibilidade não tem preço.

 

Em Portugal é difícil conciliar trabalho e família ? 

É difícil porque não existe culturalmente este hábito. Passámos de um extremo, em que as mães ficavam em casa e os pais trabalhavam, a outro, em que o canudo é o expoente máximo da realização pessoal e trabalham mães e pais com a esperança de que a sua realização profissional não seja frustrada com aquilo que idealizaram. Faltam infraestruturas em Portugal para facilitar esta conciliação. Falta entreajuda entre as pessoas. Viver um pouco mais em comunidade. Mais amor.

 

Considera que existem muitas mães a reivindicarem esta conciliação ? E pais?

De todo. Existe uma lamentação generalizada de que não é possível conciliar trabalho e família.

 

 


www.purelogicol.pt
contacto +351 21 0993566 

 

 

"Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar. 
Queremos dar voz a pais e mães que conseguiram encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a família, ou que estão a esforçar-se para lá chegar. Encontrar novas soluções ou bases para discussão que permitam atingir os objetivos do movimento é o objetivo da iniciativa. 
Se vive uma experiência inspiradora neste sentido e quer partilhá-la, contacte-nos na nossa página no facebook ou deixe aqui um comentário.




publicado por flexbilizar ~ conciliar às 17:45
link | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Esperar que as coisas aconteçam não adianta, resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível

 

 

 

Tem o sonho de ter três filhos e não abdica dele. Acha que ficar à espera que as coisas aconteçam não serve de nada. Por isso, acrescentou o cargo de gerente da loja Loviu Kids, no Porto, ao emprego de gestora de produto numa empresa. Carla Maia, de 35 anos, mãe de uma menina de dois anos, juntou mais trabalho ao trabalho para, no futuro, ter mais tempo para a família.

 

1. De que forma concilia a família com dois projetos profissionais?

São muitas as estratégias. No trabalho "normal" saio habitualmente às 17h para ir buscar a minha filha. Como ela tem um relógio biológico bastante diurno, às 20h30 precisa de ir para a cama. Assim, no domingo preparo refeições que congelo, de maneira a que o tempo que passamos juntas durante a semana seja realmente de qualidade, sem muitas tarefas. Relativamente à loja, graças à minha sócia e ao meu marido, apenas estou lá duas vezes por semana, sendo os restantes dias distribuídos por ambos.

 

2. A abertura da loja teve em mente o objetivo de ter mais tempo para a família?

A loja foi uma vontade de criar um projeto pessoal, um desafio e ao mesmo tempo conseguir, mais tarde, mais tempo para a família.

 

3. Pensa deixar o emprego “normal”, quando a loja for um projeto mais consolidado?

Sem dúvida. Adoraria ter três filhos, mas é difícil conseguir tempo e recursos para os ter. No entanto, acredito que esperar que as coisas aconteçam não adianta nada, pelo que resolvi arriscar para tornar o meu sonho possível.

 

4. Em Portugal é difícil conciliar trabalho e família? Os empregadores são pouco compreensivos com as mães trabalhadoras?

Os empregadores em Portugal são pouquíssimo compreensivos. Avaliam o trabalho de alguém pelo tempo que passa no escritório e não o trabalho realizado. Conheço inúmeros profissionais que saem todos os dias às 20h e não fazem metade do que faço. Isto porque, quando estou a trabalhar, estou de facto a produzir. Penso que os países nórdicos são mais sensíveis a este aspeto e valorizam o tempo em família, porque acreditam que o trabalhador é mais rentável se estiver satisfeito.

 

5. E com os pais trabalhadores, como se comportam? E como são tratados pelos empregadores?

Cada vez mais tenho colegas a querer participar na vida dos filhos. Contudo, a maioria é incapaz de o afirmar, muito menos para o empregador. Alguns pais saem a horas para ir buscar os filhos à escola. Mas o mais engraçado é que em Portugal fica mal sair a horas, apesar de passarmos muitas das nossas horas de trabalho a navegar pela internet ou a arrastar tarefas. O “parecer” suplanta o “fazer” e este é o real problema da produtividade em Portugal.

 

 

“Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar.
Queremos dar voz a pais e mães que conseguiram encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a família, ou que estão a esforçar-se para lá chegar. Encontrar novas soluções ou bases para discussão que permitam atingir os objetivos do movimento é o objetivo da iniciativa.
Se vive uma experiência inspiradora neste sentido e quer partilhá-la, contacte-nos na nossa página no facebook ou deixe aqui um comentário.

 



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 08:36
link | comentar

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Trabalho mais do que nunca, mas tenho mais tempo para os filhos

 

Era editora numa revista, mas estava farta de rever textos dos outros. Quando engravidou da terceira filha, Sónia Morais Santos percebeu que não podia continuar a chegar a casa depois das 20h. Deixou o cargo de editora numa revista para se tornar jornalista freelancer. Tornou-se dona do seu tempo e garante que assim ele “estica”. E lhe dá mais tempo para as crianças. Licenciada em Ciências da Comunicação, Sónia tem 38 anos e é a autora do blogue Cocó na Fralda.

 

1. O que fazia antes de ser jornalista freelancer ?

Era editora executiva da revista Time Out Lisboa.

 

2. Quais os motivos que a levaram a tomar a decisão de deixar um emprego “certo”?

Quando a minha terceira filha estava para nascer, percebi que não podia continuar a chegar a casa às 20h e às 21h, com o meu marido. Só nos dava para deitar os filhos e nada mais. Além disso, estava absolutamente farta do trabalho de editora - ali fechada a ver os textos dos outros, ou então a fazer coisas que já não me estimulavam minimamente. Quando comecei a ficar febril ao domingo, só por pensar no regresso ao trabalho, percebi que era chegada a hora de saltar fora.

 

3. A mudança foi a forma que encontrou para conciliar a profissão com a vida familiar?

Também. E a conciliação foi total. Hoje trabalho consideravelmente mais do que alguma vez trabalhei, mas tenho muito mais tempo para os meus filhos. Faço uma gestão inteligente do meu tempo. E ele estica. Claro que gostava que esticasse muito mais. Mas isso gostávamos todos.

 

4.. Foi difícil "mudar de vida" sem a alegada segurança de um "emprego certo?

Não senti isso. Mas também tive sorte. Consegui avenças fixas e, agora, todos os sítios para os quais escrevo são avenças fixas. Ou seja: sei sempre quanto vou receber no final do mês, porque é sempre igual, e assim até parece que tenho um ordenado. A verdade é que fui abrindo portas, ao longo dos anos em que trabalhei por conta de outrém, que me permitiram ter outra estabilidade enquanto freelancer.

 

7. Aconselha outras famílias a fazer o mesmo? Por realização pessoal ou sobretudo pela possibilidade de conciliação trabalho/família?

Não dou conselhos desses. Acho demasiado arriscado. Porque eu saí-me bem, mas a outros pode correr mal. Acho que é preciso ter-se uma estrutura mental muito sólida para se ser freelancer, é preciso ter muita força de vontade, é preciso ser muito batalhador, muito insistente, muito organizado, disciplinado, e não cair na tentação de ficar no sofá a ver séries, nem de pijama o dia inteiro - esse é o primeiro passo para uma ruína e uma depressão anunciadas. Levanto-me todos os dias às 7.30 para despachar os miúdos, que vão para a escola, tomo banho, visto-me, pinto-me e começo a trabalhar como se tivesse um patrão a olhar-me de soslaio. E tenho: sou eu!

 

 

 

“Uma entrevista por mês” é a nova rubrica do blog Flexibilizar para Conciliar.
Queremos dar voz a pais e mães que conseguiram encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a família, ou que estão a esforçar-se para lá chegar. Encontrar novas soluções ou bases para discussão que permitam atingir os objetivos do movimento é o objetivo da iniciativa.
Se vive uma experiência inspiradora neste sentido e quer partilhá-la, contacte-nos na nossa página no facebook ou deixe aqui um comentário.



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 14:04
link | comentar | ver comentários (1)

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011
Má experiência com final feliz

Já escrevi sobre o meu regresso ao trabalho, pós licença de maternidade. Foi em Junho. De Junho a Setembro os pagamentos de ordenados começaram a falhar e eu achei por bem arranjar um plano B. Fiz o meu CV, coisa que não fazia há seis anos, enviei-o para quatro sítios. Três desses sítios, que me tinham sido indicados como estando com processos de recrutamento abertos, responderam no próprio dia a dizer que os processos já estavam concluídos. O quarto CV foi enviado em resposta a um anúncio. Ligaram-me no próprio dia a marcar entrevista para dali a dois dias. Fui. A entrevista correu bem. Dois dias depois ligaram-me a fazer proposta, que aceitei. Na semana seguinte fui lá a uma segunda entrevista e oficializaram a proposta. Foi numa terça-feira. Comecei a trabalhar lá na sexta-feira dessa mesma semana.

No meu emprego anterior foram super-compreensivos, ficaram com muita pena de me ir embora... E com a minha saída, e visto que já só lá estávamos três pessoas a tempo inteiro, resolveram fechar o escritório físico e trabalhar a partir de casa. Ou seja, deram um enorme passo em direcção à conciliação entre trabalho e família.

 

No meu emprego novo, as coisas não poderiam ter corrido pior. Não houve acolhimento nenhum: cheguei lá, mostraram-me uma folha com os procedimentos básicos e duas horas depois queriam que eu estivesse a fazer propostas para clientes como se sempre ali tivesse estado. Claro que não correu bem, claro que fiquei insegura. A própria interacção entre as pessoas era uma coisa estranhíssima: não se podia falar com toda a gente, eu não devia falar quando me apetecesse. E, cereja no topo do bolo, como o meu nome não é simples, resolveram que a melhor maneira de contornar a dificuldade em memorizá-lo era passarem a tratar-me pelo meu segundo nome, que não reconheço como meu, que não espelha a minha identidade. Senti-me violada quando fizeram isto comigo... mas encarei aquilo como uma coisa que acontece por alguma razão. Assim, naquele sítio onde eu me sentia mal era X e, na minha vida fora dali, onde eu era feliz, usava o meu nome e continuava a sentir-me bem!

O horário oficial era das 9h30 às 13h e das 14h30 às 19h. Logo no primeiro dia saí às 20h. Saí tarde porque continuavam a dar-me coisas para fazer "agora". Expliquei que não podia sair depois das 19h porque a escola da minha filha fecha às 19h30 e eu tinha que a ir buscar. Ouvi um "sim, sim, mas tens isto para fazer". Não houve um dia que eu saísse a horas. Não houve um dia que a minha vida para além do trabalho fosse respeitada. E eu só aguentei 17 dias disto. Exactamente duas semanas depois de ter começado lá, e depois de ter passado duas semanas a estar meia hora por dia com os meus filhos, depois de ter passado duas semanas a chorar, resolvi que chegava e que não era aquilo que queria para a minha vida. Na segunda-feira seguinte anunciei que me ia embora (também já tinha percebido que não estavam nada satisfeitos com o facto de eu ter disponibilidade "limitada" ao horário de trabalho e que se preparavam para me substituir). No dia seguinte já não fui. Senti um alívio tremendo!

 

Falei com o meu (ex) patrão, perguntei se ainda precisava de mim. Disse-me que sim. Acordámos que eu ficaria a trabalhar em casa, em part-time, mas com total gestão do meu tempo, com total controlo sobre mim. Ouro sobre azul: trabalho para a empresa, trabalho para mim (tenho um negócio de costura, faço malas, carteiras, agendas, etc.), escrevo, faço mil coisas. E não gasto tempo em deslocações, nem tenho stresses desnecessários. Perdi dinheiro com o negócio, porque o que tenho garantido agora é muito menos do que tinha, mas estou muito, muito mais feliz. Estou muito mais tempo com os meus filhos, organizo-me muito melhor, sinto-me mais realizada. E sei que, quanto mais trabalhar, mais dinheiro vou receber, e isso é motivador.

 

Saldo? Claramente muito, muito positivo. E só lamento que ainda haja empresas que não têm respeito nenhum pelas pessoas, que fazem gala em exercer pressão sobre os funcionários e que ainda não perceberam que estão muito, muito longe de ter o sucesso que poderiam ter, se tratassem as pessoas como pessoas e não como peões num tabuleiro de xadrez!


Marianne



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 12:55
link | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011
Uma experiência de super-flexibilidade

 

Trabalho em investigação, com alguém que já me conhece há alguns anos e tem confiança em mim. Isso tornou possível que, perante o meu pedido para trabalhar a partir de casa nas alturas em que isso me fosse necessário, tenha sido confrontada com a resposta que toda a mãe-trabalhadora quer ouvir: “o seu trabalho é por objectivos, trabalhe quando e onde quiser.”

 

E assim tem sido. O trabalho a partir de casa exige pouco investimento para a maioria das pessoas nos dias que correm – quem não tem computador e ligação à net? Exige, sobretudo, disciplina, seriedade e capacidade de organização. Essas características também não costumam ser alheias a alguém que está habituado a gerir filhos, trabalho e vida pessoal. A maior desvantagem pode ser o isolamento mas, no meu caso, como mantenho o posto de trabalho na universidade e vou lá regularmente, não há sequer o perigo de passar a viver eternamente de pantufas e colar-me como sanguessuga a qualquer adulto inteligente que me apareça ao fim do dia (que foi o que aconteceu na minha primeira experiência de teletrabalho, há anos atrás).

 

Que balanço, então, desta experiência ainda recente? Muito positivo. É claro que uma pessoa acaba por trabalhar mais porque quer aproveitar para fazer isto, aquilo e aqueloutro. As pausas desaparecem e, quando damos por isso, já passou o dia inteiro – mas fez-se muita coisa. E não há nada que pague a possibilidade de demorarmos mais uns minutos na despedida dos filhos na escola, ou de conversar com alguém que encontramos e não víamos há muito. Se trabalhar é alugarmos a nossa força de trabalho por algumas horas, teletrabalhar é sermos também nós um bocadinho os “senhorios” dos nossos dias.

 

www.gralhadixit.blogspot.com



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 11:04
link | comentar

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
O dia em que deixei de ser Quadrada

Alex Kopli

 

Em 2004 cheguei a uma empresa para dar início a um projeto pioneiro, cheia de entusiasmo vesti a camisola e trabalhei com afinco, recebendo elogios e gratificações pelo meu bom desempenho e organização. Durante os cinco anos seguintes a minha vida baseou-se num esquema muito comum em Portugal, saía muito cedo de casa, metia-me num transporte público, seguia para o escritório, fazia o que tinha a fazer, metia-me novamente no transporte público e chegava a casa já a noite tinha começado. Tudo corria bem, até a maternidade me ter batido na cara e que afinal havia algo chamado PRIORIDADES PESSOAIS. A rotina que antes mantinha começou a figurar-se como um calvário diário, cheio de insatisfações e extremamente cansativo.

 

Realizei que afinal estava demasiado afastada daquilo que mais importava - a minha vida.

 

Ao chegar ao sexto ano de trabalho na mesma empresa, senti-me diferente e o apelo para sair, para mudar, era cada vez maior. Tracei um plano, no qual estava contemplado um projeto profissional/familiar que na altura estava a iniciar, ganhei coragem e demiti-me. O dia em que me demiti foi extremamente difícil, cheia de ansiedade e medo procurei deixar bem claro que eu não queria entrar numa espiral de descontentamento e que preferia sair do que começar a desleixar-me. Não queria, de maneira nenhuma estar ali de corpo presente e com a cabeça noutro sítio mais entusiasmante. Fui compreendida e saí com o apoio de todos os meus colegas, amigos e familiares, e a gratidão que sinto até hoje não se alterou.

Hoje em dia, sair de um emprego estável, sem qualquer indemnização, nem outra segurança social é um risco, no entanto, é uma via que nos faz continuar a busca por um suposto objetivo, um sucesso, algo que puxe por nós enquanto profissionais e indivíduos. Quando me cruzo com alguém que me conta problemas parecidos com os que tive pergunto logo: para além da tua profissão, há algo que faças bem e que te dê prazer? Se a resposta for afirmativa, esse pode ser o caminho para uma nova vida! Seja fazer baínhas, pintar paredes, tirar fotografias ou paginar teses, qualquer alternativa pode fazer a diferença a uma vida monótona. Dizem que os dias de crise económica são portas abertas para vidas novas e para a inovação; eu não almejo a riqueza, almejo sim a polivalência, o dinamismo, o optimismo e a constante busca de novas oportunidades, mesmo que os bancos nos acenem com spreads inaceitáveis, a sombra da Troika nos escureça os dias e o medo de colisões sociais nos tirem o sossego nas ruas.

Para a frente é que é caminho! "

beijinhos
sof*



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 09:02
link | comentar | ver comentários (7)

Terça-feira, 17 de Maio de 2011
Conciliação (Dinamarca)
Vivo em Copenhaga e trabalho em investigação científica na Universidade de Copenhaga, tenho um filho de 2 anos.
Parabéns por este movimento espectacular e boa sorte com tudo. Quero dar o meu testemunho e espero que possa servir como exemplo de que é possível mudar mentalidades e melhorar a dinâmica familiar conciliando trabalho e família sem darmos todos em malucos histéricos.
Na Dinamarca a licença de maternidade é partilhada, pai e mãe têm quase obrigatoriedade de ficar em casa juntos as 2 primeiras semanas em que o bebé nasce e depois têm cerca de 8 meses que podem dividir
como quiserem com ordenado completo (só um é que fica em casa). Se um deles ficar um ano completo o ordenado fica reduzido a partir dos 8 meses (ganha-se cerca de 70%). Isto é o modelo público, nas empresas pode ser diferente, mas gira tudo à volta do mesmo... Algumas empresas
têm ainda melhores condições para empregados que já estejam há mais de 3 anos na empresa.
No meu caso fiquei em casa full-time com o pimpolho 8 meses e voltei ao trabalho em part-time até ele fazer 11 meses. Nesses 3 meses ficava em casa 2 dias, e o pai ficava em casa 3. Esse part-time foi
espectacular para mim. Tinha o melhor dos dois mundos - ainda estava uns dias em casa com o baby mas tinha uma vida para além dele.
Quando voltei ao trabalho tudo foi diferente, passei a fazer o horário típico nórdico - entrar às 8:30 e sair às 16:00. O horário é de 7h30 incluindo hora de almoço (que nunca é mais de 30 minutos). Nem mais um
minuto, porque o infantário fecha às 17:00 e se o vou buscar depois das 16:30 já é o último.
A diferença na Dinamarca é que toda a gente percebe que o trabalho não é a coisa mais importante da vida e que toda a gente tem outra vida (tenham filhos ou não). A flexibilidade é muita, mas claro que os
funcionários têm de cumprir com os seus objectivos e algumas vezes tenho de trabalhar à noite, se há prazos importantes para cumprir.
Mais - dias de doencas - se o meu filho fica doente, tenho direito ao "primeiro dia de doença" e "segundo dia de doença" e o pai tem direito a um dia (porque ele não trabalha no estado). Ao todo, podemos ficar 3
dias em casa com ele. Mas quando a doença é levezinha mas impede-o de voltar ao infantário, tentamos arranjar alternativas (seja a avó ou mesmo uma babysitter) para não faltarmos esses dias todos.
O modelo baseia-se na honestidade. Quem é honesto e produz tem direito a toda a flexibilidade. Quem abusa das liberdades, logo fica com fama de preguiçoso e os chefes ficam desconfiados e de pé atrás e talvez seja dispensado na primeira oportunidade - Como uma colega minha que todos os anos dá exactamente o número de faltas permitidas por lei por doenca (näo sei o numero exacto mas é cerca de 90 dias) sendo apenas gripes, ou dores de cabeca.
A diferença também é que toda a gente faz por usar dos seus direitos, quase que há pressão social por usar dos direitos. No final da gravidez tem-se direito a 6 semanas de licença (antes da data do
nascimento) e eu do meu filho (como era o  primeiro) não senti necessidade de usar porque me sentia inútil e inchada em casa e queria é que o tempo passasse rápido no trabalho. Pois que recebia comentários diários dos colegas a dizerem para ir para casa...
Outro exemplo - se alguém está doente no trabalho é visto como foco de contaminação e olhado como cão raivoso. As pessoas exigem que se vá para casa, incluindo os chefes. Não é preciso baixa do médico - apenas um telefonema ou mail a dizer - hoje estou doente, não posso ir.
Claro que não foi sempre assim... também houve mudança gradual. A minha sogra por exemplo, só tinha 6 meses de licença de maternidade e o trabalho era inflexível com a familia, por isso ela deixou de trabalhar 5 ou 6 anos enquanto os filhos eram pequenos.
Boa sorte com o movimento e desejos de muita flexibilidade!!

Mafalda


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 13:50
link | comentar | ver comentários (1)

O trabalho do meu pai
Isaac, 19 meses.

O meu pai passa muito tempo comigo. Agora, e por uns dias, e porque nasceu o meu irmão ele está mesmo quase sempre comigo. Até já me levou com ele para o trabalho. Quando está lá fala num tom mais grave. É como se tivesse outra voz. É como quando está ao telefone. E está muitas vezes ao telefone. A minha mãe diz que ele não larga o telemóvel. Explicaram-me que também responde por escrito a coisas que lhe enviam lá do emprego.
Ele fala comigo e explica-me o que são as pessoas do emprego. Que precisam que ele faça isto e aquilo. Então ele tem de fazer desenhos e escrever coisas, além de fazer contas, que já me disse, ser o pior. E diz que estão sempre à espera que faça omoletes sem ovos. Em nossa casa quem faz omoletes é a minha mãe. Mas o meu pai explicou-me que também não se faz estrugido sem cebolas. Isso já percebi. Porque adoro estar ao colo dele enquanto ele cozinha. E ele deixa-me mexer com a colher de pau.
Quando andamos de carro leva um fio branco na orelha. Eu também o ponho na minha orelha e digo tou mas não ouço nada. Faço de conta porque os meus pais se riem muito. E lá vai ele levar a minha irmã às escolas, e leva-me também quase sempre, e muitas vezes vai a ralhar com pessoas. Outras vezes diz palavras sozinhas muito de vez em quando. Parece triste. No fim arranca o fio da orelha e diz palavras que a minha irmã não gosta de ouvir. Ela ralha-lhe. E ele ri. Prefiro quando ele não leva o fio na orelha. Porque vamos a cantar.
Ele explica-me que o problema é estarem sempre a aparecer coisas novas e que as pessoas sabem que ele fará o que lhe pedem. Mesmo se lhe pedem omoletes. E ouço dizer à minha mãe que é dificil mudar isto. Que a expectativa é esta. Da dedicação absoluta à carreira. Mas, diz ele, o problema maior é que ninguém se entende, ninguém se organiza e ninguém se respeita. Parece que é tudo urgente e é tudo uma treta porque todos usam e abusam e ninguém sabe planear. Eu também não sei o que é isso. Quando fala disto com a minha mãe não se ri. E a voz parece a do telefone. E repete algumas das tais palavras. E está com a mão na cabeça. Eu não gosto de o ver com a mão na cabeça.
O meu pai diz que já não usa fato porque não lhe apetece. Que já o obrigam a demasiadas coisas estúpidas. O que ele quer é que as pessoas percebam que o tempo que estão na empresa não é o mais importante. É o que fazem com esse tempo. Ele diz que há pessoas lá no trabalho que parecem preferir lá estar do que estar com os filhos. Ele já mandou pessoas para casa para tratarem de filhos doentes e eles não foram. Ele diz à minha mãe que quase ninguém gosta dele porque ele é portista e por isso ganha mais vezes, mas também porque não faz as coisas bai de buque. Não sei o que é. Mas parece que é perigoso porque diz que qualquer dia queima-se.
O meu pai diz que faz o trabalho normal dele em duas ou três horas. O resto são coisas que inventam e que lhe roubam tempo. Por isso ele já não faz o que sabe tão bem ou pelo menos como gosta. O meu pai agora já não vai trabalhar à noite. Mas trouxe outro computador onde está muito tempo. Mas eu também já vi o BOB nesse computador. A minha mãe diz que se calhar era melhor ele ter outro emprego mesmo que passasse mais tempo fora de casa. Se isso o deixasse mais feliz. O meu pai diz que é feliz se estiver mais tempo connosco. Diz é que não gosta lá muito de trabalhar porque lhe parece que está tudo louco.

Jaime Xavier. Pai.


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 04:03
link | comentar | ver comentários (9)

Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Aproveitávamos mais o tempo, produzíamos mais, vivíamos mais
A minha vida não é exemplo para ninguém. Tenho um marido que trabalha uma média de 14 a 16 horas por dia (e trabalha mesmo, não fica por lá a ver o ar passar-lhe à frente) e que, quando chega a casa, conta os minutos para se poder ir deitar. Portanto, não pode fazer muito em casa, nem eu lho posso exigir.

No meu caso, a flexibilização é a solução para os meus problemas. Porque agora estou em casa e asseguro bem as coisas (e sim, tenho tempo para ter hobbies), mas quando for trabalhar vai ser complicado. Vou viver a contra-relógio, sempre com um tic-tac a martelar-me a cabeça e a dizer-me que tenho que me despachar para ir buscar os meus filhos, que tenho que me despachar para fazer o jantar, que tenho que me despachar a passar a ferro, que tenho que me despachar a deixar prontas as coisas do dia seguinte, que tenho que me despachar a dormir, que tenho que me despachar de manhã, que tenho que me despachar a despachar os miúdos, que tenho que me despachar a deixá-los, que tenho que me despachar a chegar ao trabalho, que tenho que despachar assuntos, que tenho que me despachar a almoçar, se quero despachar-me a horas de começar tudo isto outra vez. E só de escrever fiquei cansada.

Ninguém gosta de trabalhar angustiado. Ninguém gosta da sensação de passar a vida sem motivação, a contar os minutos para estar a milhas dali, noutro lugar qualquer. Ninguém gosta de ser infeliz.

Uma empresa onde as pessoas trabalham com vontade, porque sabem que são respeitadas enquanto pessoas e não apenas enquanto produtoras de qualquer coisa, é uma empresa mais bem sucedida, onde as pessoas se sentem bem, onde sentem que são recompensadas pelas horas, pelo esforço que dão à empresa.
No fundo, é fácil motivar as pessoas. Basta dar-lhes o que é seu por direito. Um trabalho não é um favor que a empresa faz ao empregado. É uma dinâmica de troca: a empresa dá e recebe, o empregado dá e recebe. Os trabalhadores não têm que sentir que lhes está a ser feito um favor quando usufruem dos seus direitos, sejam eles quais forem. E as empresas também não têm que sentir que o empregado que cumpre horários, que cumpre o que lhe pedem e que executa as suas tarefas está a fazer um favor. Não está, é pago para isso.

Outra coisa: instituiu-se que esta coisa de trabalhar das nove às seis é porreira. Uma estupidez. Então um país que tem 900km de costa marítima (logo, praias), que tem bom tempo durante metade do ano, acha que este horário-tipo faz alguém feliz? Os nórdicos, como têm aquela condição de viverem de noite nove meses por ano, resolveram - e bem - adaptar o trabalho a isso. Trabalha-se das oito às dezasseis ou das sete às quinze. Oito horas, como cá. Sem hora de almoço - é engolir qualquer coisa, uma sandes, por exemplo, e seguir. E às quatro da tarde estão livres para ir buscar os filhos e viver a rotina do dia a dia que, julgo, é igual em todo o lado: banhos, jantar, cama. Ou, no caso de quem não tem filhos, às quatro da tarde estão livres para ir ler um livro, ver um filme, o que for. Então não era de um país como o nosso deixar a preguiça de lado e aproveitar o tempo? Com um horário destes (real, cumprido, e não um horário daqueles que é assim no papel e depois na realidade é outra coisa qualquer - como os bancos, que toda a gente sabe que não funcionam só das oito às quatro), começaríamos a trabalhar mais cedo mas ficaríamos livres mais cedo. Aproveitávamos mais o tempo, produzíamos mais, vivíamos mais. Mas cá o que impera é o culto da lanzeira: duas horas de almoço, vinte e cinco pausas para cigarros e café por dia, mais o lanche, mais o segundo pequeno-almoço, mais...

Daqui a vinte anos não quero sentir que não vivi a infância dos meus filhos porque estive barricada a trabalhar. Sim, o trabalho é importante. Mas, para mim, o mais importante é a minha família. E, se um dia tiver uma empresa, o mais importante há-de continuar a ser a minha família e as famílias das pessoas que trabalharem comigo. Eu não vivo para trabalhar, trabalho para viver. E isto não tem que ser ofensivo para ninguém.

Agora ide. Ide ver como vai a revolução!

Marianne

http://not-sofast.blogspot.com/2011/05/flexibilizacao.html#comments


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 21:33
link | comentar

Tempo para participar no crescimento dos nossos filhos
Tenho contrato efectivo há 10 anos. Ao princípio adoravam-me , eu estava sempre disponível, não tinha nunca horas de saída, enfim, fui em tempos uma verdadeira escrava do trabalho. Acontece que um dia nasceu a minha primeira filha, e eu tirei partido de todo o tempo a que tinha direito, ou seja, 5 meses com um mês de férias em cima. Quando voltei a empresa já nem parecia a mesma. Pedi o horário de amamentação e tenho orgulho em dizer que sim, que o aproveitei todo. É claro que já me começavam a encarar como a mamã que julgava que trabalhava no estado, já não tinha aqueles trabalhos mais interessantes porque esses exigiam trabalho a 12 horas por dia. Passado um ano disse que estava grávida pela segunda vez. Perguntaram-me logo para quando era antes de me darem os parabéns. Tive que ficar de baixa 2 meses antes do meu filho nascer e depois tomei partido outra vez de todo o tempo a que tinha direito. O que acontece hoje é que sinto-me neste momento como uma empregada a quem não conseguem despedir e que vai fazendo uma coisas , nada de grande responsabilidade dadas as limitações de horários que tem ( atenção que trabalho 8 horas por dia). Enfim, hoje a minha grande prioridade são os meus filhos e se pudesse queria ter mais tempo todos os dias com eles mas não posso abdicar do dinheiro de reduzir horário de trabalho.
Queria encontrar um trabalho mais calmo onde fosse reconhecida pela qualidade do trabalho e não pelas horas que estou em frente a um computador. Queria que houvesse respeito pelos pais quando marcam reuniões para depois das 17h00 da tarde, que não me encarassem como uma pessoa que já não tem vontade de melhorar na profissão só porque tem filhos e recusa-se a trabalhar mais de 8 horas por dia.
Precisamos de tempo para respirar ar puro, para fazermos outras coisas, para nos inspirarmos, e principalmente de tempo para participar no crescimento dos nossos filhos.


Filipa


publicado por flexbilizar ~ conciliar às 07:16
link | comentar | ver comentários (1)




Facebook e-mail declaração de princípios
pesquisar
 
últimas notícias

Conquistar terreno no mer...

Esperar que as coisas aco...

Trabalho mais do que nunc...

Má experiência com final ...

Uma experiência de super-...

O dia em que deixei de se...

Conciliação (Dinamarca)

O trabalho do meu pai

Aproveitávamos mais o tem...

Tempo para participar no ...

tags

todas as tags

arquivo

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

subscrever feeds