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Flexibilizar para conciliar

Flexibilizar para conciliar

Apelo ao mercado de trabalho

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Pediram-me para escrever um post sobre a falta de flexibilidade do mercado de trabalho para com as mães por este pais fora, logo agora que eu estou pelos cabelos com tanta papelada com as matriculas dos meus filhos que ainda é só lá para setembro mas as inscrições são agorinha mesmo e eu tenho lá cabeça pra pensar em textos xpto alusivos ao tema...

Ontem corri mil mundos a pedinchar papelitos disto e daquilo, ele é fazer cartão do cidadão, ele é inscrever nas finanças para obter o NIF quando eles coitadinhos são contribuintes de quê vá se lá saber? um minorca de 6 meses já com nº contribuinte onde já se viu e outra é a treta do nº da seguraça social quando eles tem é ADSE e eu desconto prá CGA... mais as mesmissimas declarações médicas e comprovativos de morada e patronal e o raio... credo passamos a vida a comprovar ao país que existimos e que a nossa vida é um mapa aberto ao estado, esses chulos!

Logo agora que eu ando de coração partidinho por deixar um minorquinha de 6 mesitos aos cuidados de outrem por mais de 8 horas e levam-me os tostões todos quando eu se pudesse e o meu emprego permitisse podia muito bem cuidar dele em part-time.

Já para não falar dos complementos de horário outro balurdio e tempo longe do meu puto mai lindo, que agora no 1º ciclo ainda é mais dificil adquirir e pra quê, porque fazem os horários dos miudos completamente descabidos dos nossos, entram ao mesmo tempo que nós saiem mais cedo tem mais dias de férias, é impossivel não ter um ATL ou um CH e ainda nos pedem a nós pais presos a uns miseros 25 dias de férias por ano para "a criancinha tem de ter 22 dias de férias obrigatóriamente" quando nesses 22 dias mal podemos gozar as férias como deve ser quando até ai nos ligam do emprego com problemas.

E eu só penso meu deus a trabalhar as horas que trabalho, as correrias de manhã prós ir deixar, as correrias ao final do dia prós ir buscar, as lides por fazer, o cansaço ao final do dia e a falta de paciencia como é que eu vou poder acompanhar emocionalmente o seu desenvolvimento escolar e não só... e se eles estão a passar por uma fase má e eu não dou conta porque também o trabalho laboral a azucrinar-me o juizo.

Ou uma pessoa balda-se prá carreira profissional ou é mãe não há outra hipotese, e toda a gente sabe que assim que um bébe cresce na barriga é dizer adeus aos prémios de produtividade, ás subidas de carreira, ás regalias e horas extras...

Patrões deste pais, como é possivel criarem-se familias grandes e felizes se a pressão é tanta!

Por isso aqui vai o meu apelo, se bem que muito ao desenrrasco, facilitem mais a vida duma mãe como eu e deem-nos a flexibilidade que necessitamos para cuidar e criar os homens e mulheres de amanhã... só assim acredito que Portugal teria futuro... se a mãe do Sócrates fosse mais dedicada e tivesse mais tempo pró criar não teriamos o FMI à perna como agora, acreditem !!

E tenho dito.
 
Mãe q.b.

Antes de mais queria dizer que: é muito bom ser Mãe!

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Está a ser muito bom estar por casa!
E sim, sabe muuuiito bem poder acompanhar o crescimento das MMMs desta forma...e isso já ninguém nos tira! Mas nem tudo são rosas, nem sempre é fácil manter sempre o copo-meio-cheio e nem todos pensamos da mesma forma!
Não estava nada a contar mas acabou por ser muito giro ser capa da NM, soube bem receber tanto feed-back positivo de quem concorda, partilha ou gostava de poder/conseguir partilhar esta minha opção de vida! (felizmente todos os que sei que não compreendem optaram por comentar apenas a fotografia ou nem dizer nada..e, no fundo, estavam no seu direito!)
Mas a verdade é que não foi uma opção. Em 2008 fui dispensada por "não ter disponibilidade necessária para o projecto", quando recuperava de uma gravidez anembrionária... Depois fui de novo dispensada quando estava grávida...
Entretanto fui a algumas entrevistas mas fui sendo sempre relegada para segundo plano por estar "barriguda", por ter limitações de horário, por ter filhos, por estar parada há mais de um ano...
e agora já estou parada há três!...
Continuo a enviar currículos, principalmente porque o Estado já não me "apoia" desde Janeiro - e isto de não gastarmos tanto estando em casa é muito bonito, mas sem ter também não se consegue poupar, né? - mas também porque tenho alguma vontade de ocupar a cabeça com outro tipo de responsabilidades...ainda que tenha obrigatoriamente que ser alguma coisa compatível com ter uma família!
Mas não está a ser fácil...há pouca oferta e muita procura, a maioria dos anúncios quer "pessoas até 35 anos", com "paixão pelo trabalho"(leia-de: disponibilidade total), inclui quase sempre "possibilidade de ausências no estrangeiro" ou "trabalho aos fins de semana"...- e a verdade é que ultimamente nem sequer me respondem!
Não há nem me parece que venha a haver nesta fase a tão desejada "flexibilidade"... Até parece que vivemos num país que não dá valor à família, né?

Nota: agora que a minha M mais nova fez 6 meses e se iniciou nas papas e nas sopas...decidi fazer a Formação Inicial de Formadores no INEPI, para ficar com o CAP e valorizar o meu currículo e alargar as minhas opções...
...e estou seriamente a pensar me atirar de cabeça para um negócio que funciona apenas online - não implica grandes investimentos e não tem grande risco - e que me vai obrigar a contactar pessoas (esperamos que) simpáticas, cultas e com bom gosto!...
Parece boa ideia, não parece?
Só espero que as 5h/dia que vou ter para lhe dedicar nesta fase inicial sejam suficientes...
Façam figas, ok?
;-)

Filipa
http://segundos-passos.blogspot.com/2011/04/antes-de-mais-queria-dizer-que-e-muito.html

E antes que eu me esqueça

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
A minha profissão é uma das piores possiveis nos quesitos "flexibilidade" e "part-time", sou médica e para piorar sou ginecologista ... Mas vamos passar la, passei a semana a pensar em algumas alternativas para as pobres mães, E ginecologistas E que querem conviver intensamente com os filhos.
A grande coincidência foi um post publicado no Facebook de um médico ginecologista brasileiro que eu admiro muito, cujo título é: "More Physicians say no to endless workdays" Aqui está o link. Os médicos americanos jovens já não querem trabalhar o dia todo, dedicar a vida à Medicina como faziam os médicos antigamente, fazem seus turnos de urgência, voltam para casa, desligam os telefones e aproveitam suas vidas...
Infelizmente eu ainda pertenço à geração passada, dou meu telefone e meu email às pacientes, digo a elas "Se precisar de algo é só falar, estou à disposição", recebo muitas ligações ao longo do dia e digo uma coisa: isto não torna meu dia mais pesado, isto não impede que eu continue a dar a máxima atenção para o meu filho... Isto até me dá um certo prazer: posso confortar as minhas pacientes com algumas palavras "Fica tranquila, isso é normal" ou "vá a urgência minha senhora, só para ver se está tudo bem"...
No meu caso "part-time" é poder fazer escolhas: eu prefiro fazer menos turnos de urgência, abdicar de noites e fins de semana, eu prefiro não ser a melhor médica do mundo, mas ser a melhor médica para as minhas pacientes, eu prefiro ganhar menos dinheiro e ser mais feliz.
Eu vou dar o que eu puder dar, até um limite. Eu espero que as pacientes entendam isso e a melhor forma de fazê-lo é ser honesta, mostrar que além de médica eu sou humana, sou mãe, filha, esposa, mulher e perco noites de sono porque o bebê chorou.
Minha escolha hoje é ser mãe, mas é incontestável que isto também me tornou uma médica melhor. Eu entendo cada dor e alegria que minhas pacientes estão a viver: eu já experimentei cada uma delas e não tenho medo de dividir minhas experiências.
Fernanda

Revolução por um mundo de trabalho mais flexivel !

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
No início, o homem saia de casa de manha para trabalhar e voltava à noite, enquanto a mulher ficava em casa como cuidadora dos filhos, da casa e do homem.
Depois surge a guerra e o homem parte para a guerra e à mulher é-lhe exigido para além do seu papel de cuidadora que seja trabalhadora. Desta forma a mulher provou do fruto proibido, gostou e não abdica. O mundo desde então mudou, mas muitas das exigências continuam a ser as mesmas: por o jantar na mesa, cuidar dos filhos, cumprir com as tarefas domésticas, lembrar as datas festivas e aniversários, comprar as prendas, agradar à sogra, ser companheira, amiga, boa vizinha, boa cidadã, boa colega de trabalho, ter bom humor, culta, ter corpo magro e belo, manter o marido sexualmente satisfeito, e mais… Ficaram tontas? Pois a sociedade passou a mensagem – e muitas e muitos acreditaram – que as mulheres podem fazer tudo, mas tem que faze-lo bem e ao mesmo tempo. É a materialização da Perfeição!
Porém esqueceram-se que o dia continua ter 24 horas – e não existe qualidade sem quantidade-, os filhos continuam a ser seres humanos e a mulher tb, continuamos com corpo e alma,  com capacidades e limitações, com necessidades emocionais, espirituais, racionais, profissionais, …. Isto é SOMOS IMPERFEITAS. E ainda bem que assim é.
Podemos fazer tudo? Não. Mas podemos estabelecer prioridades e satisfaze-las em tempos diferentes, em conformidade com o pretendemos para nós e para aqueles que amamos. Mas viver é isto! E torna-la mágica só depende de nós!
Nos nossos dias, para quem trabalha, cada vez mais a conciliação da vida familiar com a vida profissional tem um “preço” demasiado alto. As culpas, remorsos e as ausências inevitáveis, tentam-se colmatar: com inscrição dos filhos em colégios com a maior carga horária possível e em inúmeras actividades extracurriculares, com leva-los ao colégio de manhã, comprar o novidade em brinquedos ou jogos, viagens e passeios em agenda, tudo em forma de compensação.  Ora, por razões de necessidade económica, ora por necessidades pessoais ou até mesmo de afirmação, ou por todas em simultâneo, trabalha-se para pagar: o carro, casa, trabalho da empregada doméstica, colégio, actividades extacurriculares, os objectos que representam status social e económico, etc.
Esta realidade convive lado a lado com outras duas, não menos importantes e representativas da nossa sociedade: A daqueles em que que a sua preocupação não é conciliar a família e profissão porque estão desempregados. E a daqueles em que para não terem um conflito entre família e profissão, optaram –porque podem e querem- por dedicarem-se à família a tempo inteiro.
Ora, é tempo de mudarmos de evoluirmos. Nós e as gerações que se seguem merecem.
A flexibilidade no mercado de trabalho deve entender-se por aplicação de um Direito do Trabalho que espelha uma visão integral da vida profissional, não abdicando da protecção e garantia dos direitos dos trabalhadores. Pretende-se sim mudar a ordem das prioridades.
Flexibilidade não deve ser entendida como: trabalho e remuneração precária, trabalhos atípicos e abusivos, cadeia de mercado informal, actividades profissionais desordenadas, trabalhadores à margem da lei, vínculos laborais ocultos.
Flexibilidade deve corresponder a um novo olhar no mundo do trabalho. E pode concretizar de várias formas, entre elas: contratos trabalho flexíveis (com horários flexíveis de inicio e fim de expediente, semanas de trabalho mais pequenas ou alargadas, permissão de ausentar da empresa para tratar de assuntos de índole particular, compensando à posterior); Trabalho executado fora do local de trabalho; Redução do horário do trabalho; Trabalho em Part- Time e Tele- Trabalho.   
Para muitos talvez sejam estas as medidas contra Perfeição e para outros, como eu, uma forma óptima de obter equilíbrio “trabalho-vida” sem ter de abdicar da família.

Este post representa a minha participaçao na "Revoluçao" fantástica iniciada pela autora do Blog "A mãe que capotou" http://apanhadanacurva.blogspot.com/

Dadinha
http://dadinhahistorias.blogspot.com/2011/04/revolucao-por-um-mundo-de-trabalho-mais.html

Flexibilidade

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Hoje, um post (vários posts) deixou-me a pensar. Flexibilidade no trabalho, que bom que era…
Com frequência penso no que deixo de lado… Como trabalho, não acompanho e apoio o crescimento dos filhos como penso que necessitam. Se deixar de trabalhar que futuro lhes posso proporcionar?
E depois, conheço tantas mulheres que chegaram a uma certa idade, que não é preciso ser muita idade, e deixaram de ter oportunidade de trabalhar. Qualquer trabalho é uma bênção, a agarrar com ambas as mãos. Ainda para mais no interior.
Admiro as mães que conheço através de tantos blogs, que são mães a tempo inteiro. Às vezes pergunto-me se é opção ou falta dela? Não me revejo nesse papel a tempo inteiro. Recordo-me de um período em que estive desempregada. Recordo-me de me sentir inútil, parecia-me que não sabia fazer nada… Gosto de trabalhar, de desafios, do convívio com as pessoas.
Gostava sim de acompanhar mais os meus filhos, de estar mais presente. Ter tempo para os ir buscar à escola, fazer os trabalhos de casa com eles, ter tempo para brincar.
Estou um bocado cansada de ser a mãe que está em casa quando eles estão na escola, e que não está quando eles chegam a casa. Quando chego só dou ordens. Já fizeste os trabalhos de casa? Vai tomar banho! Vai por a mesa! Vá lá, come! Vai lavar os dentes! Vamos para a cama!
Só ordens e falta de paciência.
Já pensei várias vezes que gostava de trabalhar a meio tempo, ou com horário reduzido. Ganhar menos pode ser ganhar mais… menos dinheiro, mais qualidade de vida.
É um sonho que considero dificilmente concretizável.
Podia trabalhar por conta própria, mas que sei eu fazer? Não tenho um grande espírito empreendedor nem vivo numa região que facilite a sobrevivência de pequenos negócios.
Esperamos melhores dias… com o tempo tudo se resolverá, nem que seja quando os miúdos forem para a universidade. Fora de brincadeiras, acho que será antes disso. Para isso trabalhamos todos os dias, para procurar melhores soluções.


Barbara
http://meadadobada.blogspot.com/2011/04/flexibilidade.html

28 de Abril: pela auto-gestão do tempo de trabalho, marchar!

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
O tema foi lançado no post "Por um mercado de trabalho mais flexível, part-time lovers, uni-vos!", da mãe que capotou.

Um assunto que me diz muito porque ainda não fez uma semana que deixei o meu emprego, sendo que um dos fortes motivos para a minha demissão foi precisamente a inflexibilidade de horários.

Quando fui admitida "venderam-me" a história de que sim, era obrigatório "picar o ponto", mas caso fosse necessário sair mais cedo ou entrar mais tarde para tratar de qualquer assunto pessoal, não havia problema, era só registar um pedido de "troca de horas" e estava tudo bem.

Mentira.

Assim que tive o meu segundo filho e com ele surgiram as baixas por doença, as idas às consultas, os atrasos porque há vomitados pelo caminho que, pasme-se, obrigam mesmo uma pessoa a dar meia volta, ir a casa, lavar a criança e a cadeirinha e tudo o mais porque entregá-la vomitada à escola e deixar o carro UM DIA INTEIRO fechado com restos de uma refeição mal digerida NÃO É OPÇÃO e, sim, pasme-se outra vez, isto faz uma trabalhadora, que até tinha saído cedo de casa, chegar ao trabalho atrasada - oh que estranho!... - assim que tive o meu segundo filho, dizia eu, tudo mudou. A flexibilidade anunciada esfumou-se rapidamente.
De notar que o meu trabalho não exigia horário fixo, já que era programadora: estar ali sentada no meu lugar num imenso, barulhento e mal climatizado open space ou estar sentada em casa num puff na varanda a apanhar sol com o portátil nas pernas ía dar ao mesmo - o que deveria interessar era o produto final (um projecto sem erros entregue a tempo e horas), e não a aparência.
Sim, a aparência. Foi-me dito na cara que chegar tarde "ficava mal" (nunca disseram que ser pouco produtivo ficava mal... sintomático) - o que se responde a isto?....
Mesmo os "chefes" sabendo que eu era mãe de duas crianças, que não tinha ninguém que pudesse ficar com elas (tirando o meu marido, mas como ele tem uma empresa, nem sempre podia ficar em casa em meu lugar, embora até tenha ficado umas quantas vezes), era chamada a atenção constantemente pelas ausências e chegaram até a colocar a pontualidade com um objectivo nos meus KPI's (o que iria influenciar depois a avaliação de final de ano e, por sua vez, a remuneração variável: o bónus anual).

O horário não era mau (9 - 17h30) mas ainda tendo que ir buscar as crianças (cada uma à sua escola) e ter mais de 15kms para chegar a casa, acabava na mesma a cair naquela rotina de: chegar, tratar das crianças, jantar, então-há-recados-da-escola-tens-tpc's-espera-aí-deixa-me-aqui-fazer-legos-com-o-mais-novo-um-bocadinho, e pô-los na cama. E recomeçava tudo outra vez no dia seguinte, a correr, sempre a correr.
Não me sentia presente para eles e, pior, no pouco tempo em que estavamos juntos à semana, eu ainda estava sob efeito do stress do dia e acabava a ter pouca paciência para eles. Defeito meu, sem dúvida, mas tivesse tido a hipótese de escolher o meu horário ou de poder fazer parte do dia ou da semana em regime de teletrabalho, tudo seria muito diferente.
Essas hipóteses estavam foram de questão, então saí.

Arriscarei agora em projecto próprio, em parceria com o meu marido. Perco em rendimentos, perco em segurança (se bem que, nos dias de hoje, trabalhar por conta de outrem já não é tão seguro assim...), mas ganho muito em disponibilidade (quer mental, quer de horários) para estar lá quando é preciso. 
Há reunião com o educador/professor? Vou e fico até ao fim, sem correr, sem estar sempre a olhar para o relógio e sem ter de passar na secretaria a pedir a justificação da praxe.
Está um filho doente? Fico em casa a cuidar e a mimar, em vez de lhe enfiar uma colher de ben-u-ron ou brufen e entregá-lo(a) no infantário/ATL, a rezar para que não piore, com o coração completamente esmagado por ter de ir trabalhar.
Há uma exposição / festinha na escola? Vou ver ao vivo, sem ter de me contentar em ver o DVD uma semana depois....
Os dias estão mais compridos e eu agora consigo estar à porta da escola da mais velha quando toca para sair e já tenho o mais novo comigo, por isso ainda dá tempo de irmos a um parquinho durante meia hora antes de irmos para casa jantar. 
O trabalho? Pode esperar e ser feito "fora de horas".

Não há salário que compense os laços que se reforçam, os colos que se dão, as memórias que se criam. Pena que os nossos políticos, os nossos empresários e gestores não saibam disto. 
Pergunto-me às vezes: terão eles sido criados pela mãe, ou por uma empregada?... E os seus próprios filhos, como estão a ser criados?... 
E que sociedade é esta, em que a família tem de ficar para segundo e terceiro plano (quantas famílias são obrigadas a isto devido aos seus baixos rendimentos e até ao acumular de vários empregos?...), em que as crianças crescem empurradas de estranho em estranho mal conhecendo os seus pais (e estes a elas, claro)? E que sociedade vai ser esta, quando uma geração inteira de crianças que cresceu assim desapoiada, crescer e ficar ela própria encarregue de perpetuar valores para a geração seguinte? Quais irão passar? Compaixão? Solidariedade? Ou individualismo? Ambição?...
Revolução social, precisa-se, diria eu...
 
Sandra Noronha

Revolução - por uma mercado de trabalho mais flexível

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Cá estou eu, camaradas, a responder ao apelo lançado aqui.

Eu no meu trabalho.
Era uma vez uma rapariga que conseguiu subir à custa de muito trabalho e de muitas horas perdidas por lá. Em dois anos, conseguiu quase duplicar o seu salário e já tinha uns cargos de maior responsabilidade. E depois, estragou tudo, resolveu engravidar. De um momento para o outro, perdeu um terço do seu salário e foi encostada à box. Literalmente. Era ver os outros a trabalhar e eu, nada. Não me atribuíram nada.
Um ano e pouco depois, a rapariga resolveu engravidar outra vez. Ouviu coisas muito feias da entidade patronal, coisas como "isso é péssimo para nós, muito mau...". Voltou a ser encostada à box, com nova redução salarial. Ganhou juízo e ficou de baixa...
Hoje, ganho muito menos do que já ganhei em tempos mas trabalho das 10h00 às 16h00. É verdade que trago quase sempre muito trabalho para casa mas não me importo. Pedi para me reduzirem o meu horário e não entrar às 8h00 como outrora. Acederam. Será que tenho de dizer que são porreiros, pá?! Não sei...Perdi dinheiro mas ganhei tempo com os meus filhos. Acho que é uma melhor recompensa.
O meu ideal seria estar a 100% em casa com os meus filhos. Acho que os filhos têm de estar com os pais e não entregues a terceiros. Infelizmente, é uma coisa que não consigo pôr em prática. Acho que muitos problemas da nossa sociedade são o resultado da ausência dos pais na vida dos filhos... Aqueles depósitos de crianças são uma ***** (não sei como adjectivar) da vida moderna... Trabalho porque preciso de dinheiro. Não me realizo no trabalho. Nem sei muito bem o que isso significa!

Quando tenho os putos doentes e tenho de faltar, eles reviram os olhos;quando oiço histórias de mulheres que engravidam e são deslocadas para outros locais de trabalho a 60/80 km (e conheço tantas assim), quando se recusaram a dar-me redução de horário de amamentação, penso: não nos lixem, não nos quilhem, não nos fodam! Revolução de mentalidades, já!

Tella
http://migtella.blogspot.com/2011/04/revolucao-por-uma-mercado-de-trabalho.html

 

Mãe a tempo inteiro

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Este post é a minha contribuição para a união que foi sugerida por uma mãe aqui.
Também eu, por opção, estou em casa a cuidar da vida familiar (e dá-me ideia que de outra forma também estaria, por causa da crise...). Também eu estudei, a custo é verdade, mas estudei, para ter uma profissão, uma carreira... Mas não deu! Não tem dado... Porque os meus trabalhos têm sido sempre "a ver se dá"! Encontrei colegas que gosto e um chefe que fez referência à licença de amamentação, a que temos direito (e que me parece normal que assim seja), como um motivo para apontar falta de assiduidade da minha parte (!) E eu, que tenho muito mau feitio, não descansei enquanto não arranjei melhor. E encontrei. Um trabalho em que me deparei com dificuldades para entrar no ritmo e em que aprendi bastante em tão pouco tempo. Mas a crise e os cortes nas obras públicas acompanham-me... Voltei a casa, tinha o meu filho mais velho 1 ano. Já que estava em casa, decidimos ter o segundo filho e depois da criança nascer e passar um aninho, poderia voltar ao trabalho sem o "peso" das licenças de maternidade e de amamentação... Um dia o telefone tocou, alguém me queria a trabalhar outra vez. Era da empresa onde aprendi tanto. O meu mais pequenino tinha nascido há 15 dias... Esta é mesmo para eu nunca mais esquecer. E tive outros trabalhos, trabalhei com amigos e trabalhei numa área que pouco tem a ver com a minha. E deu para perceber que existem empresas que valorizam apenas determinados postos de trabalho. Que não reparam que muitos de nós até decidem abdicar do diploma, porque queremos é trabalhar, e bem se puder ser... É complicado voltar ao mercado de trabalho, porque as entidades empregadoras ainda procuram jovens com larga experiência numa determinada área, desvalorizando o gosto por aprender e as competências que cada um pode desenvolver.
Voltei para casa (também) porque me incomodava os meus filhos serem os últimos na escola, porque gastava o que ganhava em prolongamentos e almoços. Porque não os podia inscrever numa atividade desportiva que eles tanto queriam. Porque parece mal dizer que me apetece sair mais cedo para ir ter com eles à escola e comermos umas castanhas no dia de S.Martinho. E sim, porque eu reparo em pormenores...

Um dia, gostava de ter um negócio meu. Estou cansada de trabalhar para outros... Estou farta da crise... Estou farta de desculpas para que desvalorizem o trabalho de cada um. E estou feliz com os meus filhos. Eles inspiram-me todos os dias e ensinam-me a jogar xadrez :)
 
Amora
http://amora-myplaces.blogspot.com/2011/04/mae-tempo-inteiro.html

Revolução por um mundo de trabalho mais flexivel !

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
A sra do pbx, vulgo “mãe que capotou”, ergueu a voz e outras vozes se juntaram à sua…  Vozes femininas, de outras mães que, mesmo sem capotarem, se encontram na mesma viagem.  Os pais, até agora, permanecem calados, olhando em descrédito e com desconfiança para a revolução que as parceiras parecem teimar em fazer.
Eu ganho aqui a minha voz, e tento dar o meu contributo…
Sempre falei à boca cheia de como, se algum dia viesse a contribuir para a população mundial, queria ser mãe-trabalhadora.  Via-me, em todo o meu profissionalismo e competência, a equilibrar carreira, educação, brincadeiras e (sim, porque não?) me time na conta certa para ser eficiente em tudo (e, tal como a criança que diz querer ser astronauta, também eu vivia na inocente convicção de ser capaz de o fazer).  Depois engravidei…  Logo aos 4 meses e meio a semente que trazia e de que ainda não conhecia o género decidiu dar-me um “abre-olhos”…  “Ai julgas-te capaz de tudo?  Toma lá umas contracções e vai para casa durante uns tempos.”  Percebi, logo aí, que os meus planos eram como os PEC tão em moda: planificações a serem colocadas de parte, sucessivamente, sem fim à vista.
E, como se isto não fosse o suficiente para abalar a minha confiança, desde o momento que nasceu (apressado, sete semanas antes do previsto), o Alexandre parece ter roubado as outras crenças que tinha como imbatíveis.  A ideia de ser uma mãe desprendida, capaz de colocar limites, de impor regras, amiga mas não “amiguinha”…  tudo isso foi pelo ar assim que me dirigiu um sorriso que era só gengivas.  Conquistou-me e faz de mim o que quer (lamento dizê-lo!).
E isso leva-me ao mote da sra do pbx.  Ainda que não queira deixar de trabalhar por ter um pavor imenso de me estupidificar e perder a (pouca) capacidade racional que ainda me resta, a verdade é que, pensar que, com o meu horário de trabalho das 11h às 20h, só verei o Alexandre acordado umas 2 ou 3 horas por dia corta-me o coração!  Ainda não voltei ao trabalho (mais 2 semanas e meia e estou lá) e já me sinto incompleta, como se me tivessem cortado um membro sem direito a anestesia.  Sei que vou perder as primeiras palavras, os primeiros passinhos, todos esses primeiros que, para uma mãe de primeira viagem como eu, se tornam únicos.
Durante estes, quase, seis meses este pequeno ser que está agora sentado ao meu lado, na sua espreguiçadeira, deitou já por terra muitas das convicções e certezas que, ao longo dos meus 31 anos, reuni.  Tornou-se a parte mais importante de mim mesma e fez, inclusive, esquecer que durante 3 décadas houve uma existência sem ele…  Uma existência sem Felicidade (com maiúscula).  E é por isso que sei que, para mim, que, também eu, anseio por um horário laboral mais flexível.  Por achar que seria mais produtiva a trabalhar (trabalhar verdadeiramente, não apenas arrastar-me) durante 5 horas diárias do que passar o degredo de 8h a olhar para o relógio, tentando amedrontar os ponteiros a fazer, passo a expressão, uma corrida contra-relógio, de forma a sair o mais rápido possível e ir ter com o meu tesouro.  Acredito, piamente, que 5 horas de entrega total seriam muito mais produtivas que 8 horas que mais não serão que uma punição…
Kelita

Revolução por um mundo de trabalho mais flexivel !

29.04.11, flexbilizar ~ conciliar
Pois é e já 2 anos se passaram desde que me despedi,grávida da minha 2ª filha á procura de mais tempo para nós familia e a fugir das grandes desavenças com entidade patronal também por causa do tempo ou falta dele para a familia!
Desde ai fui muito mais feliz,mas com muitas mais dificuldades financeiras. Foi a escolha,a minha escolha. se foi a mais acertada eu acho que sim.
Contudo,além das dificuldades financeiras já sinto falta de não ser só a mãe! Mas infelizmente este país não dá oportunidade de ser mãe e poder exercer o meu curso! profissão que exige muito de mim muito tempo fora de casa e praticamente nenhum para as minhas meninas,para a nossa organização familiar.
Tenho procurado trabalho,em áreas diferentes da minha para que possa continuar a ser a mãe presente que eu gosto de ser e que as minhas meninas tem e querem ter.
Mas dos milhares de cv´s que enviei apenas de 2 obtive uma resposta e claro:" de momento nao precisamos dos seus serviços,mas ficaremos com o cv para futuro"
Part-times??? onde??? cá no Norte onde vivo? não encontro!
Não lembrei-me,encontrei para call-center 1 vez mas o horário era das 19h ás 22h. pois mesmo naquela hora que tem banhos,jantar,brincadeira,xixi,cama.
E então? que fazer?
Não acham que deviamos ter mais opções,não acham que as mães que optam por sê-lo quase em exclusivo que abdicam da carreira profisional em prol da familia,dos filhos,também deviam ter outras opções de trabalho?Mais flexibilidade de horários?

Daniela
http://princesafrederica.blogspot.com/2011/04/revolucao-por-um-mundo-de-trabalho-mais.html