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Flexibilizar para conciliar

Flexibilizar para conciliar

Tempo para participar no crescimento dos nossos filhos

10.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Tenho contrato efectivo há 10 anos. Ao princípio adoravam-me , eu estava sempre disponível, não tinha nunca horas de saída, enfim, fui em tempos uma verdadeira escrava do trabalho. Acontece que um dia nasceu a minha primeira filha, e eu tirei partido de todo o tempo a que tinha direito, ou seja, 5 meses com um mês de férias em cima. Quando voltei a empresa já nem parecia a mesma. Pedi o horário de amamentação e tenho orgulho em dizer que sim, que o aproveitei todo. É claro que já me começavam a encarar como a mamã que julgava que trabalhava no estado, já não tinha aqueles trabalhos mais interessantes porque esses exigiam trabalho a 12 horas por dia. Passado um ano disse que estava grávida pela segunda vez. Perguntaram-me logo para quando era antes de me darem os parabéns. Tive que ficar de baixa 2 meses antes do meu filho nascer e depois tomei partido outra vez de todo o tempo a que tinha direito. O que acontece hoje é que sinto-me neste momento como uma empregada a quem não conseguem despedir e que vai fazendo uma coisas , nada de grande responsabilidade dadas as limitações de horários que tem ( atenção que trabalho 8 horas por dia). Enfim, hoje a minha grande prioridade são os meus filhos e se pudesse queria ter mais tempo todos os dias com eles mas não posso abdicar do dinheiro de reduzir horário de trabalho.
Queria encontrar um trabalho mais calmo onde fosse reconhecida pela qualidade do trabalho e não pelas horas que estou em frente a um computador. Queria que houvesse respeito pelos pais quando marcam reuniões para depois das 17h00 da tarde, que não me encarassem como uma pessoa que já não tem vontade de melhorar na profissão só porque tem filhos e recusa-se a trabalhar mais de 8 horas por dia.
Precisamos de tempo para respirar ar puro, para fazermos outras coisas, para nos inspirarmos, e principalmente de tempo para participar no crescimento dos nossos filhos.


Filipa

Este país não é para mães e pais...

10.05.11, flexbilizar ~ conciliar

Depois, de por acaso ter desembocado numa série de blogs onde algumas mães publicaram as suas experiências de mães e pais neste país de mentalidades caducas, resolvi ressuscitar o meu blog para também acenar esta bandeira...tão pomposamente chamada de "conciliação entre a vida familiar e profissional".

E teria tanto a dizer! Eu que saí, quase directamente, da barriga da minha mãe para uma creche algures em Lisboa, a abarrotar de recém-nascidos, provávelmente em estado catatónico. Tinha um mês e estavamos em 1974! É verdade, a licença de maternidade era de um mês e chegou a ser de 15 dias!

Não me lembro de brincar com a minha mãe (ela já dava o que podia e não podia para nos manter vestidos e alimentados e manter as contas pagas) e ajuda para trabalhos de casa, nem pensar, muito menos a presença dela numa reunião escolar! Há 4 anos lá se conseguiu vir embora da empresa à qual deu o tempo que, estou certa, gostaria de ter partilhado mais com os seus filhos! Lembro-me de a ouvir dizer: "finalmente vou ter para os meus netos o tempo que não tive para os meus filhos". Morreu um ano depois!

Sei que não sou a única filha da creche e do infantário! Somos muitos e não é hora para lamentações mas há que "pôr a boca no trombone" e lembrar SEMPRE que ainda está quase TUDO por fazer! É certo que alguma coisa mudou, pelo menos na lei, no papel, mas o que está na lei, infelizmente, não muda o que está na cabeça das pessoas.

Quanda a minha filha tinha 2 anos enchi-me de coragem e resolvi reclamar um desses direitos legais, supostamente, consagrados. O direito a usufruir de flexibilidade de horário por ter uma filha com menos de 12 anos. Recebi cartas de várias páginas (registadas e com aviso de recepção) a explicar que não me podia ser atribuido esse direito porque tal iria afectar drásticamente o serviço (a palavra drásticamente ou algo muito semelhante estava mesmo contida numa das cartas, por incrivel que pareça).
Umas semanas depois o serviço onde trabalhava pediu superiormente que me fosse atribuido horário flexivel por conveniência do serviço. Rápidamente recebi uma carta a dizer que, por conveniência do serviço, teria o tal horário flexivel de imediato.

E onde fica a conveniência das famílias deste país que será cada vez mais para velhos porque não permitem que seja de outra forma? Num país onde a qualidade do trabalho é medida pelo número de horas que se queima no posto de trabalho e onde não se percebe que se um trabalhador precisa de 12 horas para fazer o seu trabalho ou tem trabalho a mais ou não sabe gerir o seu tempo de trabalho. Infelizmente, na maior parte dos casos acredito que muita gente fica a fazer missa de corpo presente porque só assim se é visto como um bom trabalhador.

Pora mim a opção é clara! Não há dinheiro a mais no salário, aprovação do chefe, necessidade de reconhecimento profissional ou olhares reprovadores, quando saio a horas, que se sobreponham ao prazer de disfrutar mais tempo da presença do pequeno ser a quem dei a vida. Se lamentar alguma alguma coisa que não seja não ter testemunhado cada pequena etapa do crescimento da minha filha. Mas saír a horas, é o mínimo dos mínimos. Onde está a consagração do direito a trabalhar em jornada contínua ou em part-time? Como é que se admite que a lei só atribua 30 dias por baixa de assistência à família (claro que todos gostariamos que as nossas crianças não adoecessem nem um dia por ano, mas...). Isto já para não lembrar as dezenas de mulheres que vão a uma entrevista de emprego onde lhes perguntam descaradamente se tencionam engravidar ou nas que não vêm o seu contrato renovado por estarem grávidas. Venham-me, então, falar do envelhecimento da população portuguesa que teria tanto para lhes esfregar na cara.

Este país é só para velhos...de mentalidade!
RR
http://saudacaosol.blogspot.com/2011/05/este-pais-nao-e-para-maes-e-pais.html

Flexibilidade sem precariedade nem becos sem saida

05.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Tenho andando a pensar nisto da flexibilização laboral, numa perspectiva mais macro, e a reflectir sobre os muitos textos que se juntaram já a esta ideia.
Assalta-me uma preocupação. A de associar a flexibilização laboral/ o teletrabalho/ o trabalho a tempo parcial, a uma coisa de mães e de mulheres. Penso que isso seria um grande perigo para a igualdade de género.
Conheço pessoas que viveram e trabalharam na Alemanha, onde o cenário é mais ou menos esse. Há muitas oportunidades de trabalho a tempo parcial e noutros regimes flexíveis. Há muitas prestações sociais para quem quiser optar por esses regimes ou por ser mãe a tempo inteiro. O reverso dessa medalha é que as infraestruturas de apoio à família - creches, infantários, ATL's e afins - funcionam também eles em regime parcial e são escassos, tornando quase impossível às mães (porque são quase sempre as mães, e não os pais a assumir essa responsabilidade) a ser obrigadas a trabalhar em part-time ou a não trabalhar fora de casa. Isto, associado a uma percepção social muito negativa daquelas mães que podem optar por ter uma ama ou outro tipo de apoio e continuar a trabalhar a tempo inteiro, que são apelidadas de «mães corvo» de forma pejorativa.
Ora, este cenário é, na minha opinião, de grande retrocesso em termos sociais.
Sou a favor de uma flexibilização que permita a todos, mães e pais, mas também qualquer pessoa que esteja interessada nessa via, conciliar a vida pessoal e familiar e o trabalho em regimes de trabalho mais abertos. Considero que deve ser essa a apresentação do problema - como um problema humano - e não como um problema das mulheres ou das mães. Não só porque não são apenas as mães que necessitam de ter espaço para a sua vida pessoal e familiar, mas também para combater uma imagem do trabalho flexível como algo secundário, e como uma via de afastamento das mulheres da vida laboral. Sem esquecer que estas vias devem, no meu entender, ser passíveis de ser escolhidas por todos, mas não «impostas» a nenhum grupo em particular, permitindo assim a verdadeira flexibilidade que reside na possibilidade de escolha do regime que melhor convém a cada um e a cada uma, e claro, às empresas e ao País.
Acredito, que, numa fase de crise económica como aquela que atravessamos, estas vias são um alternativa favorável ao país.
Mais trabalho parcial significa menos desemprego. Mais trabalho a partir de casa, significa menos custos logísticos para as empresas - garanto que o que a instituição para a qual trabalho deve poupar anualmente no que não gasta em aluguer de espaços, contas de água, luz e consumíveis que cada um e cada uma de nós, que trabalhamos a maioria dos dias em casa não gastamos, um valor muito considerável, que poderá inclusivamente traduzir-se em mais pessoas empregadas. Pessoas que perdem menos tempo nos transportes e que passam mais tempo a cuidar das suas famílias e vidas pessoais, são pessoas mais felizes e produtivas, e pessoas que contribuem indirectamente para o progresso social - seja pela educação dos filhos, seja por outras formas de intervenção social e voluntariado.
Isto é vantajoso para a sociedade, para as empresas e para os trabalhadores, sejam eles mães ou pais, ou nenhum dos dois. Se quiserem, claro está.

Trintona
http://acasados30.blogspot.com/2011/05/ainda-revolucao.html

Fazer valer direitos

04.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Vamos partir do princípio que os direitos são conhecidos... o texto do código de trabalho é bastante claro no capítulo da Maternidade/Paternidade e no das faltas justificadas.
São as consultas das crianças e as baixas das mesmas, são as férias em bloco com direito de preferência, são as reuniões nas escolas... o problema parece ser, não tanto o conhecimento, mas a forma de fazer valer direitos.
A actual mentalidade em relação aos direitos das pessoas dependem muito dos gestores e das respectivas preocupações, por isso com alguns pontos não há problemas e com outros é um drama. A palavra chave é depende.
E sim, temos direitos, mas o problema é a forma como os exigimos. Quem cumpre todos os seus deveres e é indispensável de tão bom profissional, pode exigir com má cara tudo o que quiser, tipo rei do mundo. Quem tem dificuldade em ser perfeito, como é o meu caso e o da maioria das almas, poderá descobrir que é muito mais eficaz seguir a estratégia que sugiro e vi resultar em tantas empresas.

Vocês já sabem como é que se fazem valer direitos e se precisarem de explicar aos vossos filhos a questão até parece bem simples. Como é que os vossos filhos devem fazer na escola, junto de professores, auxiliares e colegas, para exigirem os seus direitos? Regras simples:
1 – Ser sempre simpático e bem educado;
2 – Ser bom aluno, cumpridor das regras e respeitador dos outros;
3 – Perguntar, pedir e acima de tudo agradecer.

Vale para a vida toda. E quando pensamos nos conselhos que damos aos nossos filhos podemos aproveitá-los para nós mesmos – porque queremos sempre que sejam correctos mas que sejam tratados com justiça e respeito.

E agora como é que isto se passa para a vida real? Mais uma vez, é tão óbvio que nem sempre é visível.
1 – A postura de simpatia e atitude agradável para com os outros, assim como de cumprimento das mais elementares regras de boa educação são mesmo a melhor maneira de criar uma imagem de pessoa sensata, feliz, realizada, motivada. Não há nada pior do que a pessoa que se passa a vida a queixar e a choramingar, a falar mal do chefe pelas costas, em segredinhos e conluios nos corredores, mal humorado, agressivo, depressivo ou deprimente.... É fácil ter sempre um sorriso? Não, não é. A vida é muito muito dura. Mas não fica mais fácil se amarrarmos a tromba e se uma criança de 8 anos é capaz de esquecer as contrariedades e fazer um sorriso simpático, nós também somos.

2 - Eu que sou velha, aprendi há muitos anos, que a melhor maneira de fazer valer direitos é cumprir deveres. Há alguns deveres que fazem a diferença, como o dever de assiduidade e pontualidade, o dever de representação e o dever de respeito pela instituição. Não é isso que pedimos aos nossos filhos? Que sejam pontuais? Que cumpram as regras? Que evitem fazer figuras tristes ou desadequadas? Que se esforcem ao máximo para serem os melhores? Que se concentrem mesmo que esteja um dia lindo lá fora e os colegas não parem de conversar? Há uma coisa que todos sabemos, os melhores são sempre favorecidos, os melhores recebem sempre mais atenção e mais mimos, era verdade com os professores, é verdade com os chefes. Aprenderam na escola? Usem no trabalho.

3 – Finalmente a trilogia dourada: perguntar, pedir, agradecer. Perguntar qual é a melhor maneira de fazer as coisas, se as empresas têm recursos humanos é um bom ponto de partida ir lá perguntar como é que se pode flexbilizar o trabalho ou optimizar os tempos para garantir que estamos presentes para a família mas que não deixamos de ser excelentes como trabalhadores. Também podemos perguntar a colegas mais velhos como é que fazem para conseguir equilibrar as duas coisas. É muito frequente nas empresas haver vários casos de maior ou menor sucesso e podemos aprender com quem já conseguiu. Pedir ajuda é a segunda etapa, ao chefe, aos colegas, aos recursos humanos – preciso de ajuda porque está a ser difícil. Não é fácil pedir ajuda, mas pode operar milagres, porque as pessoas nos dão informação mas acima de tudo protecção. Por último, agradecer. Agradecer é a melhor maneira de garantir os direitos e o pleno usufruto no futuro, assim como potencia todas as garantias. Se hoje fomos à escola da criança e agradecermos efusivamente e em voz alta ao chefe porque nos “deixou” usufruir de um direito que temos, estamos a deixar todos os colegas tranquilos para gozarem dos seus direitos e assim mais gente a exigir produz mais resultados, mas melhor do que isso, a gratidão é um sentimento inspirador e o chefe vai sentir-se tentado a dizer que não foi nada, a destacar que merecemos porque trabalhamos bem e a facilitar futuras oportunidades de ser elogiado publicamente como uma “pessoa de bem”.

Se há lição que retiro de anos a lidar com pessoas é que quando tratamos as pessoas como se elas fossem “as maiores” estamos a trazer ao de cima tudo o que a pessoa tem de melhor. Vale pelo que vale, quem quiser que experimente e conte os resultados. E esta sim seria uma maneira bonita de começar uma revolução – com um sorriso, com alegria, com vontade de ajudar todas as pessoas a serem melhores, até os chefes!

Depois é uma questão de fazer contas. Podemos cortar nas despesas e optar pela vida no campo e viver só com um salário. Podemos gerir as nossas inseguranças e apostar na carreira independente. Mas também podemos apontar para duas alternativas: teletrabalho e trabalho em part-time. Existem algumas figuras que só conheço da função pública como as jornadas contínuas, que podem ser adaptadas nas empresas e em alguns casos com bastante sucesso em que as trabalhadoras deixam de ter hora de almoço e podem sair uma hora mais cedo. Depende das funções e das vantagens para a empresa.

Em relação a apostas mais estranhas de organização do trabalho há algumas figuras que podem ser úteis: levar trabalho para casa e criar a fama de estar a trabalhar até tarde mas ter o trabalho adiantado (lamento avisar que aumenta a carga de trabalho e não temos tempo para fazer concorrência aos colegas sem filhos!); gestão de tempo, nosso e dos outros, se nos especializarmos na matéria e começarmos a ajudar os colegas mais desorganizados, rapidamente a empresa se dará conta de que sabemos do assunto e mais aberta estará para as nossas sugestões; perspectiva da empresa que tem que sair a ganhar porque sim, e se os nossos argumentos não convencem o chefe porque ele é estúpido, ignorante, tacanho, arrogante, gosta de aborrecer.... então estamos a escolher mal os argumentos, porque se somos assim tão espertas, humildes e prontas para agradar, rapidamente conseguimos encontrar os motivos certos para a nossa flexibilidade.

Depois de ter passado por empresas diferentes e de ter visto muitas realidades profissionais em diferentes áreas do país e sectores de actividade, posso acreditar que “cada caso é um caso” e em todos existe uma solução. Depende da abordagem, da flexibilidade pretendida, do que pretendemos dar em troca.

Acho que a primeira dificuldade está em perceber que quando nós queremos ser mães e profissionais, estamos a aceitar o dobro do esforço. Queremos ter tudo o que tem uma mãe que está em casa e queremos ter tudo o que tem uma colega sem família – porque temos direito.
Até posso concordar que temos direito ao melhor dos dois mundos, mas também temos o dobro do trabalho, do esforço do stress.
Nós não compensaríamos de igual modo uma empregada doméstica que chegasse sempre atrasada, que faltasse imenso porque legalmente tinha direito aos dias para tratar dos filhos e que passasse o tempo a queixar-se dos seus legítimos direitos.... e outra que fosse cumpridora, bem disposta, disponível e motivada, mesmo que por vezes nos pedisse um dia para tratar dos seus rebentos arranjando maneira de nos compensar quanto mais não seja emocionalmente.

Estou à disposição se quiserem ver questões concretas, se tiverem perguntas directas sobre casos vossos ou conhecidos. Farei o melhor que sei. Não sou jurista, pelo que tenham cuidado com as alhadas em que se metem, mas tenho bastante experiência em ambientes laborais e posso dar dicas e ideias assim como quem está a ver de fora ;)


Ana Teresa Mota
Consultora em Recursos Humanos

Comenta publicamente ou envia-nos a tua questão para o legislacaoparaflexibilizar@gmail.com

Conciliação (Noruega)

04.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Ainda não sou mãe, mas na minha opinião este problema não se resume
apenas às mães.
Em 2009 participei num programa de geminação entre organizações
portuguesas e norueguesas, para a conciliação da vida profissional e
pessoal, e é essa experiência que gostava de partilhar.
Todos sabemos que a sociedade Norueguesa tem um elevado nível de
produtividade. Poucos sabemos que privilegiam, e muito, a conciliação
não da vida familiar mas da vida PESSOAL com a vida profissional. Qual
a diferença? Fora o trabalho, as pessoas não são só mães ou pais, são
também mulheres e homens que precisam de um bocadinho de tempo para
si, para conseguirem maximizar o tempo que têm para a família e até
para o trabalho.
Na Noruega a questão da conciliação torna-se mais fácil porque está
inteiramente regulamentada por lei. As mulheres podem tirar um ano de
licença de maternidade paga, e nos primeiros anos de vida dos filhos
podem escolher colocá-los numa escola ou ficar com eles em casa,
recebendo o valor que o estado pagaria pelo infantário dessa criança.
Pouca gente trabalha à sexta-feira à tarde, e há flexibilidade de
horários. Assim, se num dia precisares de entrar às 11h00 porque
tiveste que acompanhar um filho a uma consulta, tudo bem. Podes
trabalhar até mais tarde, se precisares. O trabalho organiza-se por
objectivos, e ninguém é mal visto por sair mais cedo. Antes pelo
contrário: Se sais cedo és considerado produtivo, atingiste os teus
objectivos mais rapidamente.
O expediente diário termina mais cedo, porque não há uma hora e meia
para almoço. Há uma pausa de 30 minutos, que serve para comer qualquer
coisa e esticar as pernas. Como o dia de trabalho dura 7h30, começam
às 8h e às 16h estão a sair. O que dá mais que tempo para ir buscar os
filhos, levá-los às aulas de ski, ballet, futebol ou qualquer outra
actividade. As empresas proporcionam os chamados serviços de
proximidade aos colaboradores, que representam um custo mínimo para a
organização e uma grande mais-valia para os colaboradores. A título de
exemplo, vão à farmácia pelo colaborador, levam uns sapatos ao
sapateiro, algumas até têm serviços que permitem ao colaborador levar
o jantar já feito para casa!
Quando os filhos crescem, muitas mulheres optam por uma redução da
carga horária, da forma que mais lhes convêm: Algumas optam por
trabalhar menos duas horas por dia e ter uma redução de 10h/semana,
outras optam por trabalhar menos dois dias por semana, tendo uma
redução de 15h. Por lei, esta decisão não pode ser contestada pela
entidade patronal, e a pessoa não pode perder a oportunidade de
ascensão na carreira. Para equilibrar e garantir a paridade de género,
há quotas que tanto organismos públicos como empresas privadas são
obrigadas a cumprir: Por cada X homens em cargos de gestão de topo,
têm que existir Y mulheres.
Espero que o meu contributo ajude de alguma forma, e estou disponível
para participar no que acharem necessário.

Beijinhos,
Erica

Direitos adquiridos, cumpridos e reclamados

04.05.11, flexbilizar ~ conciliar
A Angelina Jolie (atentem na referência altamente revolucionária e erudita) tem algures tatuado uma frase dos Clash : "Know your rights" - ela acertou não só no namorado e no regime alimentar, mas também no que gravou na pele.
Este texto, por mais contestado que seja, aponta-nos o dedo ao perigo de um protesto não-esclarecido "Só conhecendo integralmente os nossos direitos, podemos perceber em que sentido nos é possível avançar. Como saber o que podemos ter se não soubermos o que já temos?".
Amanhã, 4a. feira, Ana Teresa Mota, ex-directora de recursos humanos, actual mãe a tempo inteiro, toda flexibilizada em consultoria através do coaching online, vai-nos explicar, a flexibilidade e os direitos que já temos e, o mais importante, a melhor forma de os reclamar.
Mais, vai estar disponível para responder a pergundas indiscretas, trabalhar alternativas profissionais e até dar coaching, se for preciso. Entretanto, em caso de urgência aqui encontram tudo o que precisam de saber sobre o que já é nosso.

Flexibilizadamente vossa,
Ernestina

Por uma fexibilização sustentada, altruísta e com perspectiva social

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Agradam-me as mudanças e aceito tudo o que signifique mudar para melhor. Mas confesso que no "Revolucionar para Flexibilizar" tenho lido muita coisa que me tem deixado de pé atrás e que tem a ver com a falta de conhecimento de algumas mães, coisa que me choca muito partindo do princípio que a maioria tem formação, informação e acesso livre e frequente ao conhecimento. As mudanças que não são sustentadas não levam a bom porto. O princípio é nobre e excelente, mas tenho dúvidas de que as pessoas o compreendam na totalidade :
1. Como é que uma mãe que não tem coragem para simplesmente informar que vai gozar o período de 2 horas por dia amamentação (que está na lei) pode ter coragem para exigir flexibilidade no horário de trabalho (que ainda não está na lei)?
2. Como é que uma mulher que não tem coragem para simplesmente informar que, após o nascimento do filho, regressará ao final de 5 meses (que está na lei), pode ambicionar uma licença de parto semelhante à dos países nórdicos (que não temos ainda)?
3. Que direitos pode pedir uma mãe que desconhece os que já tem?

Infelizmente é o que eu tenho visto mais nos textos que tenho lido: desconhecimento profundo da realidade. Isso pode ser suicídio em qualquer revolução.
Mais: para revolucionar nenhuma mãe pode centrar-se apenas no seu caso particular, mas ter uma noção global do estado das coisas. Uma revolução destas faz-se pelo bem da sociedade e do futuro e não para resolver uma situação individual ou para compensar uma revolta interior contra um determinado patrão ou chefe.
NUNCA deixei de exercer os meus direitos: não falto a uma reunião na escola, não falto nas festas do dia da mãe, sou eu que os levo ao médico, usufruiu da licença de parto na totalidade e também da licença de amamentação. Sobra-me tempo para mim? Sobra, sem dúvida! É uma questão de gestão do tempo. É suficiente? Não, claro que nunca é quando está em causa a tarefa de educar. Mas não se pode construir a casa começando pelo telhado e creio que há muita gente a querer construí-la pelo telhado.
Muitas mulheres e muitos homens lutaram demasiado para termos os direitos que temos. Temos que lhes fazer jus antes de mais nada, em vez de adoptarmos o discurso do "ah, exercer direitos não vale a pena porque nos despedem". É gravíssimo que uma mulher pense isto (a não ser que esteja sem contrato). É gravíssimo que uma mulher não saiba que um salário NÃO pode ser baixado (a não ser que seja pago por baixo da mesa). É gravíssimo que se vire as costas ao conhecimento, à informação, e depois se venha reclamar situações e benefícios para os quais as empresas e o país podem não estar preparados. Porque é preciso pensar nisso. Pensar na estabilidade das empresas também, porque as empresas são o motor da economia do país e no que toca à economia estamos como se sabe... na lama. E lembrarmo-nos que nem
todas as funções podem ser flexibilizadas.

Queria que percebessem que nada disto significa que eu discordo da flexibilização. Pelo contrário. Só acho que ela deve ser sustentada, altruísta, ter uma perspectiva social. E tenho pena de não ver essa visão numa grande parte dos textos que tenho lido no novo blogue. É tudo "eu, eu, eu, eu, eu, o meu marido, os meus filhos, eu, eu, eu...". Não se muda o mundo chafurdando no umbigo. Muda-se o mundo para se deixar uma herança. Que perdure para além de nós e dos nossos interesses particulares.

Uma notinha extra: e os pais, os homens? Não entram nesta história?
Não têm direito a nada? Não têm nada mais para conquistar ?

Um abraço
MP

Flexibilização

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Acredito que a forma como um país
encara e protege a maternidade (no seu sentido amplo) diz muito sobre
a sua capacidade de evoluir, de se tornar melhor e de dar mais aos
seus. Educar é investir. Mas como se trata de um investimento cujo
retorno muitas vezes só se vê 20 ou 30 anos depois, e como os
portugueses têm visão de curto prazo e estão concentrados nos
resultados imediatos, a maternidade em Portugal sofre. Sofrem as mãos,
sofrem os filhos, sofrem os pais, sofrem as entidades patronais,
sofrem os clientes.
Contudo, mesmo achando este movimento nobre e consequente, creio que é
preciso cimentar algumas coisas que este país ainda não
consciencializou como dados adquiridos: os direitos fundamentais
associados à maternidade. Eles estão na legislação e, graças à
internet, estão acessíveis à maioria das pessoas. Mas atenção: há uma
boa parte das mulheres portugueses que nem sequer conhece bem esses
seus direitos elementares enquanto mães. Muitas mulheres não sabem,
por exemplo, que faltar ao trabalho para a consulta de obstetrícia (e
para qualquer outra) é um direito, uma falta justificada. Muitas
mulheres pensam que a licença de parto é um favorzinho da entidade
patronal. Aquelas que estão a recibo verde são um caso à parte. Mas as
que têm contratos de trabalho ou estão efectivas têm que perceber de
uma vez por todas que NINGUÉM lhes pode tirar o direito à licença de
parto, que não podem ser pressionadas para abdicar dele por causa ou
necessidade nenhuma! Muitas mulheres não gozam o direito à
flexibilidade de horário para amamentação (2 horas por dia) porque
também não sabem que ele está consagrado na lesgislação e algumas nem
sequer querem usufruir dele com o argumento de que têm muitas
responsabilidades no trabalho (como se as outras mulheres fossem umas
inúteis dispnesáveis). Muitas mulheres ignoram que NÃO é um favor da
empresa o facto de poderem sair para levar os filhos a consultas
médicas, poderem ficar com eles em casa em situações dce doença e irem
à escola com alguma regularidade para tratar dos assuntos respeitantes
à educação dos seus filhos. Contudo, tudo isto está consagrado na lei.
Só não sabe quem não quer saber.
Podemos perguntas: mas isto é suficiente? Não podemos ir mais longe?
Bolas, podemos, então não podemos? Podemos e devemos? Mas antes de
darmos um passo no sentido da flexibilização, devemos dar muitos no
sentido do esclarecimento, sob pensa de estarmos a construir uma casa
de bambu que facilmente vai pelos ares ao sopro dos lobos maus que
andam por aí à solta. A informação, o conhecimento, são as melhores
armas de que um cidadão dispõe para poder tornar-se livre. Só
conhecendo integralmente os nossos direitos, podemos perceber em que
sentido nos é possível avançar. Como saber o que podemos ter se não
soubermos o que já temos?
As mulheres estão cansadas, desgastadas, exaustas e, apesar disso,
quase todas felizes por serem mães. Mas a verdade é que muitas delas
não querem sequer saber os direitos que já têm. É legítimo que exijam
mais quando nem sequer conhecem o que já foi conquistado? E se
começássemos isto por outro lado? Pelo lado da informação, do
esclarecimento? Há certamente entre os vossos leitores pessoas de
diferentes especialidades técnicas que podem contribuir para isso, a
par e passo com as vivências e experiências pessoais de todas as mães
que podem continuar a atiçar este sentimento positivo e de mudança.
Pedir mais sim! Exigir mais sim! Mas em plena consciência, sempre.

Obrigada





MP (Mãe Preocupada)

Estou de acordo, mas não concordo...

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
E porquê? Ora, para a dita flexibilização poder ter lugar será necessário que mãe e pai se entendam e disciplinem. De contrário, capotam mesmo. Por mim falo : não consigo concentrar-me em casa para qualquer actividade profissional enquanto a garotada por ali anda à volta solicitando atenção, ou não. Aquele é o espaço e o tempo que lhes é devido. Trabalhando em casa não é dificíl interromper hora a hora a tarefa. Tal não favorece a minha prestação profissional, garantidamente. Quer se queira quer não, quem fica em casa fica também (facilmente se subentende) mais "disponível" para ir buscar à escola, levar à ginástica, depois ir levar à natação. Depois à música e ao jardim e a avó ainda não nos viu esta semana... e... bom, na minha opinião (vale o que vale) esta é a verdadeira falácia da flexibilização, uma vez que a flexibilização já é intrinseca ao papel de mãe. Acontece é que mãe também é outras coisas. Parece-me que deve é voltar a ser trazido à baila a igualdade de participação do pai na maternidade: Onde este participa e flexibiliza? Até onde as mães deixam? Será que as mães sabem que as tarefas são para ser da responsabilidade de dois? Ou querem ser super-mamãs super-profissionais super-mulheres super-justas e ...? Mas quem andou a convencer as mães de que elas têm que estar sempre presentes em tudo na vida dos filhos? As mães tendem a perder-se no caminho da maternidade pela quantidade de descobertas que fazem ao longo desta. É um caminho que talvez não seja o seu, mas sim, dos seus filhos. Defendo que "tempos" e "espaços" devem ser respeitados. Assim como não deve haver crianças no trabalho não deve haver pais nas salas de aulas nem nas creches. Assim como os espaços laborais não estão adapatados a receber a criançada também em casa não deve haver o escritório onde o pai ou a mãe passam 98% do tempo que está em casa. Ainda não capotei, (não tem sido fácil) mas penso ter conseguido respeitar a profissão (e já só tenho 1 emprego + uma actividade profissional) e as necessidades dos meus filhos (1 adolescente e+ 1 pré-adolescente). Claro que também fui (e sou) flexível: Os filhos já tiveram que me acompanhar ao local de trabalho, e, o trabalho, por vezes, acompanhou-me ao local das actividades familiares. Tenho presente que um dia serei novamente chamada a flexibilizar-me um pouco mais: não fui ainda chamada a responder enquanto filha. Os meus pais ainda não precisam de cuidados e atenções especiais. Quando tal acontecer (espero que esteja longe o dia) , talvez aí vá encher o peito (e os k me conhecem vão desencorajar-me a fazê-lo) e vou gritar a plenos pulmões. FLEXIBILIZEM QUE EU AGORA DÁ-ME MAIS JEITO ESTAR A TRABALHAR (MAS SÓ SE FOR DAS 21H00 ÀS 3H00, CLARO!!) Mas isto, parece-me francamente egoísta. Daqui, remeto para o título do comentário: Estou de acordo, mas não concordo. Fico-me por aqui, que o comentário já vai longo... (vê-se mesmo k nunca ando nestas andanças..)

Um beijinho para a mãe que capotou...
desta mãe um pouco louca
SuLouca