Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Flexibilizar para conciliar

Flexibilizar para conciliar

Quem tem medo do lobo mau ?

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
O metro estava a abarrotar de hormonas de crescimento, ninguém tinha pago o bilhete e o ambiente não andava perto dos estádios de futebol quando o Sporting ganhava campeonatos. Viva o Sporting ! (sim, ainda existimos). Chegados à 5 de Outubro era difícil furar até ao Ministério da Educação, estavamos em 92 a protestar contra uma PGA que a mim, muito provavelmente injustamente, me favoreceu à grande. Havia estudantes em cima das árvores, dos carros que mais tarde rumaram à garagem, estudantes em cima uns dos outros. Havia incitações a cânticos que eu, púdica linguística na altura não assumida, não cantava discretamente e um movimento de rabos de rapazes à mostra a que, hélas, o Francisco do 12°D não aderiu. O ministro da educação da altura era mandado para todo o lado, às vezes para sítios não tão desinteressantes assim. Fui-me embora a meio, já aos 17 anos, o preto e branco não eram as minhas cores preferidas.
Hoje, a reclamar a flexibilidade, de que todas precisamos como da água para a boca, mais uma vez ganha a tendência ascentral e tão cativante do voodoo. Personifica-se o mal, neste caso o papel do bicho calhou ao sr. empregador, e toca de lhe espetar agulhas e queimá-lo numa fogueira onde mais tarde vamos aquecer mushrooms, de que nem sou fã. E corremos o risco de repetir aqui o que repetimos no café ou nos corredores das pausas de cigarro ou no facebook e não vamos a lado nenhum, ou chegamos lá muito mais tarde. Da parte que me toca, tenho pena, mas preciso de um part-time a partir de Novembro-Dezembro, estou com pressa, e vou fazer como sempre fiz e muitas vezes me tenho dado bem, vou convidar o lobo a tomar um chá.
Vou perceber o lado dele e explicar-lhe o meu, sei que nestas coisas da revolução pedir o impossível está na berra - aí o que eu gosto do slogan "soyez realistes : demandez l'impossible", os franceses sempre foram muito bons nesta coisa do marketing político, verdade seja dita - mas eu, mais o meu amigo lobo, não temos paciência para lirismos e vamos tentar negociar. E comer o máximo de scones que conseguirmos.
Alguém mais é servido ?

A movimento pode continuar, mas vamos ter que nos revolucionar muito mais do que o que, se calhar, estavamos à espera.

Resumo para os mais apressados : vamo-nos juntar todos, nós (muitos, muito), mas eles também, com conhecimento de causa e do outro campo, e vamos, sem perder tempo com tretas, mudar o mundo rapidamente, que não tarda nada tenho que ir à piscina. 

Ernestina ou a Mãe que capotou

O bem estar do trabalhador no local de trabalho passa também pelo bem estar em casa

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Sejamos honestas..

Não me posso queixar!

Tenho um Chefe muito pouco fléxivel, mas que sabe quais são os meus
direitos.. Não contesta quando "preciso" deles.. Não gosta, mas não
refila!

Se preciso de ficar com os miudos em casa, fico.
Se preciso sair mais cedo, saio.
Se precisar chegar mais tarde, chego.

Tirei os 5 meses de licença ( minha opção) e Utilizei a licença de
aleitamento até fazer 1 ano com os horários reduzidos!

Se por algum acaso preciso de sair mais tarde do trabalho, saio.. Ou o
Pai dos outos o a avó ficam com eles.. Sem problemas..

Saio cedo de casa, mas comigo só levo um para a creche.. os outros vão
com o Pai..

Sei que, se precisasse de ser eu a deixa- los a todos na creche/
escola poderia pedir um horário flexivel.. bastaria para isso entrar
ás 9.00 em vez de entrar ás 8.30 e sair ás 17 em vez das 16.30.. Mas
não preciso.. Ainda!

Quando chego a casa por volta das 6 já lá estão todos.. com a minha sogra!

Tenho tempo para ir às ginástica.. tenho tempo para jantar calmamente
com os meus filhos.. de ir dar o beijinhos á cama e ainda de ficar na
conversa com o meu marido!

Mas tenho noção que há por aí muita chefia "malandra"..
Sei que há muito que batalhar..

Sei que tenho sorte!

Acredito que se esta flexibilização fosse geral as empresas, os
empregadores apenas teriam a ganhar..
O bem estar do trabalhador no local de trabalho ´passa também pelo bem
estar em casa.. e se alguem se sente culpado por não poder fazer mais
em casa, como poderá fazê-lo no trabalho?

 "A mãe dos 3"  (http://euemaisalgumacoisinha.blogspot.com)

O trabalho é uma troca e deve ser saudável e feliz

02.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Há dois anos, mais coisa menos coisa, pus fim a uma pretensa carreira no jornalismo, sobre a qual não me vou perder em conjecturas. Creio que o motivo mais forte seja esse maldito estado de amor sem retorno, que desgastou de tal forma a relação ao ponto de, pura e simplesmente, já nada existir entre nós. Eu sou assim. Demoro a desiludir-me, mas quando o ponto final surge, é redondo, pesado e, quase sempre, definitivo. Nessa profissão, em que se exige uma relativa disponibilidade, vi-me muitas vezes confrontada com um duelo desigual entre dar o melhor de mim a uns e a outros. É que para mim, a realização pessoal vem muito do trabalho. Assim como produzir, fazer parte. Somos todas diferentes, neste capítulo. Sem mágoas, apercebi-me que poderia continuar a dar o meu 100%, se este 100% fosse entre as 9h00 e às 18h00. Para uns, poderia parecer pedir muito; na minha óptica era lógico e útil. Era uma questão de compartimentalizar os trabalhadores e colocá-los nas áreas/ horários em que mais produzem. Não me consideraria beneficiada se assim tivesse sido. Mas não foi. Nunca é. Sem rectaguarda familiar, sei muito bem que as faltas para estar com os meus filhos eram toleradas, mas davam de mim a imagem real: eu era mãe. Uma mãe precária, a recibos verdes. Com tudo o que isso implica. Das licenças da maternidade, sentia a pressão que eu própria me impunha e aquela que sentia como uma camada densa, a pairar em cima de mim. Pediram-me que estivesse apenas dois meses de licença. Eu fui até aos três e o pai, que pode, cumpriu o resto. Mas o pior eram as doenças. Os meus filhos, cada um anos diferentes, adoeciam muitas vezes. Cheguei a fazer entrevistas e a escrever textos com eles ao colo, porque não queria deixar o jornal sem notícias que eu considerava importantes. Sim, tenho muito brio. Brio no que faço e respeito pelo órgão de comunicação social que me empregava. A dada altura, quando a crise chegou em força e me levou amigos, atirados para a rua de qualquer maneira, a pressão, que já era muito, foi recaíndo sobre mim. Era preciso dar mais. Dar cada vez mais e sem contrapartidas. E agradecer, agradecer muito pelo pouco que tinha, porque havia colegas em situação pior. Este tipo de psicologia nunca funcionou comigo. Os meus filhos e a minha família mereciam melhor. Mereciam que eu me respeitasse, primeiro a mim, depois ao mundo. Afinal, eu estava a fazer sacrifícios para quem e porquê? Por perfeccionismo? A esta altura, isso já não chegava. Eu queria, ó utopia, ser valorizada, aumentada, como todos os trabalhadores. E queria, sobretudo, não sentir que estava a falhar redondamente quando a minha família ficava em primeiríssimo lugar. Eles nunca mereceram menos do que isso.Senti a pressão do fracasso (o que eu me auto- induzia e o que os outros me faziam sentir) em força no internamento da mais nova no hospital, durante uma semana. As pessoas compreendem, mas ficam com aquele tom de “se tem de ser...”. O trabalho é uma troca e deve ser saudável e feliz. E eu já não era feliz. Já nem sentia remorsos quando, numa urgência, me mandavam para Espanha em trabalho e eu recusava. Simplesmente, não podia ir sem fazer planos com antecedência. Acho que o fim da relação foi quando contaram as peças jornalísticas que eu tinha feito no mês e alguém insinuou que eu andava a produzir menos (que é feito da qualidade, em detrimento da quantidade?). Comecei, por fim, a perceber que ninguém estava interessado em bons trabalhos. Era mais o reino do fax, ao estilo de fábrica de letras, em que se premiavam os medíocres. Vim embora. Vim embora de cabeça bem alta e passei os dois piores e mais intensos anos da minha vida. O mundo continuou. O jornal também. Não tenho saudades ou remorsos. Em Setembro de 2010 criei o meu próprio negócio. A patroa é exigente, mas é justa. É perfeccionista como sempre. E pode trabalhar doze horas non stop se for preciso, mas, no dia seguinte, se lhe apetecer pode ficar com os filhos só para os amar ou levar ao médico. Assim, com justiça.

Luz de Estrelas/Isabela Sousa

www.projectcyrano.blogspot.com

Flexibilizar e fazer parte integrante daquilo a que apelidamos família

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Uma causa justa e válida, com tanto significado, que condiz na perfeição com a data que hoje se comemora.
Há dias mais do que outros, vá, muitos dias mesmo, que vemos a falta de flexibilidade como algo que gostaríamos de extinguir do nosso vocabulário e do nosso estilo de vida.
Damo-nos conta disto quando faltamos a uma reunião na escola, quando recusamos colaborar com o corpo docente alegando falta de tempo, quando ficamos incrédulas com aqueles sapatos ainda novos que deixaram de servir porque os seus pezitos, crescem tão depressa.
As desculpas para não ir ao parque multiplicam-se, a história que à noite lemos a correr porque há um infindo número de tarefas à nossa espera, os berros constantes pela manhã porque é tarde e o relógio não pára e já estamos atrasados e mais não sei o quê e despacha-te que estamos em cima da hora. E vale tudo, até pensar que a culpa não é nossa, é dos cachopos imbirrentes que não se levantaram a horas, que ficaram a preguiçar mais cinco minutos, que acordam, ainda nem o dia amanheceu e estão tão dormentes a beber o leite que até a caneca preferida lhes escorrega das mãos e lá se sujam.
Vale-lhes mais um ralhete e um castigo qualquer, só porque dá jeito e sempre se descarrega alguma fúria.
E somos tudo, menos flexíveis e tolerantes.
Somos tudo, menos mães presentes e disponíveis.
Apregoamos que fazemos tudo, mas não temos tempo para os ver crescer.
Somos tudo e achamos que tem que ser assim, que de outra forma não é possível e que reclamar o que quer que seja, mesmo que seja só mais um bocadinho de tempo, é ser exigente e egoísta.
Basta!
Reclamar tempo para a família e para os filhos é um acto de loucura, dizem uns e pensam outros, mas não imaginam, que afinal essa flexibilidade que nem sequer reconhecem, os torna prisioneiros de si mesmo.
Essas amarras que os prendem à vida a um ritmo desconcertante, formam um emaranhado tal,  de um enleio feroz, que só um corte, é capaz de devolver o fio da meada.
Pela flexibilidade, vale qualquer luta, vale o nosso grito, se quisermos fazer a diferença e fazer parte integrante daquilo a que apelidamos família.
Pela flexibilidade, sempre


Mulheres: Venha daí essa revolução!

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar

Ponto prévio: Dadas as imprevisibilidades do meu trabalho, estou a escrever este texto antes do dia 28, em várias fases. Sim, eu escrevo posts no trabalho, porque em casa estou sempre com o meu filho, e quando estou com ele é difícil estar parada e impossível estar no computador. Às vezes também trabalho em casa, com o computador ligado, mas aí acho que tenho de aguentar os nervos de ter o rapaz ao colo a tentar alcançar as teclas ou de ter de lhe ralhar para me deixar trabalhar.
Mas, ao que interessa, ou seja, ao repto da Mãe que Capotou e à revolução de 28 de abril por um mercado de trabalho mais flexível.
Eu nem sei se devia estar a participar nesta revolução, mas a Ernestina foi tão convincente e persistente e gosto tanto de revoluções e nunca fiz nenhuma que me rendi.
Na verdade, não gosto muito de ouvir falar em flexibilizar o mercado de trabalho, porque associo a palavra à precariedade e já tive uma boa dose disso (ainda tenho - vou no terceiro contrato, não sei quantas renovações me esperam, ou se o que me espera é um pontapé no traseiro), mas considero que é preciso mudar alguma coisa.
Portugal é dos países onde as mulheres estão mais fortemente inseridas no mercado de trabalho, onde há menos trabalho a tempo parcial, onde elas tem jornadas de trabalhos das mais longas e onde elas passam mais tempo ocupadas com trabalho doméstico. O resultado disto não pode ser bonito. A maior parte de nós trabalha fora de casa a tempo inteiro, tem horários de trabalho exigentes e quando sai do trabalho continua a trabalhar em casa. Não pode ser bonito...
Precisamos de trabalhos a tempo parcial, para podermos escolher. Dizem que as mulheres querem estar no mercado de trabalho, mas que depois se angustiam por não estarem com os filhos. É preciso fazer alguma coisa, não tenho dúvidas - batalhar pelo part time é uma delas.
Eu acho que teria apreciado um part-time depois de o meu filho ter nascido, quando ele ainda era muito pequeno, acordava a meio da noite para mamar e eu andava a trabalhar zombie de sono e com as mamas duras como pedra. Mas arranjei um full time por conta de outrem quando ele fez quatro meses e foi a melhor coisinha que me podia ter acontecido. Depois do sufoco de estar dois anos a trabalhar solitariamente em casa como freelancer, de ter trabalhado das 9h às 23h grande parte dos dias, incluindo fins-de-semana, de ter descontado balúrdios para a segurança social, de ter de andar a preencher declarações do IVA trimestralmente, dei graças a todos os santos pelo full time, ainda que o miúdo só tivesse quatro meses, ainda mamasse e eu não tivesse tido coragem para falar em redução de horário para amamentação.
A verdade é que talvez tivesse apreciado o part time se a diferença para o salário que ganho (que não é nenhuma fortuna) não fosse grande, porque com menos do que isto seria muito complicado gerir as coisas. E, mesmo passando mais tempo em casa, não sei se encontraria um infantário onde pagasse menos se ele lá estivesse menos horas.
Não me posso queixar (muito) deste full time. Ganho menos do que mereço e do que seria justo para uma pessoa com os meus anos de profissão, mas o horário é simpático: das 10h às 17h, com meia hora para almoçar. Não me chateiam por aí além por ter de sair à hora a que o horário termina para ir buscar o meu filho, mas eu sinto-me pressionada todos os dias - como se todos os dias fosse avaliada a minha "falta de disponibilidade".
Antes de ter sido freelancer e de ter sido mãe, trabalhava em regime de horário total, sempre disponível, sempre a dar à casa as horas que fossem precisas, sempre disponível para trocar folgas e trabalhar nos feriados. Lembro-me bem que olhava "de lado" as mães que tinham de sair à "horinha certa". Agora estou eu no lugar delas e a revolução que eu queria era horários decentes para pais e mães, o fim dos olhares de lado para quem - sacrilégio! - tem família e tem de cuidar dela porque não tem empregada nem avós à mão de semear, e queria promoções à medida do esforço e da qualidade do trabalho em vez de promoções por conta do género, da disponibilidade ou do fazer de conta que não se tem família e filhos e que se está muito bem a trabalhar quase 24 horas por dia.
O meu marido tem um horário complicado, na maior parte dos dias sai à meia-noite, às vezes mais tarde, outras vezes mais cedo, mas nunca antes das 20h. Não é uma questão de disponibilidade, é mesmo uma questão da especificidade do trabalho. Ele adorava poder chegar a casa mais cedo, estar com o miúdo ao fim da tarde, jogar à bola, ir ao café, ao parque ou às compras como as "famílias normais" que ele vê quando faz uma pausa para lanchar e se angustia por saber que estou eu a dar conta de tudo sozinha e o miúdo está cheio de saudades à espera que ele chegue. Angustia-se ainda mais quando pode vir jantar a casa e depois tem de dizer ao miúdo que não podem brincar mais, que o pai ainda tem de ir trabalhar.
Se me fosse dada a oportunidade de trocar, com uma oferta do género: ele passa a trabalhar com um horário "normal" que lhe permite ir levar e buscar o miúdo ao infantário, tu passas a estar disponível para trabalhar as horas que quiseres ou que forem precisas e ainda tens direito a uma promoção que te vai chegar para - vejam só esta maravilha! - pagar a uma empregada para deixares de ocupar o teu tempo livre a esfregar casas de banho, aspirar, meter roupa na máquina, mudar camas, passar a ferro... Bom, então eu teria de dizer que a parte da empregada é realmente muito sedutora, mas não, obrigada. Eu mereço ganhar mais por aquilo que já faço, uma promoção para mais trabalho vai dar na mesma injustiça. E, essencialmente, digo não, obrigada, porque eu também quero acompanhar a vida do meu filho e não seria capaz de não estar presente.

Portanto, na verdade, a revolução que eu defendo é a mesma de que fala a especialista em Economia do Trabalho Maria do Pilar González no artigo "Profissão:mãe" da Notícias Magazine (o link para o artigo desapareceu): vai ter de haver uma mudança na reorganização da vida privada e familiar, porque a pressão que as empresas atualmente colocam nos seus empregados é insustentável. Exige-se total disponibilidade como se o trabalho doméstico não existisse, mas ele "existe, tem valor social e alguém tem de o fazer". Já que homens e mulheres trabalham fora de casa, devem partilhar o trabalho doméstico. Para isso seria preciso que os homens reivindicassem os seus direitos de paternidade e que as empresas achassem normal que eles os façam, defende a investigadora. Eu cá acho que era também preciso que as empresas deixassem de penalizar as mães que usufruem dos seus direitos de maternidade, mesmo achando normal que elas o façam.
Charlote
http://uma-vida-como-outras.blogspot.com/2011/04/mulheres-venha-dai-essa-revolucao.html

Revolução : Flexibilização à séria

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
A revolução do mercado de trabalho que se impõe actualmente – vou chamar-lhe a flexibilização à séria – acabará por acontecer, penso eu de que, mais tarde ou mais cedo. Neste caso, infelizmente, será mais tarde, porque tratando-se mais de uma alteração de mentalidades do que outra coisa, já se sabe que é mais demorada.

Posto isto, importa então, antes de mais, esclarecer duas coisas: Primeira, se acabará por acontecer para quê marcar presença neste evento? Segunda, o que é isso de flexibilização à séria?

Quanto ao primeiro aspecto (tu queres ver que eu tenho o raio de uma veia política, caraças!) tenho de dizer que fui convencida por esta rapariga que, tal como eu, parece ter a mania de virar as coisas do avesso; dar a volta ao prego; agarrar o touro pelos cornos; e essas coisas todas, mas ao contrário de mim não se deixa ficar por revoluçõezinhas pessoais. Não, ela quer mesmo fazer coisas. A mim costuma chegar viver contra a corrente, lamentar-me muito, de preferência com as costas da mão na testa em pose dramática q.b, e compensar a solidão com boa comida e melhor vinho.

Ora, a flexibilização do mercado de trabalho, ou seja as empresas estarem abertas a outro tipo de estruturação do trabalho - part time, trabalho por objectivos, teletrabalho, etc., tem sido uma das minhas grandes reclamações dos últimos anos, sendo que a única coisa que consegui foi mandar para o caralho um ou outro patrão e aceitar trabalhar a recibos verdes sem cumprir um horário. E chegamos, portanto, à parte em que explico o que é isso da “flexibilização à séria”. Sim, porque pode-se muito bem alegar que o mercado nunca foi tão flexível como agora e eu digo, pois não, mas não precisava de o ser tão e apenas à custa do trabalhador, que quase precisa de pagar para trabalhar (a mim já me aconteceu ganhar menos num mês do que o necessário para pagar a Segurança Social).

Ou seja, se algumas empresas tivessem a coragem de arriscar (sim, sim, ide ler o especial que o Público fez com o António Câmara) e apostar em pessoas que querem mesmo, mesmo trabalhar, contribuir com ideias, mão-de-obra, o que for preciso e ao mesmo tempo usufruir da família, dos amigos, dos animais de estimação, não tenho dúvidas que o níveis de sucesso, de produção, de bem estar geral aumentariam consideravelmente.

E isto é novidade para alguém? Não, claro que não. Então, porque raio é que se continua a tratar o trabalho independente (recibos verdes), a isenção de horários, o horário contínuo (dêem-me este, por favor, eu trabalho seis horas seguidas, sem problema nenhum) com tanto desrespeito, senhores? Porque é que os nossos coleguinhas que gostam de trabalhar até às tantas (em muitos casos, porque estiveram a coçá-los o dia todo e depois despacham em duas horas, normalmente das 18h00 em diante, o que não fizeram o dia todo) olham de lado para os que fazem o dobro, em menos tempo, e depois querem sair cedo para estar com os filhos, com os cães, com os piriquitos, com o livros, com os vícios, com o que bem entenderem?

É claro que eu, para ser uma gaja como deve ser, montava já uma empresa modelo para mostrar ao mundo como se faz, mas acontece que nasci com uma deficiência no gene dos negócios e como não gosto de subsídios não vou estar a usar esse argumento para enriquecer à custa dos outros.

Calita Fonseca
http://panadosearrozdetomate.blogspot.com/2011/04/revolucao-flexibilizacao-seria.html

Eu queria trabalhar melhor e ser ao mesmo tempo uma mãe melhor e uma pessoa mais feliz, e por tudo isto, mais útil à sociedade

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Tenho um emprego porque preciso de ganhar um salário. Se não precisasse de dinheiro, não tinha um emprego. Não preciso da realização pelo trabalho, pelo trabalho enquanto função produtiva numa empresa que está no nosso sistema de organização laboral, que é capitalista (ainda). Isto é um ponto prévio para que fique clara a minha posição quanto ao trabalho - não acho que ter um trabalho remunerado faça de nós melhores pessoas porque sim. Aliás, não tenho pachorra para o discurso da realização pelo trabalho.
Não obstante, desde que me tornei mãe, sou melhor trabalhadora porque estou mais focada, porque organizo melhor o meu tempo, porque estou mais concentrada e me disperso muito menos. E tudo isto porque tenho vontade de sair a horas para estar mais tempo com a minha filha. Não desperdiço um quarto de hora que seja, lancho a trabalhar, corro de e para o comboio e tudo isso vale a pena por mais um bocadinho com ela cada dia.
Sou uma pessoa angustiada como todas as mães que têm que ter um emprego. Acho que quase todas as mães que trabalham sofrem um bocadinho. Não é que não goste do meu emprego. Gosto. Mas gostaria muito mais se não o sentisse como uma prisão.
Eu já prescindi de uma gorda fatia do meu salário para ter um horário menor e melhor, por isso sei o que é trocar dinheiro por tempo em família.
Cheguei a um ponto em que alcancei um dilema - sou melhor trabalhadora desde que sou mãe, mas preciso de sair deste esquema de trabalho para ser ainda melhor e mais produtiva e mais feliz e, por ser mais feliz, ser ainda mais e melhor produtiva.
Não seria muito difícil para muitas empresas criar coisas como trabalho por objectivos, ter os trabalhadores a mandar o trabalho de casa, criar flexibilidade de horários, criar bancos de horas. O que é difícil é mudar mentalidades, porque a maioria das pessoas acha que trabalhar é sobretudo ser visto no seu local de trabalho e passar lá mais horas do que as devidas, porque assim aparenta estar muito disponível. Quando eu saio às seis da tarde, quase sempre alguém me diz "Já vais embora?", quando eu já cumpri atarefadamente sete horas de trabalho sem distracções, sem me dispersar. E quando eu entrei de manhã e para isso tive que acordar cedo, deixar a menina no infantário para a voltar a ver, se tudo correr bem, nove longas horas depois.
A maior parte dos dias, estou a trabalhar e a sofrer. Porque estou onde não quero estar e porque, mesmo sendo cada vez melhor trabalhadora, nunca mais terei oportunidades e desafios porque sou mãe e estou limitada na disponibilidade. E estou limitada, na minha vida familiar e social, por ter um horário de trabalho algo rígido - apesar de, na minha profissão, eu ter facilidades de mudar de horário que poucas pessoas têm.
Há outra qestão: eu não sou útil à sociedade só a ganhar um salário e a pagar impostos. Eu sou também útil se puder fazer voluntariado, ajudar os vizinhos, participar nas actividades da escola da minha filha. Quase ninguém tem tempo para fazer isto porque está enfiado numa empresa de manhã à noite, porque acha que tem que se sujeitar e, verdade seja dita, porque somos um povo de criativos mas sem coragem de fazer grandes mudanças sociais.
Eu gostava de trabalhar de outra maneira e seria muito melhor trabalhadora se trabalhasse de outra maneira. Não estou à espera que isso me caia em cima - estou a preparar a minha vida para, logo que seja possível, trabalhar de outra maneira.
Este texto é a resposta a um desafio. Espero que este desafio ganhe consistência e se torne num movimento cívico. Este país precisa de muitas coisas, mas precisa mais do que nunca que os cidadãos se mexam e façam coisas.
Obrigada, Mãe que Capotou, por me teres puxado pelo braço para a tua tribo.
Dora
http://locaishabituais.blogspot.com/2011/04/eu-queria-trabalhar-melhor-e-ser-ao.html

Políticas de conciliação entre o trabalho e a família

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Proposição de políticas de conciliação entre o trabalho e a família :

- Trabalho em casa
- Coordenação do tempo de trabalho com férias escolares
- Implementação de um verdadeiro mercado de trabalho em tempo parcial
- Horários flexíveis ou reduzidos
- Bancos de horas
- Semanas de trabalho comprimidas
- Flexibilização de benefícios sociais (tendo em conta creches, contribuições para despesas escolares)
- Facilitação do regresso no mercado de trabalho.

Sr. Empregador, não sabe vencer a crise ? Pergunte ao Mourinho

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Senhor(a) Empregador(a)

Costuma olhar para os seus colaboradores?
Quando digo olhar, digo mal. Reformulando – Senhor empregador, costuma ver os seus colaboradores?
Pois é. A língua portuguesa é muito traiçoeira e ver não é o mesmo que olhar. Quantas vezes já se interrogou por a expansão e o gráfico de produtividade não atingirem os valores que esperava, apesar de todas as condições ergonómicas que criou?
Já olhou bem para os/as seus/suas colaboradores/colaboradoras? Já os viu, realmente?
Há muito tempo que deixei de me interessar por futebol, mas não sou indiferente ao que se passa no Mundo e as notícias do futebol invadem a nossa casa, na hora das refeições. Acabamos por conviver com elas e, no meu caso, por as analisar. Que pensam do José Mourinho? Acham que o sucesso dele é apenas devido à sorte? Os êxitos conseguidos em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha serão apenas devido ao acaso? Ou será que ele é um verdadeiro “gestor de pessoas” e consegue tirar delas (daquelas que tem naquele instante), o melhor que elas têm para dar? Que pensam disso? Sorte, acaso, ou estudo da personalidade de cada um dos seus colaboradores, proporcionando-lhes todas as condições sociais e emocionais, para que eles tenham como preocupação única a sua tarefa, o seu desempenho, porque todas as outras (familiares e sociais) estão asseguradas?
Acha-se menos profissional que o José Mourinho (respeitando a diferença do ramo de actividade)?
Acha que ele é um super-homem? Ou será que ele é apenas um homem atento, que sabe ver quem tem à sua volta?
Pense nisso, na sua próxima contratação de um(a) colaborador(a) para a sua firma.

Carlos Oliveira

Por utilizar os meus direitos fui acusada de ser inflexível e ter horário de função publica

01.05.11, flexbilizar ~ conciliar
Trabalhei numa empresa durante 9 anos, quando engravidei do meu filho, tive que mudar de chefe, que era super porreiro, para outro que se veio a tornar num sacaninha. Era nosso colega e subiu de posto e o posto subiu-lhe a cabeça.
Adiante, as 30 semanas, vim para casa com contracções tal era o estado de nervos em que me encontrava, não tive tempo de formar devidamente a pessoa que iria ficar no meu lugar e tinha sido combinado com o director de área, a cima do meu chefe directo, que ficaria, dentro do possível a fazer trabalho em casa, todo o que não tinha conseguido ensinar a minha colega.
Até aqui tudo bem, foi até porreiro, porque me aborrecia em casa durante a baixa, erro meu!!!
Depois do meu filho nascer, continuei, mas só mesmo uma parte que a minha colega não sabia mesmo fazer. Mas jà com menos disponibilidade, ao ponto de um dia o meu chefe me dizer que estava a demorar muito a lhe responder, respondi-lhe que se ele pagasse uma baby sitter para ficar uma hora por dia com o meu filho eu despachava-me ( claro que era eu a manda-lo à fava indirectamente).Voltei passados os 5 meses de licença, mais um de ferias e com os restantes que tive de baixa, foram quase 9 fora. Muita coisa tinha mudado, muitas falcatruas foram feitas, porque quando estava era eu que controlava essas coisas e o director de área tinha passado a ser uma mulher. Pensei, que fixe uma aliada!
Comecei a chegar às 9 da manhã como sempre mas a sair 2 horas mais cedo, ou seja às 16. E não ficava nem mais um minuto. Ao ponto de um dia numa reunião de colegas e chefe, ter sido acusada por este ultimo de ser inflexível e ter horário de função publica. Comentei os a directora de área a situação e disse-lhe que por lei tinha essas duas horas para amamentar.
Resposta dela: eu quando tive os meus filhos tirei uma licença sem vencimento. E eu respondi, pois mas a senhora pode eu não tenho dinheiro para isso. Até mesmo a directora de recursos humanos, com dois filhos era pouco flexível quando o meu miúdo estava doente, e esteve muitas vezes doente.
Este meu chefe esteve quase a conseguir despedir-me, mas voltei a ter o meu antigo chefe, porque se veio a descobrir as falcatruas do outro.
No entanto a área onde estava inserida, foi suspensa, ainda me propuseram mudar de área e novamente de chefe.
Foi aqui que vi uma oportunidade para me pagarem o que me deviam de anos de casa e vir trabalhar por conta própria como já fazia o meu marido.
Foi o melhor que fiz, sou Relações publicas e organizo eventos, diga-se que tenho pouco trabalho, mas o marido vai ganhando para as despesas e o meu filho esse então, mudou da noite para o dia.
Até no infantário notaram isso. Tenho mais tempo para eles, para a casa, para o meu trabalho e para mim. Acabei as cadeiras que me faltavam, já não saia de casa as 7 e chegava ás 19. Quase não os via quando trabalhava.
Passado 1 ano e meio de ter saído de lá, voltei a engravidar, foi uma gravidez mais serena, calma e com mais tempo para a minha filha que tem agora 4 meses. O meu filho continua a só entrar na escola ás 9.30, quando trabalhava entrava ás 8.00. Agora sai entre as 16.30 ou 17.00 quando me pede para o ir buscar mais tarde para brincar um pouco mais com os amigos. Chegou a sair às 18.30, quando o meu marido o ia buscar, quando eu trabalhava fora de casa.
Não tenho o problema de estar a faltar quando está doente, de meter ferias para fazer actividades com ele na escola e afins. Sinto-me abençoada e continuo a achar que todas as mães, as que quisessem só deviam trabalhar meio tempo.
Sei que o texto está algo confuso, mas ainda me revolto quando penso no que sofri e que fiz sofrer o meu filho mais velho, agora com 4 anos.

Patricia Leal

Pág. 4/4