Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
Diz-me quem te educa, dir-te-ei quem serás
Dra. CATIA SANTOS | PSICOLOGA, AREA DE PSICOLOGIA CLINICA

Nas últimas semanas debruçámo-nos sobre a família no prisma dos “grandes”, reflectindo sobre tópicos ligados à flexibilização no trabalho e ao equilíbrio entre este e a família. Esperamos que tenham aproveitado as leituras para revolucionar um pouco a mente. Mas agora, hoje, interessam-nos os “pequenos”. Se por um lado, as decisões dos pais relativamente ao trabalho, e à família claro, alteram o seu modo de estar no mundo e de se relacionarem com os outros, por outro lado, as crianças também são transformadas por estas decisões.
A presença dos pais, como pessoas activas e contentoras, nos primeiros anos de vida dos filhos é muito importante, dado que a interacção é imprescindível para o desenvolvimento dos bebés. A partir dos padrões de interacção, o bebé vai desenvolvendo a sua intersubjectividade, fundamental para a criação de uma mente criativa e estimulada, capaz de permitir a aquisição das mais variadas aprendizagens sociais, escolares e, no futuro, profissionais. A interacção mães-bebés e pais-bebés têm alguns pontos em comum, mas na sua essência são muito diferentes. A mãe vocaliza mais, é mais didáctica e a interacção baseia-se na manipulação dos objectos na sua forma convencional, ao contrário dos pais cuja interacção se baseia essencialmente no contacto físico, sendo pautada por brincadeiras imprevisíveis que conferem um aspecto mais estimulante à interacção nesta díade. 1, 2 , 3 Percebemos, deste modo, a importância da existência de um envolvimento forte, e rico, de ambos os pais, na vida dos seus filhos.
Quando, no primeiro ano de vida dos filhos, as mães usufruem da licença de maternidade a qualidade de vida e saúde, tanto ao nível da mãe como do bebé, parecem estar mais evidentes, existindo um menor nível de depressão materna assim como maior percentagem de mães que amamentam, sendo este um aspecto importante para a imunização do bebé. 4 Sabe-se, igualmente, que neste primeiro ano de vida quando a mãe trabalha, especialmente em full-time, algumas crianças apresentam dificuldades ao nível do seu desenvolvimento. Aparentemente quando os pais (homens) compartilham a licença, envolvem-se de um modo mais próximo nos cuidados com os bebés, como por exemplo na muda de fraldas e na sua alimentação. 5 Ressaltamos que é importante que não nos esqueçamos que os efeitos negativos, no desenvolvimento dos bebés, resultantes do facto de ambos os pais trabalharem, dependem de vários factores como, por exemplo, o tipo/qualidade dos cuidados parentais, e a sensibilidade dos pais para as necessidades dos bebés.
Nos anos seguintes e principalmente até à entrada na primária, o envolvimento dos pais no trabalho – durante longas horas – implica que os seus filhos permaneçam a maior parte do tempo ao cuidado de terceiros, sejam eles avós, amas ou funcionários dos infantários. Este acontecimento leva a que algumas crianças apresentem problemas comportamentais. Está, igualmente, comprovado que pode levar ao aumento da obesidade. No entanto, ressalta-se que se a qualidade dos cuidados prestados por terceiros for elevada, estes efeitos negativos podem ser atenuados ou até extintos.

1 Frascarolo, F., Favez, N., & Fivaz-Depeursinge, E. (2003). Fathers’ and mothers’ performances in father-mother-baby games. European Journal of Psychology of Education, 18 (2), 101-111.
2 Paquette, D. (2004). Theorizing the father-child relationship: Mechanisms and developmental outcomes. Human Development, 47, 193-219.
3 Roggman, L. A. (2004). Do fathers just want to have fun? Commentary on theorizing the father-child relationship, Human Development, 47, 228-236.
4 Ruhm, C. (2000). Parental Leave and Child Health, Journal of Health Economics, 19 , 931–960.

5 Tanaka, S., & Waldfogel, J. (2007). Effects of parental leave and work hours on fathers’ involvement with their babies: Evidence from the millennium cohort study. Community, Work and Family, 10 (4), 409-426.





publicado por flexbilizar ~ conciliar às 11:03
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