Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011
O dia em que deixei de ser Quadrada

Alex Kopli

 

Em 2004 cheguei a uma empresa para dar início a um projeto pioneiro, cheia de entusiasmo vesti a camisola e trabalhei com afinco, recebendo elogios e gratificações pelo meu bom desempenho e organização. Durante os cinco anos seguintes a minha vida baseou-se num esquema muito comum em Portugal, saía muito cedo de casa, metia-me num transporte público, seguia para o escritório, fazia o que tinha a fazer, metia-me novamente no transporte público e chegava a casa já a noite tinha começado. Tudo corria bem, até a maternidade me ter batido na cara e que afinal havia algo chamado PRIORIDADES PESSOAIS. A rotina que antes mantinha começou a figurar-se como um calvário diário, cheio de insatisfações e extremamente cansativo.

 

Realizei que afinal estava demasiado afastada daquilo que mais importava - a minha vida.

 

Ao chegar ao sexto ano de trabalho na mesma empresa, senti-me diferente e o apelo para sair, para mudar, era cada vez maior. Tracei um plano, no qual estava contemplado um projeto profissional/familiar que na altura estava a iniciar, ganhei coragem e demiti-me. O dia em que me demiti foi extremamente difícil, cheia de ansiedade e medo procurei deixar bem claro que eu não queria entrar numa espiral de descontentamento e que preferia sair do que começar a desleixar-me. Não queria, de maneira nenhuma estar ali de corpo presente e com a cabeça noutro sítio mais entusiasmante. Fui compreendida e saí com o apoio de todos os meus colegas, amigos e familiares, e a gratidão que sinto até hoje não se alterou.

Hoje em dia, sair de um emprego estável, sem qualquer indemnização, nem outra segurança social é um risco, no entanto, é uma via que nos faz continuar a busca por um suposto objetivo, um sucesso, algo que puxe por nós enquanto profissionais e indivíduos. Quando me cruzo com alguém que me conta problemas parecidos com os que tive pergunto logo: para além da tua profissão, há algo que faças bem e que te dê prazer? Se a resposta for afirmativa, esse pode ser o caminho para uma nova vida! Seja fazer baínhas, pintar paredes, tirar fotografias ou paginar teses, qualquer alternativa pode fazer a diferença a uma vida monótona. Dizem que os dias de crise económica são portas abertas para vidas novas e para a inovação; eu não almejo a riqueza, almejo sim a polivalência, o dinamismo, o optimismo e a constante busca de novas oportunidades, mesmo que os bancos nos acenem com spreads inaceitáveis, a sombra da Troika nos escureça os dias e o medo de colisões sociais nos tirem o sossego nas ruas.

Para a frente é que é caminho! "

beijinhos
sof*



publicado por flexbilizar ~ conciliar às 09:02
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7 comentários:
De Cláudia a 17 de Outubro de 2011 às 10:38
Não me podia rever melhor nestas palavras... isto aconteceu comigo e está a voltar a acontecer!!!

Tenho os caminhos à minha frente mas o medo de n ter suporte financeiro é o que está a deixar-me insegura!!!

Alguma ajuda mais?

Obrigada,

Cláudia Cirilo


De Cláudia a 17 de Outubro de 2011 às 10:40
Mais uma coisa vou publicar o texto no meu blog!!! :)


De **SOFIA** a 17 de Outubro de 2011 às 14:25
olá cláudia, obrigada pelas suas palavras ao meu texto :)

não lhe posso dar grandes conselhos, apenas lhe digo que não desmotive! eu própria também tenho medo do lado financeiro, que é muito daquilo que nos move, mas é também o que, no fim, nos torna mais tesos.

se tem um projeto no qual acredita, então agarre-se a ele, vai ver que não se arrependerá!


De Maria de Lurdes a 17 de Outubro de 2011 às 14:39
Grande testmunho, muito bem!
Haja coragem, Portugal!


De Rita a 20 de Outubro de 2011 às 13:29
Gostei muito do texto e da coragem. Mas parece-me que o descrito só é possível se houver uma base financeira de alguma estabilidade. Coisa que escasseia, hoje em dia.


De na primeira pessoa do singular a 25 de Outubro de 2011 às 14:45
Esta é a minha voz. Esta Era a minha voz. E a minha postura, desde que comecei a trabalhar. Dentro de dias passarão 4 anos desde a minha última loucura: largar um emprego de escravidão, como engenheira civil numa construtora já de alguma dimensão, e criar a minha empresa de serviço de engenharia.
Foi esse o dia em que a minha vida mudou. Não necessariamente para melhor. Os dias correm mal, e a empresa está a dar prejuízo. Como não falto a compromissos, pago ao estado, pago a todos , menos a mim, pelo que tenho mais de um ano de ordenado em atraso, enquanto, teimosamente, cegamente, tento fazer com que isto funcione. E está a ser muito difícil. Passar a viver com menos 60% dos rendimentos e mais 2 filhas é dose...
No entanto, já provei o sabor da LIBERDADE, do tempo para a família ( o que não quer dizer que não haja alturas bem mais complicadas que antes, com trabalho de 16 ou 18h por dia, para acabar trabalhos, e os dias que acumulo com aulas que dou, e aulas do mestrado que quero concluir, e aos quais não sobreviveria sem a ajuda do marido e dos pais!!), pelo que agora, que anseio por dias atribulados, num emprego que me pague ordenado ao fim do mês, seja de 40, 50 ou 60h por semana, tenho um novo dilema: onde conseguir um emprego na construção que me permita manter a flexibilidade? Em lado nenhum.
Nas pequenas empresas não há trabalho, muito menos para uma técnica sénior especializada, que só de olhar para o currículum assusta, ao pensar qunto poderá custar ( e no entanto, tenho-me "vendido" tão barata...)
Nas grandes empresas, ressalta no currículum mulher, mãe de 2 filhas, associação de pais...pelo que sabem que eu não aceitaria ser recambiada para os confins de Portugal ou para os confins do mundo, deixando a família para trás, pelo que nem vale a pena pensar mais nisso.
Vou pensando, enviando propostas, planeando novos projectos, que por agora não enchem a barriga a ninguém, mas quem sabe, um dia...

Margarida


De Sofia a 25 de Outubro de 2011 às 15:26
é verdade, a liberdade tem um preço muito elevado, o qual, na maior parte dos dias tem uma importância extrema. no entanto, o estado suga-nos o dinheiro todo com pagamentos por conta e mais coisas extraordinárias que dariam para pagar mais um ordenado. a vida corre com mais incertezas, sem férias fora, sem luxos, com ajuda dos pais........
é difícil, mas ainda assim, considero-me uma felizarda por ainda não termos desistido do nosso projeto.

boa sorte!


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